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Max Verstappen bateu o recorde em Nürburgring Nordschleife? Entenda o caso

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A volta do piloto da F1 levantou especulações sobre um possível recorde, mas Nürburgring exige o cumprimento de regras específicas para que uma volta seja oficialmente reconhecida

Na sexta-feira, 10 de maio, Max Verstappen esteve no icônico circuito de Nürburgring Nordschleife a bordo da Ferrari 296 GT3 da Emil Frey Racing para uma sessão de testes. Usando o pseudônimo “Franz Hermann”, a identidade do piloto foi confirmada após o próprio comentário de Verstappen sobre o episódio. Ele esteve acompanhado de Chris Lulham, protegido do Verstappen.com e piloto da equipe suíça no GT World Challenge Europe, na divisão Gold Cup.

A partir daí, surgiram rumores circulares de que Verstappen teria batido o recorde de volta para carros GT3 no Nordschleife. De fato, o tetracampeão da Fórmula 1 participou das sessões de testes que antecederam a terceira etapa da Nürburgring Langstrecken-Serie (NLS). No entanto, apesar de ter a sua presença na pista com a Emil Frey Racing, o piloto não foi inscrito para a corrida. Isso porque, para competir oficialmente na NLS, seria necessário obter uma autorização especial, que não foi solicitada nem concedida.

O tempo que teria sido registrado por Verstappen — na casa de 7 minutos e 48 segundos — foi fornecido rapidamente por redes sociais e sites. Há inclusive declarações do próprio piloto afirmando ter batido o recorde da categoria GT3, que pertence ao norueguês Christian Krognes, com o tempo de 7:49.578. Esse tempo foi registrado oficialmente em 2022, durante a última etapa daquela temporada, com o BMW M4 GT3 #34 da Walkenhorst Motorsport. Vale ressaltar que não é o “recorde absoluto” para carros GT3, mas está dentro do contexto da NLS. 

Apesar da empolgação dos fãs e de alguns perfis nas redes sociais, é importante entender que Nürburgring adota critérios bastante rigorosos para considerar uma volta como oficial. Muitas pessoas afirmaram que Verstappen de fato bateu o recorde da pista no GT3, mas a realidade é que a suposta volta não atende aos requisitos exigidos para validação. A seguir, explico o porquê de ela não pode ser considerada oficial.

O que exige o circuito de Nürburgring para validar uma volta como recorde:

• Sessão exclusiva de pista: A tentativa deve ocorrer em pista fechada exclusivamente para o carro em questão — o que garante ausência de tráfego e condições ideais. Embora não seja uma exigência formal escrita, essa prática é aplicada em todos os registros recentes. Exemplo disso são as voltas dos registros do Mercedes-AMG ONE e do Lamborghini Aventador SVJ, realizadas durante sessões privadas.

• Cronometragem oficial: O tempo precisa ser registrado por equipamentos de cronometragem homologados, com a supervisão de um notário independente, que atesta oficialmente o resultado da volta.

• Inspeção técnica: O carro deve passar por uma vistoria técnica feita por órgãos como a TÜV alemã, que certifica se o veículo está em conformidade com as especificações de produção. No registro recente do Mercedes-AMG ONE, a TÜV Rheinland validou que o carro era, de fato, um modelo de produção em série.

• Vídeo onboard completo: Embora não seja uma exigência formal do regulamento, é prática comum divulgar um vídeo completo da volta a bordo (onboard), garantindo a transparência da tentativa.

• Categoria reconhecida: O tempo precisa estar vinculado a uma das categorias oficiais pelo circuito, com base nas divisões previstas pelo Kraftfahrt-Bundesamt (KBA), o órgão federal alemão de trânsito. Há especificações específicas para segmentos como carros esportivos de produção, supercarros, elétricos (EV), SUVs, entre outros.

Faltam provas da volta de Verstappen

Até o momento, não há nenhum documento oficial que comprove a suposta volta rápida de Max Verstappen — ela nem aparece nos registros da NLS naquele dia. Não existe vídeo onboard, dados públicos de cronometragem ou qualquer validação técnica. As únicas informações disponíveis vêm de relatos da Emil Frey Racing e do instrutor Misha Charoudin, que esteve presente na pista. Sem os critérios exigidos, a volta não pode ser reconhecida como oficial — e tampouco como recorde do GT3 em Nürburgring.

É importante destacar que esta matéria não tem a intenção de diminuir o feito de Max Verstappen. Pelo contrário, é admirável que o tetracampeão da Fórmula 1 tenha realizado um teste privado em uma das pistas mais desafiadoras e icônicas do automobilismo mundial, no qual eu adoro. O objetivo aqui é apenas esclarecer, com base nas regras e práticas adotadas por Nürburgring, como funciona o processo para que uma volta rápida seja oficialmente reconhecida como recorde. 

Caso alguma informação relevante tenha sido omitida ou interpretada de forma incorreta, estou totalmente aberto a correções e ao diálogo. E quem sabe um dia podemos ver Max Verstappen disputando, de fato, as 24 Horas de Nürburgring. Sem dúvida, seria um momento histórico tanto para os fãs quanto para nós que acompanhamos esse esporte tão incrível.

Fontes: nuerburgring.de; lamborghini.com

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