Fórmula E
Fim de uma era: DS Automobiles anuncia saída da Fórmula E ao término da 12ª temporada
Marca francesa encerra trajetória multicampeã para dar lugar à chegada da Opel na era Gen4; Penske assume protagonismo como detentora da licença em meio à expansão do grid.
O cenário do mundial de carros elétricos passará por uma reestruturação profunda nos próximos anos. A DS Automobiles confirmou oficialmente que deixará o ABB FIA Formula E World Championship ao final da temporada 2025-26. A decisão faz parte de uma estratégia de “evolução na série” arquitetada pela Stellantis, grupo controlador da marca, que agora prepara o terreno para a estreia da Opel no início da aguardada era Gen4 do campeonato.
A despedida da fabricante francesa marca a conclusão de um dos capítulos mais vitoriosos da história da categoria. Enquanto a DS redireciona seus investimentos de marketing e patrocínio para modalidades como o golfe e a série de regatas de catamarãs SailGP, a Fórmula E se despede de uma marca que se tornou sinônimo de domínio técnico no final da década passada.
Um legado de glórias e recordes
A jornada da DS na Fórmula E começou na temporada 2015-16, inicialmente em uma parceria técnica com a Virgin Racing. Entretanto, foi a união com a extinta equipe Techeetah que elevou a marca ao status de potência global. Sob essa bandeira, a DS conquistou títulos consecutivos de equipes e pilotos, consolidando nomes como Jean-Eric Vergne — o único bicampeão da categoria — e António Félix da Costa, que garantiu o caneco na temporada 2019-20, marcada pelos desafios da pandemia.
Os números da DS impressionam até os observadores mais críticos: em sua trajetória, a fabricante acumulou 18 vitórias, 55 pódios e 26 pole positions. No entanto, a transição para a era Gen3, iniciada em 2023 através de uma parceria com a Penske, não manteve o mesmo brilho. Desde a mudança, a equipe conquistou apenas três vitórias em 53 tentativas, com triunfos de Vergne em Hyderabad (2023) e dois primeiros lugares de Maximilian Günther na última temporada.
A chegada da Opel e o novo papel da Penske
É importante destacar que a entrada da Opel não configura uma troca direta de bastão com a DS. A peça-chave nesta engrenagem é a Penske Autosport, que é a detentora oficial da licença de competição. Com a Opel adquirindo sua própria licença para a era Gen4, o grid da Fórmula E deve sofrer uma expansão, passando das atuais 11 para 12 equipes.
Essa movimentação coloca a Penske em uma posição estratégica. Embora a Opel chegue com um time de fábrica focado na tecnologia GSE, a Penske continuará no grid, mas o formato de sua operação para 2026/27 ainda permanece sob sigilo. Existem fortes rumores nos bastidores de que a estrutura liderada por Jay Penske possa desenvolver seu próprio pacote técnico para a nova geração de carros, embora a possibilidade de se tornar uma equipe cliente da Mahindra também esteja sendo ventilada como uma alternativa viável e economicamente atraente.
Expansão do grid e o futuro do campeonato
A saída da DS e a chegada da Opel coincidem com um momento de renovação de interesse dos fabricantes. Além da marca alemã de Rüsselsheim, a confirmação de uma segunda equipe de fábrica da Porsche sinaliza que a Fórmula E caminha para o seu grid mais robusto tecnicamente.
Para a DS, o foco agora é terminar os próximos dois anos em alta, tentando recuperar a forma vencedora que a tornou uma lenda do automobilismo elétrico. Para os fãs, resta a expectativa de ver como a engenharia da Opel se comportará diante dos desafios da era Gen4, que promete carros de 816 cv e tração integral. O adeus da DS é, sem dúvida, o fim de uma era de elegância e performance francesa, mas abre as portas para uma nova e potente dinâmica alemã no mundial.
