IndyCar
Scott McLaughlin vence e chega para a festa do título
Uma premissa da etapa de Milwaukee foi que a cada volta completada o cenário do campeonato mudava. Isso não foi diferente na segunda corrida do fim de semana. Desde a volta de apresentação, o clima no circuito mais antigo do mundo apenas poderia ser definido por uma palavra: caótico.
Quando a ordem de ligar os motores foi dada, o carro #10 de Alex Palou não deu a partida. Com problemas elétricos, o carro precisou ser retirado da pista e levado de volta aos boxes. Com isso, o piloto já estava algumas voltas atrás do pelotão. Isso porque, as voltas começarem a ser computadas, mesmo que a bandeira verde não houvesse sido agitada.
O espanhol colocou o carro de volta na pista, porém assim que retornou, o carro parou e precisou ser rebocado para a garagem da equipe para novos reparos. Assim, a corrida seguiu em bandeira amarela. Quando a corrida se encaminhava para o início oficial, a largada foi abortada, o que resultou no primeiro acidente da prova.
Linus Lundqvist vinha logo atrás de Marcus Armstrong, com a sinalização de que a largada seria adiada, o novato acabou atingindo a traseira do carro do companheiro de equipe. Dessa forma, o neozelandês não conseguiu frear a tempo e acabou atingindo Josef Newgarden, que bateu.
Esse movimento resultou no fim de prova para o piloto da Penske, que largaria da pole. Esse foi o mesmo desfecho para a corrida de Armstrong.

Scott McLaughlin comemora triunfo na segunda corrida do fim de semana em Milwaukee. Foto/;Reprodução: IndyCar
Enfim, bandeira verde
Após todos os percalços na largada, a prova teve início quando o marcador registrava 17 voltas. Apesar do problema de Newgarden sob bandeira amarela, a Penske seguiu com dois carros nas duas primeiras posições do grid. Dessa maneira, Scott McLaughlin assumiu a ponta, enquanto Will Power passou para o segundo lugar.
Enquanto isso, a Ganassi seguia os trabalhos para tentar colocar Alex Palou na pista, na tentativa de reduzir danos. A intenção da equipe era evitar sair sem pontos na penúltima etapa, na esperança de que Will Power não assumisse a liderança do campeonato. Assim, o espanhol voltou para a pista, mesmo estando 28 voltas atrás.
Em termos de abandonos, essa foi uma corrida intensa, onde diversos pilotos sofreram com problemas mecânicos. Pensando na parte mais alta da tabela, Pato O’Ward, vencedor da primeira corrida do final de semana, foi o maior prejudicado. Primeiro, ele entrou nos boxes na volta 25, onde os mecânicos da Arrow McLaren detectaram possíveis problemas no motor. Alguns giros mais tarde, na volta 86, o mexicano abandonou a corrida.
O mesmo ocorreu com seu companheiro de equipe, Nolan Siegel. Na pista, um duelo caseiro entre os pilotos da Penske começou a se desenhar. De um lado, o vice-líder do campeonato, Will Power, buscando a vitória para se sobressair em cima de Palou. Do outro, Scott McLaughlin, que precisava vencer para poder sonhar com o título.
O comandante do #3 liderou até a volta 43, mas no giro seguinte, não conseguiu se defender do ataque de Power, que assumiu a ponta.
Os trabalhos nos boxes começaram na volta 53, com Alexander Rossi vindo para a sua primeira volta. Três giros depois, Power e McLaughlin foram para suas paradas. Porém, o australiano entrou momentos antes, o que foi crucial para sair à frente no retorno para a pista. Enquanto McLaughlin voltou atrás de Rossi.
A amarela voltou a aparecer na volta 63, quando Malukas começou a ficar lento na pista. A prova recomeçou no giro 72, nesse momento, Rossi assumiu a liderança, ultrapassando Power. No 98º giro, McLaughlin e Power voltaram para os boxes ao mesmo tempo, porém dessa vez estavam mais próximos, mas não o suficiente para o neozelandês conseguir ultrapassar o companheiro de equipe.
Ao escapar do traçado e parar na grama na volta 114, Sting Ray Robb chamou uma nova amarela. Quando os boxes foram liberados, novamente as duas Penske foram para a parada juntos e assim, na saída, McLaughlin ultrapassou Power. Porém, em uma estratégia diferente, Rossi seguiu na pista liderando o pelotão.
Inversão de lideranças e Scott McLaughlin triunfa
Com a amarela causada por Ray Robb, Rossi e Dixon foram os únicos que não fizeram uma parada. Quando a prova foi reiniciada, Graham Rahal atingiu o muro, causando uma nova intervenção na prova. Nesse momento, Will Power perdeu duas posições, caindo de quarto para sexto. A pista voltou a ser liberada no giro 132.
