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Dakar

Desastre muda o rumo da Rally2 no Dakar

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Michael Docherty.
Foto: a.s.o./f.le floc'h/dppi

Quebras mecânicas tiram Michael Docherty e Martim Ventura da disputa direta pelo título e redesenham completamente o cenário da categoria.

A classe Rally2 viveu um verdadeiro terremoto em mais um dia decisivo do Dakar, com dois de seus principais protagonistas sofrendo golpes praticamente fatais em suas pretensões ao título. Michael Docherty e Martim Ventura vinham dominando a categoria desde o início da prova, impondo um ritmo que deixava os concorrentes brigando apenas pelas sobras. A superioridade da dupla era tamanha que, até então, apenas pouco mais de três minutos separavam o sul-africano do português na classificação geral, enquanto a diferença para o terceiro colocado já ultrapassava a marca dos 25 minutos.

Ventura havia dado mostras claras de sua competitividade ao vencer a segunda etapa, enquanto Docherty acumulava desempenhos sólidos e consistentes, levando vantagem nos demais especiais disputados até aqui. O duelo prometia ser um dos mais interessantes da edição, com troca constante de posições e uma disputa direta que mantinha a Rally2 em evidência dentro do rali. No entanto, o Dakar voltou a mostrar sua face mais cruel.

O dia começou de forma promissora para Michael Docherty. Após completar 126 quilômetros da especial, o piloto registrava o melhor tempo absoluto entre todas as motos, repetindo um feito que já havia alcançado duas vezes na temporada passada. Porém, quando tudo indicava mais uma atuação de alto nível, a sorte virou de maneira abrupta. A espuma do pneu traseiro se deslocou, a roda acabou quebrando e o sul-africano foi forçado a abandonar a disputa por dois dias, sofrendo um duro revés em uma prova onde cada minuto é decisivo.

Se o golpe em Docherty foi pesado, a situação de Martim Ventura não foi menos dramática. O português enfrentou problemas na transmissão secundária de sua moto, o que o obrigou a completar a especial em ritmo extremamente reduzido. O resultado foi um atraso superior a duas horas e 15 minutos em relação a Neels Theric, vencedor da etapa na Rally2. Um prejuízo que praticamente sepulta suas ambições de conquistar o título da categoria ou mesmo de brigar pelo status de melhor novato da edição.

As consequências desse dia são profundas. Docherty, que vinha enfrentando pilotos da elite do RallyGP de igual para igual em vários momentos, vê sua luta direta interrompida de forma brusca. Ventura, por sua vez, perde a chance de coroar sua campanha com um título que parecia ao alcance após um início tão forte.

Em meio ao caos, surge um novo protagonista. Preston Campbell, companheiro de equipe de Ventura na Monster Energy Honda HRC, assume a liderança da Rally2 e passa a ocupar a pole position na corrida pelo troféu da categoria. Além disso, o americano também se coloca como favorito às principais honras entre os novatos, aproveitando um cenário completamente redesenhado pelo infortúnio de seus principais rivais.

No Dakar, talento e velocidade são fundamentais, mas a resistência mecânica e a capacidade de sobreviver aos imprevistos continuam sendo fatores decisivos. E, mais uma vez, a Rally2 foi o retrato fiel dessa realidade implacável.

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