WEC
Após cirurgia no cotovelo, Ben Keating foca em top-10 nas 6 Horas de São Paulo
Piloto norte-americano disputa as 6 Horas de São Paulo ao lado do britânico Jonny Edgar e do argentino Nicolás Varrone pela TF Sport
Veterano das corridas de endurance, Ben Keating chega no Autódromo José Carlos Pace, em Interlagos, para disputar as 6 Horas de São Paulo pela TF Sport, equipe oficial da Corvette no FIA World Endurance Championship (WEC).
Aos 54 anos, o norte-americano vive mais uma temporada no automobilismo internacional. Em junho, foi convocado pela Corvette para disputar as 24 Horas de Le Mans e conquistou a vitória na classe LMGT3 ao lado de Jonny Edgar e Nick Catsburg com a Corvette Z06 GT3.R nº33.
Neste fim de semana, Keating volta a formar dupla com Edgar. Desta vez, o argentino Nicolás Varrone substitui Catsburg no line-up da equipe.
Recuperação após cirurgia no cotovelo
A etapa brasileira também representa mais um desafio na recuperação física do piloto.
Keating ficou fora das duas primeiras etapas do campeonato, disputadas em Ímola e Spa-Francorchamps, após passar por uma cirurgia no cotovelo.
Em entrevista ao Vai Que Tô Te Vendo, o norte-americano revelou que Interlagos é um dos circuitos mais exigentes quando se trata do preparo físico dos pilotos.
“Le Mans provavelmente é o circuito mais fácil do calendário para o meu cotovelo. Já Interlagos talvez seja o mais difícil, porque você passa praticamente a volta inteira fazendo curvas. A boa notícia é que esta é uma corrida de apenas seis horas. Provavelmente vou pilotar cerca de duas horas, e não seis, então espero que meu braço suporte bem.”
Lastro pode dificultar desempenho nas 6 Horas de São Paulo
O piloto acredita que o peso adicional imposto pelo regulamento pode dificultar a missão da TF Sport em São Paulo.
A vitória em Le Mans colocou a equipe na liderança do campeonato na classe LMGT3, o que resulta em um lastro maior para esta etapa.
“Como vencemos Le Mans e estamos liderando o campeonato, carregamos bastante peso extra por conta do lastro. Isso nos prejudica bastante em um circuito como este. Mas faz parte. Estamos felizes por liderar o campeonato, felizes por carregar esse peso, e vamos fazer o melhor possível.”
Mesmo diante deste desafio, Keating espera terminar a corrida entre os dez primeiros colocados da categoria.
“Nos GT3, o ABS faz praticamente todo o trabalho”
Durante a entrevista, Keating também comparou a atual geração dos carros GT3 com os modelos que pilotou ao longo da carreira.
Segundo ele, os protótipos LMP2 e os antigos GTE valorizavam mais a técnica de frenagem desenvolvida pelos pilotos.
“Sinceramente, eu prefiro muito mais os carros LMP2 ou os antigos GTE, porque passei muitos anos desenvolvendo a habilidade de frear cada vez mais tarde, sem travar as rodas nem comprometer o carro.”
“Nos GT3, o sistema ABS faz praticamente todo o trabalho da frenagem. Hoje todo mundo consegue frear muito forte na zona de frenagem, então aquela vantagem que levei anos para desenvolver praticamente desapareceu.”
Equilíbrio entre as fabricantes agrada o veterano
Apesar das diferenças técnicas, Keating elogia o atual momento da categoria GT3.
Para o piloto, o equilíbrio entre as montadoras tornou as disputas ainda mais competitivas.
“Apesar disso, gosto muito do que a categoria GT3 oferece. Hoje praticamente todas as fabricantes possuem um GT3, e todos são carros extremamente competitivos.”
“Além disso, agora utilizamos sensores de torque em todos os carros. Ainda existe um pouco de jogo político em torno do balanço de performance (BoP), mas muito menos do que antigamente, e eu realmente valorizo isso.”
Segundo o norte-americano, o regulamento atual aumenta as chances de todas as equipes brigarem por vitórias.
“Quero que todos os carros tenham um desempenho relativamente parecido. Não quero investir tanto tempo e dinheiro para chegar a uma corrida sabendo que não tenho nenhuma chance. Quero sentir que sempre posso disputar a vitória, e acho que hoje o regulamento permite isso muito mais.”
Keating acredita que o nível de competitividade da LMGT3 é superior ao da antiga LMGTE. “Diria até que vencer na GT3 é mais difícil do que era na GTE. Antes havia apenas quatro fabricantes; hoje temos cerca de doze. A concorrência é muito maior e o BoP é muito mais equilibrado. Eu gosto desse desafio.”
Vai Que Tô Te Vendo acompanha as 6 Horas de São Paulo
O Vai Que Tô Te Vendo marca presença pelo terceiro ano consecutivo nas 6 Horas de São Paulo do FIA World Endurance Championship.
Nossa equipe de reportagem está em ação e trará diversas entrevistas exclusivas com pilotos renomados e boletins detalhados ao longo de todo o final de semana.
