WEC
Lilou Wadoux projeta ascensão e se sente pronta para assumir assento no Ferrari Hypercar
Piloto de fábrica da marca italiana destaca evolução técnica após testes com o 499P e foca em temporada robusta no GT para garantir vaga na classe principal em 2027.
O caminho para o topo do automobilismo de resistência exige paciência, precisão e resultados incontestáveis. Para Lilou Wadoux, piloto de fábrica da Ferrari, o objetivo de alcançar a classe rainha do FIA World Endurance Championship (WEC) nunca esteve tão próximo. Aos 24 anos, a francesa afirmou recentemente que espera estar “perto de estar pronta” para um assento de corrida na categoria Hypercar até o final de 2026, consolidando uma trajetória de ascensão meteórica dentro da estrutura da fabricante de Maranello.
Wadoux teve sua segunda experiência ao volante do Ferrari 499P — o protótipo vencedor das 24 Horas de Le Mans — durante o teste de estreia da temporada passada no Bahrein. Tendo experimentado o carro pela primeira vez em 2023, ela retornou ao cockpit em novembro passado com uma bagagem significativamente maior. Entre as duas oportunidades, a piloto acumulou quilometragem valiosa correndo com protótipos LMP2 e dominando competições de GT, o que, segundo ela, foi crucial para sua evolução técnica.
A evolução entre o GT e a potência híbrida
Em entrevista ao portal Sportscar365, Wadoux detalhou as nuances de pilotar o Hypercar da Ferrari. Segundo a piloto, o 499P situa-se em um ponto intermediário entre o comportamento dinâmico de um LMP2 e a robustez de um GT, embora apresente desafios únicos devido ao seu sistema de propulsão híbrida. “O Hypercar exige um aprendizado constante por causa de toda a potência elétrica e sistemas complexos. É uma realidade muito diferente em comparação com o GT”, explicou a francesa.
Lilou acredita que a oportunidade de testar o carro principal foi uma recompensa pelo seu desempenho sólido nas pistas. Em 2025, ela brilhou na European Le Mans Series (ELMS) com duas vitórias na classe e coroou o ano com um triunfo no icônico Motul Petit Le Mans, etapa de encerramento da IMSA WeatherTech SportsCar Championship, na competitiva classe GTD. Para a piloto, esses resultados mostram que, embora ainda haja o que aprender em termos de simulação e gestão de energia, a base competitiva — como largadas e ritmos de classificação — já está consolidada.
Um programa ambicioso para 2026
Enquanto o assento na Hypercar permanece como o objetivo final para 2027, o ano de 2026 de Wadoux será um dos mais intensos de sua carreira. Confirmada oficialmente pela Ferrari, ela enfrentará um “calendário dos sonhos”, competindo em três campeonatos simultâneos: o GT World Challenge Europe (GTWC), a ELMS e a IMSA Michelin Endurance Cup.
O grande destaque de sua agenda é a estreia na classe Pro do GTWC Europe Endurance Cup. Wadoux dividirá a Ferrari 296 GT3 Evo nº 50 da equipe AF Corse com Arthur Leclerc e Sean Gelael. Pela primeira vez, a francesa lutará por vitórias gerais na série, enfrentando alguns dos melhores pilotos de GT do planeta. “É um privilégio estar na classe Pro neste campeonato incrível. Teremos o carro em especificação Evo, o que representa um novo passo para a Ferrari”, comentou Wadoux, entusiasmada com o desafio de lidar com os novos pneus Pirelli e o alto nível de competitividade da categoria.
Com um programa que abrange as pistas mais desafiadoras da Europa e da América do Norte, Lilou Wadoux vê em 2026 a prova de fogo definitiva. Se o desempenho nos GTs e protótipos continuar a impressionar a cúpula de Maranello, a transição para o Hypercar 499P em 2027 deixará de ser uma possibilidade para se tornar uma realidade inevitável.
