Fórmula 1
F1: Ford lança novo powertrains em parceria com a RedBull
A equipe de engenharia da Ford desenvolveu novas tecnologias para produzir os powertrains da RedBull na F1
Ford Racing apresentou nesta quinta-feira, 15 de janeiro, o powertrain em parceria com a Oracle Red Bull F1 Team. Chegando em um momento de novo regulamento, a montadora desenvolveu tecnologias ao seu favor para concluir o processo da unidade de potência para a próxima temporada. A parceria marca o retorno da Ford para a Fórmula 1 após mais de 20 anos fora da categoria.
Dentre as tecnologias usadas no desenvolvimento do powertrain, a Ford utilizou impressão 3D para reduzir o tempo de fabricação dos protótipos – normalmente demoram 16 dias, mas com o equipamento em questão o período cai para apenas 5 dias.
Além disso, a montadora está trabalhando com softwares para melhorar a obtenção de dados de simulação. Um deles, chamado de XROM, é mil vezes mais rápido e foi uma das principais ferramentas de calibragem e controles, possibilitando que os pilotos pudessem “sentir o comportamento do motor no simulador e darem feedbacks antes mesmo que o hardware [o powertrain] exista”, destaca Christian Hertrich, engenheiro chefe de powertrain na Ford Racing. Outros softwares desenvolvidos foram os de administração de células, que testam a saúde das baterias, e os sistemas de economia de bateria, que analisam onde poupar e onde intensificar o uso de energia do carro durante uma corrida.
Atualmente, a Ford está trabalhando em componentes únicos e extremamente complexos do motor de combustão, o sistema de ar de admissão pressurizado, e o sistema de recuperação de energia. De acordo com a empresa, esses sistemas estão sendo refinados em parceria com as equipes de Michigan e Milton Keynes.
“Como engenheiro chefe dos powertrains da Ford Racing, meu desafio é mesclar a cultura de mais de 125 anos de vitórias da Ford com a agilidade da Red Bull e 20 anos de vitórias. Liderado pela Red Bull, a Ford Racing está apoiando a construção de uma unidade de potência do zero para a temporada de 2026, e a pressão é intimidadora”, comenta Hertrich.
A estreia dos powertrains da fabricante norte-americana será no teste de pré-temporada em Barcelona, na Espanha, no fim deste mês. Depois disso, irá para as pistas em fevereiro para mais uma rodada de testes no Bahrein, na preparação final para a temporada 2026.
Trajetória vitoriosa
Pela primeira vez na história da Fórmula 1, uma equipe deixará de fabricar chassis para desenvolver seu próprio motor. Até 2025, a Red Bull utilizava motor Honda e desenvolvia seus chassis em torno de um projeto já existente da fornecedora. A partir de 2026, em conjunto com a Ford, a equipe austríaca irá produzir a sua própria unidade de potência.
Após 22 anos fora da elite do automobilismo mundial, a Ford volta à Fórmula 1 como uma das fornecedoras de motor da categoria. A montadora estadunidense já participou do campeonato em diversos formatos, desde a década de 1960. Na sua entrada definitiva em 1967, a Ford introduziu o motor Ford-Cosworth DFV. Na estreia com o DFV, Jim Clark venceu o GP da Holanda daquela temporada com sua Lotus, marcando o início de uma trajetória vencedora.
Passada essa época, a Ford soma mais de 170 vitórias em grandes prêmios de Fórmula 1, 10 campeonatos de construtores e 13 campeonatos de pilotos. Neste ano, a companhia retorna para o grid em uma parceria inédita com a Red Bull.
Antes do projeto na Fórmula 1, o foco da Ford Racing era voltado totalmente para os campeonatos de Endurance, como o o WEC e IMSA, com os carros GT3 e GT4. Além disso, a marca norte-americana também tem braço no Mundial de Rally, o WRC. No evento de ontem, a equipe anunciou seu lineup de pilotos para o retorno da Ford em 2027 à WEC, que conta com Sebastian Priaulx, Mike Rockenfeller e Logan Sargeant, ex-piloto da F1.
