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Não é seu GT3 comum: A meteórica história da classe LMGTE

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Foto: Divulgação/World Endurance Championship

A categoria GT3 é, atualmente, uma das mais acessíveis para pilotos e equipes de todos os níveis. Com um custo reduzido, assistências de direção para pilotos de categoria bronze, e um balanço de performance (BoP) quase perfeito fruto de anos de investimento da Stéphane Ratel Organization (SRO), os GT3 passaram a ser utilizados em diversos campeonatos ao redor do mundo, desde os campeonatos regionais, como a GT World Challenge Australia, até campeonatos de nível mundial, como o IMSA e o Campeonato Mundial de Endurance (WEC) com a classe Le Mans GT3 (LMGT3).

No entanto, antes de a GT3 ascender ao papel de principal categoria de GT, a cena era dominada pelos carros Le Mans Grand Touring Endurance (LMGTE). Estes veículos, que superavam os GT3 em velocidade, também, infelizmente, carregavam custos muito mais elevados.

LMGTE: A Antecessora de Elite

A categoria LMGTE tem sua origem datada em 2012, ano em que o Automobile Club L’Ouest (ACO) retirou a categoria GT1 de suas competições sancionadas, tornando a então classe GT2 a principal, sendo renomeada para LMGTE nas competições sancionadas pela ACO e somente GT nos Estados Unidos. 

Em questão de pilotos, havia duas classes separando-os: a LMGTE Pro e a LMGTE AM. Na classe Pro, só poderiam competir pilotos profissionais. Já na classe AM, os trios deveriam ter, obrigatoriamente, pelo menos um ‘gentleman driver’ (piloto amador), limitando o número de profissionais.

Vários carros icônicos competiram nesse período, como o Dodge SRT Viper GTS-R e o Porsche 911 RSR, o qual venceu a Petit Le Mans em 2015.

Foto: IMSA/Scott LePage

A Evolução do Regulamento (2016)

O regulamento se manteve até 2016, quando foram feitas mudanças para que os carros ficassem mais rápidos que os GT3. Tais mudanças foram feitas para que houvesse uma diferenciação maior entre as classes, tornando a LMGTE a classe principal dentre os GTs.

Dentre as mudanças, o regulamento concedeu maior liberdade técnica (ficando menos restrito) e permitiu modificações aerodinâmicas em certas partes do carro. Em contrapartida, para garantir o equilíbrio, a performance dos novos carros teria de se enquadrar em uma janela bem restrita de Balanço de Performance (BoP), facilitando o controle sobre um sistema que era, até então, complexo e polêmico. Esse novo regulamento seria implementado gradualmente em um período de 3 anos, com os novos carros sendo totalmente implementados em 2018.

Várias montadoras que já estavam na classe, como Ferrari, Porsche, e Aston Martin, homologaram seus carros novos já para a temporada de 2018. Também tivemos a chegada de montadoras novas, como a Ford, que estreou seu novo Ford GT já em 2016.

Com o novo regulamento, o tempo da pole em Le Mans caiu em 4 segundos logo no primeiro ano, com o Ford GT da Chip Ganassi Racing, em 2016, fazendo um tempo de 3 minutos 51 segundos e 185 milésimos. Em comparação, o Aston Martin Vantage da Aston Martin Racing, em 2015, fez um tempo de 3 minutos 54 segundos e 928 milésimos. O mesmo Ford GT iria ganhar as 24 Horas de Le Mans em 2016 na classe LMGTE.

Foto: Divulgação/Ford Media Center

O Declínio e Fim da LMGTE

Após a temporada 2018-19, a categoria teve duas montadoras de saída, com a Ford e BMW deixando o WEC e Le Mans para focar sua campanha no IMSA, com a Ford saindo totalmente da categoria ao final da temporada de 2019.

Com a pandemia, vários programas na LMGTE foram reduzidos ou totalmente cancelados. Assim, em 2021, a ACO anunciou o fim da classe após a temporada de 2023, sendo substituídos pela classe LMGT3. A ACO citou a complexidade do regulamento e os custos elevados como fatores principais para o fim da classe.

Em 2023, a classe LMGTE Pro chegou ao fim, várias montadoras que tinham programas de fábrica na classe migraram para a nova classe Hypercar, deixando no grid somente a classe LMGTE Am.

A última corrida da classe foi as 8 Horas do Bahrein, com o Porsche 911 RSR-19 das Iron Dames pilotado por Sarah Bovy, Rahel Frey e Michelle Gatting levando as honras como as últimas vencedoras da classe LMGTE.

Foto: World Endurance Championship/Marius Hecker

Um Legado Imortalizado

Diversos fãs sentem falta da categoria, preferindo os carros antigos que eram mais protótipos baseados em carros de produção, lembrando um pouco os carros Grupo 5 dos anos 70, aos atuais GT3. Mesmo com sua passagem curta, a classe já está na história de Le Mans e do automobilismo, com os duelos entre Ford, Ferrari e Porsche imortalizados nas pistas ao redor do mundo.

Foto: Divulgação/Porsche Newsroom

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