WEC
WEC em perspectiva: o olhar de quem esteve na pista
As 6 horas de São Paulo marcaram o retorno do WEC para o Brasil após uma década. Com o contrato já renovado e após um show nas pistas e arquibancadas, a bandeira quadriculada não marcou apenas a vitória do Toyata #6, mas também o abraço da torcida para com a categoria.
Porém, indo além daqueles que vibraram no entorno da pista. Qual seria a visão daqueles que fizeram parte do evento, estando ao lado da ação e pronto para agir caso necessário? Essa foi a experiência que Mari Molinari vivenciou ao longo do fim de semana de provas.

Foto/ Reprodução: Leonardo Argentin/ Acervo Pessoal
Logo, a fiscal de pista compartilhou esse momento com o Vai Que Tô Te Vendo. Assim, o resultado dessa conversa, você confere agora!
Certamente, não havia como iniciar essa entrevista, sem entender a preparação necessária para atuar como fiscal. Assim, Mari Molinari compartilhou que a preparação é extensa, contando com testes tanto online, quanto presenciais. Além de passarem por um treinamento internacional com a FIA e também um com a equipe nacional.
“A preparação para trabalhar na pista foi muito mais psicológica do que física, embora eles tenham conferido o preparo físico. Umas duas vezes me perguntaram se eu tinha condicionamento, se eu conseguia correr. Eu até comentei que eu tinha corrido a Ayrton Senna Racing Day na modalidade de 10 km, que eu já tinha familiaridade de correr Interlagos.”, comentou Mari.
“Uma semana antes da WEC, eles pedem para a gente ir para Interlagos fazer um treinamento. Esse é um treinamento que eles fazem para a gente se familiarizar com os procedimentos e trabalho em equipe. Então, para entender essas dinâmicas de ação, eles passam esse treinamento um final de semana antes. Eles reforçam muito, tanto na preparação online, quanto no curso ou no dia do evento, que a segurança dos Marshalls é prioridade. Então, a gente vai com esse preparo de estar ali para fazer o evento funcionar. Não tem que ser herói.”, acrescentou a fiscal de pista.
Arquibancada X pista: o sentimento de pertencer aos dois
Além de estar trabalhando na etapa brasileira do WEC, Mari Molinari é uma grande fã de automobilismo. Assim, ela já esteve nos dois lados da moeda: primeiro, nas arquibancadas do autódromo, depois estando na ação, fazendo parte da equipe do evento.
Um dos principais pontos para Mari, foi precisar elaborar com poucos recursos a telemetria da corrida, uma vez que os fiscais não podem usar o celular ao longo da prova. “Eu tinha que fazer basicamente a telemetria da minha cabeça se eu quisesse saber como estava rolando a prova. A sorte é que tanto os Hypercars como os GT3 tinham três luzinhas na lateral que indicavam quando o carro estava em primeiro, segundo e terceiro lugar.”
Para conseguir entender o desenrolar da prova, a marshall usou um esquema, digamos, único: “o que eu fiz na pista para saber como estava corrida era: eu contava os segundos na minha cabeça e contava as posições no dedo da mão dentro da luva, porque a gente também não pode tirar a luva durante a ação da pista. Então não pode pegar o celular. Não tem como a gente saber o que está acontecendo se não pelas informações que eles passam no rádio de vez em quando sobre a corrida.” – ressaltou Mari Molinari.
Sobre a diferença de estar na arquibancada, ela ressaltou: “entre arquibancada e pista, tem muita diferença e são experiências completamente diferentes.”
“Eu sinto que na arquibancada você está vivendo uma grande festa. Você toma um negocinho, brinca com seus colegas, troca uma ideia, vai dar uma volta e conhece toda a estrutura do evento. Você tem mais atividades para realizar ali, tem esse entretenimento, então você vai para vivenciar essa festa.” Em seguida, Mari Molinari completou:
“Na pista, tem uma sensação de: ok, estamos numa grande festa, mas para ela funcionar precisamos fazer a nossa parte. Então, a gente estava muito feliz com a parte de estar ali, no primeiro evento da volta da WEC para São Paulo, mas, ao mesmo tempo, é uma pressão muito grande de: a gente está aqui para uma missão, entende? A gente está aqui com uma responsabilidade, não podemos se dar ao luxo de ‘cair na folia’.”
A primeira vez no WEC, a gente não esquece
Assim como para grande parte do público ali presente, essa também foi a primeira experiência de Mari Molinari com o WEC. Dessa forma, esse foi um fim de semana de primeiras vivências para a fiscal.
“A primeira vez vendo a WEC, e estar como fiscal de pista foi um grande surto da minha cabeça, porque a WEC é uma categoria que eu já acompanhava, não com tanto afinco, mas já tem pouco mais de um ano que eu acompanho, a Le Mans é uma corrida que eu acompanho há três anos. E assim, o principal da minha rotina de automobilismo é a Fórmula 1, mas eu sempre gostei muito dessas corridas de Endurance, porque eu gosto muito da ideia de ‘vamos ver qual carro resiste por mais tempo’.”
“Então, eu já tinha essa admiração muito grande pela Le Mans, as provas de seis horas eu comecei a acompanhar esse ano com mais afinco. Assim, eu fui me apegando ao WEC, e eu tenho muito apego com a Ferrari 51. Foi a que ganhou a Le Mans em 2023. Ano passado, quando eu fui para Monza, ela estava em exposição. Eu tirei foto, chorei, e tenho um quadro dela na minha casa. Eu tenho uma relação muito forte com a Ferrari 51, mais do que com a Ferrari como um todo.”, completou a fiscal de pista.
Mesmo longe, presente na arquibancada do WEC
Mari Molinari está presente no automobilismo em diversas faces. Seja como fã, fiscal ou empreendedora.
Dona de uma marca para fãs de automobilismo, a Mórfula 1, a empreendedora visa contar a história das corridas através de suas coleções. Assim, no WEC, viu suas peças estarem presentes nas arquibancadas de Interlagos. Finalizando nossa conversa, ela também comentou sobre isso:
“Eu estava extremamente insegura sobre a Mórfula, porque na Fórmula 1 ano passado, foi o meu primeiro ano com a Mórfula em Interlagos. Eu faço todo o operacional da loja sozinha. Quando eu fui para o resgate da WEC eu pensei: ‘não vou ter a visão do público com as peças, é uma parte que eu vou ter que abrir mão para poder estar dentro do evento’.”
Mari Molinari também destaca como a ajuda dos seus seguidores, bem como de seus parceiros, fez toda a diferença para que a Mórfula 1 pudesse estar nas arquibancada, seja pela distribuição de produtos ou a de adesivos personalizados.
“Eu fiz uma comunicação offline para distribuição no dia, essa foi a forma que eu achei de comunicar a Mórfula, mesmo não estando presente nas arquibancadas.” – completou a fiscal e empreendedora.
“Eu fiquei tão feliz quando nos intervalos que eu podia mexer no celular e via todo mundo com a camiseta da Mórfula. Eu senti tanto carinho, não só dos clientes, mas dos seguidores, dos parceiros, das pessoas que acompanham e estavam por lá. Eu percebi que mesmo eu não estando presencialmente nas arquibancadas eu senti que a marca falou um pouco por si só.”, completou.
O Vai Que Tô Te Vendo é um dos parceiro da Mórfula 1. Juntos, criaram a coleção “hypercar, hyper fans“, que você pode conferir clicando aqui.
