Fórmula E
Dan Ticktum dita o ritmo em Jarama após TL1 marcado por incidentes e pista traiçoeira
Treino livre inaugural da Fórmula E em Madri tem asfalto em constante evolução, susto para Nyck de Vries e volta decisiva de Ticktum nos instantes finais da sessão.
A aguardada estreia da Fórmula E nas curvas históricas do Circuito de Jarama, em Madri, começou de forma eletrizante nesta sexta-feira. O primeiro treino livre (TL1) para a etapa espanhola entregou exatamente o que se espera de um traçado técnico e clássico: alternância constante na liderança, desafios mecânicos e pilotos testando os limites da aderência. No fim dos 40 minutos de atividade, o britânico Dan Ticktum saltou para a ponta, consolidando-se como o homem a ser batido neste início de final de semana.
O dia amanheceu sob uma leve garoa na região de San Sebastián de los Reyes, o que adicionou uma camada extra de incerteza às estratégias das equipes. Embora o asfalto tenha secado para o início da bandeira verde, as condições de aderência estavam longe do ideal, transformando os primeiros minutos em um verdadeiro exercício de “limpeza” da trajetória. O clima instável era tamanha preocupação que a equipe Cupra Kiro chegou a instruir o piloto local Pepe Martí a abortar qualquer tentativa e retornar aos boxes imediatamente caso a chuva voltasse a apertar.
Início brasileiro e a interrupção de De Vries
Nos estágios iniciais, o contingente brasileiro mostrou serviço. Felipe Drugovich e Lucas di Grassi chegaram a figurar no topo da tabela de tempos, aproveitando as primeiras passagens para entender o comportamento dos pneus em um asfalto ainda “verde”. Contudo, conforme a borracha era depositada no traçado de 3,9 km, os tempos começaram a despencar vertiginosamente.
Nico Müller e Edoardo Mortara foram os primeiros a estabelecer marcas na casa de 1min32s, mas o ritmo da sessão foi bruscamente interrompido por um incidente com Nyck de Vries. O piloto da Mahindra Racing sofreu uma falha na entrega de energia da bateria justamente na aproximação da curva 12. Sem o auxílio esperado do sistema, De Vries perdeu o ponto de frenagem e atingiu a barreira de proteção. A bandeira vermelha foi inevitável, paralisando o treino por cerca de seis minutos. Demonstrando a resiliência característica da categoria, o holandês conseguiu levar o carro de volta aos boxes e retornar à pista mais tarde.
A batalha pelo milésimo e o salto de Vergne
Com a retomada do cronômetro restando 25 minutos, a evolução da pista tornou-se o fator primordial. Nomes como Pascal Wehrlein e o atual campeão Jake Dennis subiram o tom da disputa, mas foi António Félix da Costa quem primeiro rompeu a barreira de 1min32s. A calmaria, porém, durou pouco. Jean-Éric Vergne anotou uma volta categórica em 1min29s957, estabelecendo um novo patamar de performance que parecia inalcançável para a maioria do grid naquele momento.
Enquanto Vergne liderava, os holofotes se voltaram para Maximilian Günther. O piloto, que vive um momento de incerteza contratual após o anúncio de que a DS deixará a categoria ao fim da temporada, mostrou foco total ao subir para a terceira posição, mantendo-se constantemente entre os mais velozes.
O “grand finale” de Dan Ticktum
Os dez minutos finais foram frenéticos. O próprio Dan Ticktum chegou a dar um susto na equipe ao escapar na curva 1 e visitar a caixa de brita. Sem danos estruturais, o britânico retornou ao traçado com “sangue nos olhos”. Em sua tentativa derradeira, ele cravou 1min29s403, desbancando Vergne e assumindo a liderança definitiva.
Já com o cronômetro zerado, a grande surpresa veio de Nyck de Vries. O piloto da Mahindra, que havia batido no início da sessão, protagonizou uma recuperação cinematográfica ao registrar 1min29s611, garantindo o segundo melhor tempo do dia. Günther ainda melhorou sua marca para fechar o top 3 com 1min29s818.
O TL1 em Jarama deixou claro que a precisão será o diferencial em Madri. Com margens tão apertadas e uma pista que pune erros com severidade, a classificação deste sábado promete ser uma das mais disputadas da temporada 12.
