WEC
Toyota e Peugeot definem o sistema híbrido como pilar central para o regulamento de 2030
Fabricantes defendem a manutenção da tecnologia própria em oposição aos componentes padronizados, visando a relevância para os carros de rua e a estabilidade do campeonato mundial.
As discussões sobre o futuro do Campeonato Mundial de Endurance da FIA (WEC) já começaram a ganhar contornos decisivos. Recentemente, a Toyota e a Peugeot manifestaram posições firmes sobre a introdução de um regulamento unificado para a temporada de 2030. Ambas as marcas enfatizaram que a liberdade para desenvolver sistemas híbridos é inegociável para a continuidade de seus programas.
Atualmente, o grid do Hypercar convive com duas abordagens técnicas distintas: os modelos LMH e os LMDh. A Toyota, a Peugeot e a Ferrari operam sistemas híbridos próprios montados no eixo dianteiro. Por outro lado, os carros da classe LMDh utilizam uma solução padronizada fornecida pela Bosch, Xtrac e Fortescue Zero.
O grande desafio para as autoridades esportivas reside em alinhar essas duas filosofias após o ciclo atual de regras expirar. David Floury, diretor técnico da Toyota Racing, abordou o tema com cautela durante a abertura da etapa de Ímola. Portanto, encontrar um consenso entre tantos fabricantes e órgãos reguladores será uma tarefa complexa.
Estabilidade técnica contra revoluções drásticas
David Floury acredita que o sucesso atual do campeonato se deve à diversidade de fabricantes envolvidos. Segundo o diretor da marca japonesa, o plano é definir a regulamentação de 2030 até o final deste ano. Contudo, ele defende que não há necessidade de uma revolução total no conjunto de regras vigente.
Para a Toyota, a estabilidade é fundamental para manter o interesse das marcas que já investiram pesado na categoria. Além disso, novos competidores como a Ford e a McLaren devem se juntar ao grid em 2027. Assim, Floury sugere que as melhorias devem ser incrementais e acordadas entre todas as partes interessadas.
O dirigente foi categórico ao ser questionado sobre a possibilidade de adotar um sistema híbrido de especificação única. Floury afirmou que tal solução não seria palatável para a fabricante japonesa de forma alguma. Portanto, a Toyota enxerga as pistas como um laboratório essencial para o desenvolvimento de seus carros de estrada.
A relevância tecnológica para os carros de rua
A integração entre as equipes de competição e as divisões de veículos comerciais é um pilar da Toyota. Engenheiros circulam entre os dois departamentos, aplicando conhecimentos adquiridos nas pistas em projetos de larga escala. Por outro lado, comprar um produto pronto de terceiros anularia esse intercâmbio tecnológico vital.
A Peugeot compartilha de uma visão semelhante no que diz respeito à mensagem de marketing e desenvolvimento. Emmanuel Esnault, diretor da Peugeot Sport, destacou a importância da energia híbrida para a identidade da marca francesa. O programa do modelo 9X8 já está confirmado até o ano de 2029 no cenário mundial.
Para Esnault, o ponto central não é a presença do sistema híbrido, mas sim o seu equilíbrio técnico. A proporção entre a potência do motor a combustão e a energia elétrica precisa fazer sentido comercialmente. Portanto, deve existir uma ligação direta entre o protótipo de corrida e o produto final vendido ao consumidor.
Vitrine técnica e o futuro das baterias personalizadas
A Peugeot assumiu o desafio da classe LMH justamente por ser a opção técnica mais difícil e recompensadora. A marca desenvolve o projeto completo, desde o design inicial até os componentes eletrônicos mais complexos. Além disso, a parceria com a Saft permite o uso de baterias personalizadas de alta tecnologia.
Questionado se a bateria personalizada seria uma “linha vermelha”, Esnault preferiu manter as portas abertas para negociações. Ele afirmou que, embora a Peugeot prefira mostrar sua capacidade técnica total, o tema ainda será debatido. Contudo, a marca deseja evitar que o regulamento limite excessivamente as oportunidades de inovação tecnológica.
O consenso entre Toyota, Peugeot e Ferrari parece ser a defesa da soberania técnica sobre seus sistemas híbridos. A convergência com os modelos LMDh para 2030 exigirá concessões de todos os lados envolvidos na mesa. Por fim, o objetivo comum é garantir que o endurance continue sendo o ápice da engenharia automotiva mundial.
