WEC
“Dentro do carro, só penso em pilotar”: como Kamui Kobayashi equilibra as funções de piloto e chefe da Toyota no WEC
Kamui Kobayashi ocupa uma das posições mais incomuns do automobilismo atual. Além de disputar o Campeonato Mundial de Endurance como piloto do Toyota #7, o japonês também é o responsável por comandar a equipe da fabricante no FIA WEC.
A função dupla poderia representar um conflito constante entre as decisões tomadas nos bastidores e as exigências de competir dentro do cockpit. Para Kobayashi, porém, a separação entre as responsabilidades é clara.
“Quando estou dentro do carro, só penso em pilotar”, afirmou o japonês em entrevista exclusiva ao Vai Que Eu Tô Te Vendo, durante as 6 Horas de São Paulo.
Segundo Kobayashi, a possibilidade de concentrar-se na pilotagem está diretamente ligada à experiência e à autonomia dos profissionais que compõem a estrutura da Toyota. Apesar do título de chefe de equipe, o japonês destaca que as decisões e responsabilidades são distribuídas entre diferentes integrantes do time.
“Acho que tenho sorte porque todos na equipe são muito profissionais. Obviamente, não sou eu quem faz tudo como chefe de equipe. A maioria das pessoas tem muita experiência e sabe exatamente o que precisa fazer”, explicou.
“Existem muitas pessoas responsáveis por áreas diferentes. Por isso, não é como se eu precisasse decidir todos os detalhes como chefe de equipe.”
A divisão permite que Kobayashi se concentre principalmente em duas frentes: o trabalho como piloto e as decisões de longo prazo da Toyota dentro do Campeonato Mundial de Endurance.
“Consigo focar mais na pilotagem e também nas estratégias de longo prazo da equipe. Temos tempo para decidir esse tipo de coisa. Não preciso estar envolvido em cada pequeno detalhe”, completou.
A pressão de decidir e executar
A responsabilidade de Kobayashi ganhou ainda mais peso nas 24 Horas de Le Mans. Além de participar das decisões da equipe, o japonês foi novamente o piloto responsável por levar o Toyota #7 até a bandeira quadriculada.
Mesmo com toda a experiência acumulada, ele afirmou que a pressão de conduzir o carro nas voltas finais permanece intensa.
“Le Mans sempre é muito difícil. Existe uma pressão enorme. Nas duas vezes em que vencemos, eu fui o piloto que recebeu a bandeirada, então sempre houve muita pressão”, afirmou.
Na edição mais recente, a Toyota não teve margem suficiente para apenas administrar o carro durante o último stint. Kobayashi precisou continuar atacando, ao mesmo tempo em que controlava os riscos e preservava o equipamento.
“Não tínhamos margem para diminuir o ritmo no último stint. Precisávamos continuar pressionando até o fim. Você administra o carro, administra o risco e a forma como pilota, foi bastante desafiador.”
A resposta sintetiza a complexidade da função ocupada por Kobayashi. Fora do cockpit, ele participa das decisões que definem o futuro da equipe. Dentro dele, continua sendo um piloto que precisa executar, atacar e lidar com a pressão de uma das corridas mais importantes do mundo.
A diferença é que, quando a porta do carro se fecha, o chefe de equipe fica do lado de fora.
“Eu só me concentro em pilotar.”, garantiu o piloto.
