WEC
Philippe Sinault busca garantir futuro da Signatech antes de Le Mans
Diretor da equipe francesa trabalha para manter estrutura no FIA WEC após possível saída da Alpine da classe Hypercar ao fim da temporada
O futuro da Signatech segue indefinido no FIA World Endurance Championship. O chefe da equipe, Philippe Sinault, revelou que trabalha para garantir a continuidade do projeto antes das 24 Hours of Le Mans do próximo mês.
A estrutura francesa vive um momento de incerteza após as notícias de que a Alpine pretende encerrar seu programa Hypercar ao fim da temporada 2026. A Signatech mantém parceria com a marca desde 2013 e, posteriormente, teve parte de suas operações adquiridas pela fabricante ligada ao grupo Renault.
Além disso, Sinault explicou que a prioridade atual é proteger os empregos da equipe e manter pilotos e funcionários dentro do projeto para os próximos anos. Portanto, encontrar um novo parceiro ou fabricante tornou-se essencial para a sobrevivência da operação.
Rumores envolvendo a BYD são negados
Nos últimos dias, rumores apontaram um possível interesse da BYD nos ativos esportivos da Signatech e da Alpine. Contudo, Sinault negou qualquer conversa direta com a montadora chinesa.
Segundo o dirigente, muitas especulações surgiram nas últimas semanas. Porém, ele garantiu que nenhuma negociação concreta aconteceu até o momento.
“No momento, há muitos rumores e eles ainda são rumores, para ser honesto”, afirmou Sinault ao Sportscar365 durante as 6 Horas de Spa-Francorchamps.
O francês ainda reforçou que seu foco permanece no desempenho dentro das pistas. Para ele, o principal ativo da equipe continua sendo a competitividade apresentada no WEC.
“Meu trabalho principal é provar a todos que temos um bom nível de desempenho e somos capazes de fazer um bom trabalho”, explicou.
Estrutura completa estaria disponível para negociação
Apesar da ausência de negociações avançadas, a Signatech já trabalha nos bastidores para encontrar alternativas para 2027. A operação francesa pode oferecer um projeto praticamente pronto para qualquer fabricante interessado em entrar no endurance mundial.
Segundo informações do Sportscar365, o pacote incluiria os carros LMDh desenvolvidos com chassi da ORECA, além da tradicional instalação de motores da Alpine e Renault em Viry-Châtillon, na França.
Além disso, Sinault admitiu que existe interesse do campeonato em atrair fabricantes chineses para a categoria Hypercar. Dessa forma, novas conversas podem surgir nos próximos meses.
“Com certeza, a série quer as marcas chinesas. Temos muita gente com gentileza em torno do nosso projeto. Todos querem que sobrevivamos”, comentou.
O dirigente também revelou que algumas aproximações iniciais já começaram. Contudo, ele deixou claro que ainda não há nenhuma proposta concreta sobre a mesa.
Le Mans aparece como prazo decisivo
A expectativa da Signatech é chegar às 24 Horas de Le Mans com um cenário mais claro sobre o futuro. Segundo Sinault, a equipe precisa de respostas rápidas para evitar a saída de profissionais importantes ao fim da temporada.
Por outro lado, qualquer possibilidade de interromper as atividades por um ano praticamente inviabilizaria a manutenção da atual estrutura.
“Depois de Le Mans, será mais estressante para mim considerar o futuro se não tiver nada forte”, declarou o francês.
Além disso, Sinault destacou que o foco das conversas atuais já mira diretamente a temporada 2027. Entretanto, ele reconheceu que as tratativas ainda estão em estágio inicial.
“Até agora não houve discussões fortes, apenas discussões agradáveis. Agora é ir a fundo no projeto”, acrescentou.
Nico Lapierre acredita na continuidade do projeto
O diretor esportivo da Alpine Endurance Team, Nico Lapierre, também comentou o momento vivido pela equipe. Mesmo sem participação direta nas negociações, o francês demonstrou esperança na continuidade do projeto.
Lapierre acredita que o pacote desenvolvido pela Alpine possui potencial suficiente para seguir competitivo no WEC com outra fabricante. Desde sua estreia em 2024, o carro mostrou evolução constante dentro da categoria.
“Este carro é um bom pacote. A equipe provou ficar mais madura a cada ano e capaz de estar lá no grupo de cima desta classe”, afirmou.
Além disso, o ex-piloto destacou que seria frustrante ver o projeto encerrado após todo o desenvolvimento realizado nas últimas temporadas.
Alpine mantém foco total em Le Mans
Mesmo diante das incertezas, Lapierre garantiu que o ambiente dentro da equipe segue positivo. Segundo ele, todos os profissionais permanecem totalmente concentrados na preparação para Le Mans.
A Alpine busca encerrar um longo jejum francês na clássica prova de endurance. A última vitória geral de uma fabricante francesa aconteceu há 17 anos.
“No momento, estou muito satisfeito e orgulhoso da equipe, porque estamos totalmente focados no que estamos fazendo agora”, afirmou Lapierre.
O dirigente também elogiou o comprometimento do grupo durante o desenvolvimento realizado ao longo do inverno europeu. Para ele, o objetivo imediato continua sendo extrair o máximo desempenho possível do carro francês.
“Eu não tenho absolutamente nenhuma dúvida de que até Le Mans toda a equipe vai empurrar como o inferno, a fim de fazer o melhor que pudermos com o pacote que temos”, completou.
Contudo, Lapierre reconheceu que o cenário pode mudar após a corrida francesa. Sem definições concretas sobre 2027, o clima de incerteza tende a crescer dentro da estrutura ao longo da segunda metade da temporada.
