NLS
Reviravolta no Inferno Verde: Mercedes de Max Verstappen perde vitória na NLS por excesso de pneus
Após vencer na pista, o trio formado por Max Verstappen, Jules Gounon e Daniel Juncadella é desclassificado por infração técnica no regulamento de pneus; BMW da ROWE Racing herda o triunfo.
O cenário do automobilismo de resistência foi sacudido por uma decisão drástica dos comissários desportivos na tarde deste sábado, 21 de março de 2026. O que deveria ser uma celebração dominante da Mercedes-AMG Team Verstappen Racing no lendário Nürburgring Nordschleife transformou-se em uma exclusão oficial dos resultados. O Mercedes-AMG GT3 de número #3, operado pela estrutura da Winward Racing, foi desclassificado do 58º ADAC Barbarossapreis, a segunda etapa da temporada 2026 da ADAC Nürburgring Langstrecken-Serie (NLS).
A decisão, protocolada sob o número de registro R-15499/26 , ocorreu após uma inspeção detalhada baseada no relatório do inspetor técnico chefe. O documento oficial aponta uma violação direta das normas de controle de componentes da categoria, especificamente no que diz respeito ao gerenciamento de pneus durante o evento.
A infração técnica: O limite de 24 Pneus
A base jurídica para a desclassificação do carro #3 reside no “Musterreifen-Prozedere” (Procedimento de Pneus Modelo) da DMSB. Este conjunto de regras foi desenhado para garantir a equidade desportiva e controlar os custos logísticos, limitando o número de componentes que uma equipe pode utilizar durante um evento de quatro horas. Para a classe SP9, o limite é rigorosamente fixado em 24 pneus individuais por carro.
Esta restrição impõe uma pressão estratégica significativa sobre os engenheiros de pista. Em um circuito com mais de 24 quilômetros de extensão, onde o asfalto é abrasivo e as variações de elevação impõem cargas laterais e longitudinais extremas, a gestão de seis conjuntos de pneus (24 unidades) exige um planejamento meticuloso. O excedente de quatro pneus detectado no Mercedes #3 — totalizando 28 pneus utilizados — permitiu à equipe uma vantagem não autorizada na manutenção de picos de aderência durante as fases críticas da corrida, o que é classificado como uma infração grave passível de exclusão imediata.
A infração técnica que levaria à desclassificação começou a se materializar durante as janelas de pit stop. Em uma corrida de quatro horas, a gestão do tempo mínimo de parada é crucial. Durante a primeira rodada de paradas, a equipe Scherer Sport PHX realizou um serviço ligeiramente mais eficiente, permitindo que Nico Hantke (substituindo Haase) retornasse à frente de Daniel Juncadella (substituindo Verstappen).
Juncadella, contudo, demonstrou agressividade superior, realizando uma ultrapassagem decisiva na seção de Flugplatz para recuperar a liderança. Foi neste período que a equipe Winward Racing, sob pressão para manter a vantagem competitiva, parece ter introduzido o conjunto de pneus adicional que excederia o limite regulamentar. O uso de um total de sete conjuntos de pneus (dos quais quatro pneus eram excedentes ao limite de 24) permitiu ao Mercedes #3 manter tempos de volta consistentes na casa dos 7 minutos e 53 segundos durante stints onde a degradação normalmente exigiria uma redução de ritmo para preservação dos compostos.
Reações e consequências no campeonato
O chefe da equipe Winward Racing, Christian Hohenadel, expressou profundo pesar pelo incidente. Em comunicado, ele admitiu que um erro interno foi cometido pela equipe de performance da Mercedes-AMG em sua estreia na temporada do Nordschleife. Hohenadel pediu desculpas aos torcedores e aos pilotos — Max Verstappen, Jules Gounon e Daniel Juncadella — enfatizando que o foco agora se volta para uma análise minuciosa dos processos internos antes da prestigiada corrida das 24 Horas de Nürburgring.
Com a exclusão do carro #3, os competidores subsequentes na classificação oficial foram promovidos. Com isso, a vitória do 58º ADAC Barbarossapreis foi herdada pela dupla Jordan Pepper e Dan Harper, que pilotaram o BMW M4 GT3 da equipe ROWE Racing.
