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GT World Rewind: Como o GT internacional sacudiu Brands Hatch em 1996

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Foto: SRO/JEP
Foto: SRO/JEP

As corridas internacionais de GT fazem parte do calendário de Brands Hatch desde 2014, quando a GT World Challenge Sprint Cup apareceu pela primeira vez no circuito. Foi o início de uma tradição que continua até hoje — mas não foi o primeiro contato do autódromo com o GT moderno

As corridas internacionais de GT fazem parte do calendário de Brands Hatch desde 2014, quando a GT World Challenge Sprint Cup apareceu pela primeira vez no circuito. Foi o início de uma tradição que continua até hoje — mas não foi o primeiro contato do autódromo com o GT moderno.

Para isso, é preciso voltar à segunda metade de 1996. Imagine o cenário: a Inglaterra havia acabado de sediar a Eurocopa, sendo eliminada pela Alemanha nos pênaltis; as Spice Girls dominavam as paradas com Wannabe; e Damon Hill estava prestes a conquistar seu primeiro título mundial de Fórmula 1. Tempos marcantes.

Enquanto tudo isso acontecia, a BPR Global GT Series transformava o automobilismo GT. Lançado em 1994, o campeonato rapidamente se consolidou no cenário internacional, criando a base para praticamente tudo que o SRO Motorsports Group desenvolveu desde então. Os pilotos misturavam profissionais e amadores, enquanto os carros eram, em grande parte, muito próximos de suas versões de rua.

A primeira visita a Brands Hatch foi a oitava etapa de um calendário de 11 corridas e ocorreu apenas duas semanas após a longa viagem até Suzuka. A prova de 1000 km no Japão durou pouco mais de seis horas; já os demais eventos, incluindo Brands, tinham duração de quatro horas, com a maioria dos carros sendo pilotados por duplas (às vezes trios).

A BPR levava seu nome “global” a sério. Além de corridas no Japão e na China, a lista de inscritos em Brands em 1996 era verdadeiramente internacional, com nomes como John Nielsen, Bob Wollek e Jean-Pierre Jarier enfrentando britânicos como Andy Wallace e James Weaver. As equipes seguiam a mesma linha, com David Price competindo contra estruturas continentais como Konrad e Oreca.

Mas, em termos de destaque absoluto, os fãs em Brands Hatch naquele fim de semana não puderam ignorar o que a Porsche trouxe. A marca de Stuttgart apareceu com o novo 911 GT1, inscrito oficialmente e pilotado por dois grandes nomes: Hans-Joachim Stuck e Thierry Boutsen.

A presença do carro gerou controvérsia. Com um chassi tubular desenvolvido especificamente para a BPR, muitos consideravam o 911 um verdadeiro protótipo de corrida — visão reforçada pela ausência de uma versão de rua. O conceito de Balance of Performance ainda levaria uma década para surgir, e parecia inevitável que o carro fosse imbatível. Nem mesmo o McLaren F1 GTR, dominante até então com seis vitórias em sete corridas, parecia capaz de enfrentá-lo.

Por isso, o carro foi autorizado a competir como convidado, sem pontuar para o campeonato. Isso permitiu à Porsche correr sem restrições, e Boutsen aproveitou na classificação: sua volta de 1:21.166 foi quase um segundo mais rápida que a de Weaver, líder do campeonato com o melhor McLaren.

Na corrida, o dominante Porsche não largou tão bem e apareceu em segundo rumo à curva Druids, o que garantiu ao público pelo menos uma breve disputa pela liderança.

Mas não durou muito. Já na segunda volta, o Porsche emparelhou com o McLaren na reta Cooper e completou a ultrapassagem em Surtees. É justo dizer que Stuck e Boutsen não tiveram muito trabalho nas horas seguintes. Mais uma vez, a Alemanha venceu a Inglaterra — e desta vez sem precisar de pênaltis.

Um dos britânicos presentes naquele fim de semana era Tiff Needell, que dividia o icônico Lister Storm com pintura do Newcastle United com Geoff Lees. Além de correr, ele também era apresentador do Top Gear da BBC e fez uma reportagem sobre o evento, disponível no YouTube. Ao relembrar, guarda boas memórias da prova e da categoria.

“BPR era maravilhoso”, disse Needell. “Tínhamos Ferrari F40, vários Bugatti, McLaren, Porsche Turbo, Venturi. Muitos pilotos, profissionais e amadores, e era uma categoria divertida. Não era super profissional. Eu adorava pilotar o Lister Storm e Brands era uma pista fantástica para esses carros.”

O Lister quebrou — algo relativamente comum na época —, mas não antes de Needell protagonizar uma disputa com um dos McLaren. Ainda assim, sua principal lembrança é o domínio da Porsche.

“Era simplesmente um carro absurdamente rápido. Chegou e passou por cima de todo mundo!”

Uma coisa é certa: a história não deve se repetir neste fim de semana. O GT moderno é extremamente equilibrado, com diferenças de milésimos na classificação e corridas decididas por poucos segundos. Cada uma das oito marcas presentes em 2026 tem ao menos um carro na classe Pro capaz de vencer.

Entre os favoritos está um Porsche 911 GT3 da equipe Boutsen VDS. Em uma curiosa coincidência histórica, a equipe se uniu à Porsche neste ano, três décadas após seu fundador, Thierry Boutsen, vencer com o 911 GT1.

Hoje, o GT de alto nível está firmemente estabelecido em Brands Hatch. O circuito é presença constante no calendário do GT World Challenge, enquanto o British GT também levará uma mistura de estrelas internacionais e locais ao traçado mais tarde no ano (26 e 27 de setembro). O GT encontrou seu lar em Brands — e que continue assim por muito tempo.

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