24h de Le Mans
Toyota faz história e amplia legado com vitória nas 24 Horas de Le Mans
Marca japonesa conquista a sexta vitória geral em Le Mans, alcança novos recordes no WEC e reforça sua posição entre as fabricantes mais vitoriosas da história da prova.
A Toyota escreveu mais um importante capítulo de sua trajetória nas 24 Horas de Le Mans ao conquistar a sexta vitória geral na tradicional prova francesa. O triunfo também representou a 51ª vitória da fabricante japonesa no Campeonato Mundial de Endurance (WEC), além de colocá-la entre as cinco marcas com mais conquistas na história da corrida.
Com o resultado, a Toyota igualou a Bentley na quinta posição do ranking histórico de vitórias entre os fabricantes. Além disso, o Toyota GR010 Hybrid tornou-se o 15º protótipo híbrido a vencer a prova na classificação geral, consolidando a evolução dessa tecnologia dentro do endurance.
A vitória também teve peso especial para os pilotos do carro número 7. Kamui Kobayashi e Mike Conway comemoraram o segundo triunfo em Le Mans após a conquista de 2021. Enquanto isso, Nyck de Vries entrou para um seleto grupo de pilotos holandeses vencedores da clássica corrida francesa.
Nyck de Vries entra para a história
Com o resultado, De Vries tornou-se apenas o terceiro piloto da Holanda a vencer Le Mans na classificação geral. Antes dele, apenas Gijs van Lennep e Jan Lammers haviam alcançado esse feito.
Lammers, inclusive, era o último holandês vencedor da prova, em 1988. Após a corrida, De Vries destacou o trabalho coletivo da equipe durante toda a semana.
Segundo o piloto, a Toyota enfrentou diversos desafios ao longo do evento, incluindo momentos em que parecia estar fora da disputa pela vitória. Ainda assim, o trabalho do time permitiu a recuperação até o triunfo final.
“Foi uma longa jornada nesta semana e durante a corrida também. Tivemos vários contratempos e desafios para superar. Em alguns momentos pensei que estávamos fora da disputa. Mas nunca desistimos e tudo deu certo no final”, afirmou De Vries.
Vitória quebra recordes no WEC
Além da conquista em Le Mans, a Toyota voltou a atingir a marca de 50% de aproveitamento em vitórias no WEC graças ao seu 51º triunfo na categoria.
Outro dado chamou atenção. O Toyota número 7 largou apenas da 14ª posição do grid, tornando-se o vencedor com a pior posição de largada da história do Campeonato Mundial de Endurance.
O recorde anterior havia sido estabelecido justamente na edição de 2025, quando o Ferrari 499P número 83 da AF Corse venceu após partir da 13ª colocação.
Além disso, esta foi apenas a segunda vez que um vencedor geral de Le Mans largou da 14ª posição. A primeira ocorreu em 1969, quando Jacky Ickx e Jackie Oliver levaram um Ford GT40 Mk. I da J. W. Automotive Engineering ao triunfo.
Diferença mínima na chegada
Outro recorde importante foi registrado na bandeirada final.
Kamui Kobayashi cruzou a linha de chegada apenas 10,913 segundos à frente do BMW M Hybrid V8 número 20 da Team WRT, pilotado por Robin Frijns.
A margem tornou-se a menor já registrada na história das 24 Horas de Le Mans considerando o tempo total da prova. O resultado também passou a representar a chegada mais apertada desde a criação do Campeonato Mundial de Endurance.
Enquanto isso, Mike Conway alcançou outra marca expressiva. O britânico conquistou vitórias em dez temporadas diferentes do WEC e igualou o companheiro Sébastien Buemi nesse quesito.
Kobayashi também ampliou seus números na categoria. O japonês chegou à 19ª vitória no campeonato e empatou com Pedro Lamy como o terceiro piloto com mais triunfos na história da competição.
Estratégia e confiabilidade fizeram a diferença
Apesar da vitória, o Toyota número 7 liderou apenas 44 das 371 voltas disputadas durante as 24 Horas de Le Mans.
O Cadillac V-Series.R número 12 da Hertz Team JOTA foi o carro que permaneceu mais tempo na liderança, com 128 voltas na ponta. O BMW número 20 liderou 79 voltas, enquanto o Toyota número 8 comandou outras 74.
Segundo o diretor técnico da Toyota Gazoo Racing, David Floury, alguns fatores externos contribuíram para o resultado final.
Durante a prova, o Toyota número 8 perdeu cerca de um minuto nos boxes após um problema no sistema de refrigeração dos freios dianteiros. Posteriormente, um período de safety car permitiu que a equipe recuperasse parte do tempo perdido e realizasse um reparo mais completo.
Floury explicou que dois parafusos do tambor de refrigeração haviam se soltado, provocando desgaste na roda. Após identificar o problema durante uma parada, a equipe realizou dois reparos, sendo que o segundo aconteceu justamente sob regime de safety car.
Segundo o dirigente, esse momento acabou favorecendo a recuperação do carro durante a corrida.
Toyota descarta qualquer estratégia para esconder desempenho
Antes da prova, Floury havia afirmado que esperava encontrar dificuldades diante dos protótipos LMDh.
Depois da vitória, entretanto, o dirigente negou qualquer possibilidade de a Toyota ter escondido seu verdadeiro ritmo durante os treinos.
Segundo ele, os tempos registrados durante a corrida foram compatíveis com o desempenho apresentado pela equipe ao longo da semana.
Além disso, Floury destacou que o principal foco da Toyota foi preparar a estratégia para as 24 horas, buscando colocar ambos os carros novamente na disputa após uma classificação abaixo do esperado. A equipe conseguiu executar esse plano e voltou ao topo da principal corrida do endurance mundial.