Nesse momento, Power perdeu a traseira do carro, rodou na pista e ficou muito próximo de atingir o muro, mas conseguiu segurar e seguiu na prova. Com o desgaste dos pneus, o piloto adentrou para trocar os compostos, mas a Penske decidiu modificar apenas os pneus e na volta seguinte, realizar uma parada para a troca da asa dianteira.
A intenção era evitar que o australiano saísse da volta do líder, mas a estratégia não funcionou como o esperado. Caindo para fora do top-10, o piloto ficou uma volta atrás e precisou fazer uma corrida de recuperação dali em diante, saindo da briga pela vitória.
Dixon e Rossi entraram nos boxes quando o marcador passou da volta 160. Assim, McLaughlin retomou a liderança da prova de forma momentânea. Isso porque, duas voltas depois, foi a vez dele de ir para os boxes. Porém, mesmo parando mais tarde, ele conseguiu retornar na frente de ambos.
Após uma nova parada, a briga de McLaughlin passou a ser contra Colton Herta. Os dois mantiveram uma bela briga pela liderança, mas no giro 218, o piloto Penske retomou a dianteira. Quando a corrida parecia definida, Ray Robb voltou a trazer a amarela para a pista, dessa vez após atingir o muro.
Apenas os sete primeiros colocados estavam na volta do líder. Assim, esses foram os únicos a aproveitar a interrupção para realizar mais uma parada. Em uma tentativa de ganhar tempo na pista, Rossi trocou apenas os pneus, sem abastecer. Dessa forma, saiu na frente dos adversários.
A relargada foi dada restando 11 voltas para o fim. Scott McLaughlin seguiu líder. Logo atrás, Herta e Dixon ultrapassaram Alexander Rossi. Nesse momento, Herta e Dixon protagonizaram mais uma bela disputa, com Dixon levando a melhor.
Ainda deu tempo para uma última amarela, o que beneficiou Will Power, que nesse momento conseguiu entrar na volta do líder, terminando em décimo. A estratégia de Rossi não funcionou, o piloto perdeu terreno nos instantes finais e terminou apenas em sexto.
McLaughlin volta a vencer e agora tem chances matemáticas de título. Em seguida, Dixon, no fim de semana onde completou 400 corridas – agora, 401- na categoria fechou o pódio, Colton Herta ficou em terceiro. Novamente, Santino Ferrucci fez uma ótima apresentação, com um ritmo avassalador ao longo da corrida, o piloto ficou com o quarto posto. Ericsson fechou o top-5.
Como ficou o campeonato após a vitória de Scott McLaughlin?
Quando a corrida começou, uma combinação matemática bastava para que Alex Palou conquistasse seu tri-campeonato na penúltima rodada. Porém, com os problemas no início da prova, o piloto foi apenas o 19º, terminando a corrida 30 voltas atrás do líder. Assim, os danos poderiam ter sido maiores, mas os lucros também.
Novamente, Will Power tinha tudo em mãos para diminuir a diferença para o espanhol, mas um erro custou a tão sonhada liderança antes da última etapa. O que poderia ter sido uma ultrapassagem na tabela, tornou-se 21 pontos deduzidos, menos da metade da diferença inicial, que eram de 54 pontos. Agora, expandindo a disputa, Scott McLaughlin chega em Nashville com chances matemáticas de título.
O neozelandês tem a missão mais complicada entre os três, que para ser campeão, necessita que Palou não largue na última corrida. Mas após um ano repleto de mudanças, a IndyCar se mostra cada vez mais imprevisível. Após a etapa de Milwaukee, Alex Palou soma 525, 33 pontos a mais que Will Power (492) e 50 a mais que Scott McLaughlin (475). Vale ressaltar que, em um fim de semana de corridas na Indy, o número máximo de pontos que um piloto pode conquistar é 54. Por isso, a missão de McLaughlin é tão complicada.
Confira o resultado da corrida
1. Scott McLaughlin
2. Scott Dixon
3. Colton Herta
4. Santino Ferrucci
5. Marcus Ericsson
6. Alexander Rossi
7. Rinus VeeKay
8. Kyle Kirkwood
9. Romain Grosjean
10. Will Power
11. Felix Rosenqvist
12. Christian Lundgaard
13. Kyffin Simpson
14. Jack Harvey
15. Katherine Legge
16. Christian Rasmussen
17. Conor Daly
18. Sting Ray Robb
19. Alex Palou
20. Linus Lundqvist
21. Pietro Fittipaldi
22. David Malukas
23. Graham Rahal
24. Pato O’Ward
25. Nolan Siegel
26. Marcus Armstrong
27. Josef Newgarden
A Indy retorna em 15 de setembro, para sua última dança em 2024, no oval de Nashville.
