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Entre estratégia, caos e redenção: Os bastidores das Seis Horas de Watkins Glen contados por quem viveu a corrida

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Watkins Glen
Foto: Porsche Motorsport

Vencedores das quatro categorias revelam como decisões estratégicas, bandeiras amarelas e disputas intensas transformaram uma das provas mais imprevisíveis da temporada da IMSA em um verdadeiro teste de resistência dentro e fora da pista

As Seis Horas de Watkins Glen entregaram tudo o que costuma tornar a etapa norte-americana uma das mais aguardadas do calendário do IMSA WeatherTech SportsCar Championship. Disputas roda a roda, diferentes estratégias de combustível, nove períodos de bandeira amarela, recuperações improváveis e decisões tomadas em segundos construíram uma corrida marcada pela imprevisibilidade do início ao fim.

No entanto, quando a bandeira quadriculada foi acionada, o resultado mostrou que velocidade sozinha não era suficiente. As equipes que conseguiram interpretar melhor o comportamento da prova, administrar o tráfego e aproveitar cada oportunidade terminaram celebrando na Victory Lane.

Entre elas estava a Cadillac Whelen, que voltou a dominar a principal categoria do campeonato com o Cadillac V-Series.R nº 31. Jack Aitken, Earl Bamber e Frederik Vesti lideraram grande parte das seis horas de disputa e confirmaram mais uma vitória em Watkins Glen, consolidando uma sequência que já coloca o trio entre os principais candidatos ao título.

Enquanto isso, Porsche, AO Racing, Vasser Sullivan e Manthey também deixaram o circuito com motivos para comemorar. Em comum, todas as equipes destacaram o mesmo fator após a corrida: sobreviver ao caos foi tão importante quanto ter o carro mais rápido.

Vitória construída muito antes da bandeirada

Embora o Cadillac nº 31 tenha liderado 143 das 182 voltas da corrida, os próprios pilotos afirmam que a vitória esteve longe de ser tranquila.

Jack Aitken explicou que o momento decisivo aconteceu durante uma das várias neutralizações que marcaram a prova. A estratégia adotada pela equipe nos boxes permitiu que o Cadillac recuperasse posições justamente quando parte dos adversários optava por permanecer na pista.

Segundo o britânico, a equipe sabia que possuía uma pequena vantagem de combustível em relação aos rivais e precisava apenas permanecer próxima dos concorrentes até que a oportunidade aparecesse.

“Sabíamos que tínhamos uma pequena vantagem de combustível. O objetivo era permanecer perto deles, continuar economizando e aproveitar qualquer oportunidade que surgisse”, explicou.

Quando chegou o momento das últimas paradas, a Cadillac executou um trabalho considerado praticamente perfeito pelos próprios pilotos.

Aitken destacou que a equipe conseguiu devolver o carro à pista já em posição de liderança. A partir dali, o foco passou a ser apenas administrar o ritmo, preservar os pneus e enfrentar o intenso tráfego entre os diferentes protótipos e carros GT.

“O carro estava fantástico durante toda a corrida. Depois da última parada, bastou controlar o desgaste e administrar o tráfego, que aqui em Watkins Glen pode ser muito divertido, mas também bastante assustador.”

Além da vitória na etapa, o resultado representou mais um capítulo da sequência positiva construída pela Cadillac ao longo da temporada.

Para Aitken, o momento vivido pela equipe ainda parece difícil de acreditar. “Às vezes parece surreal manter essa sequência, mas isso mostra o trabalho realizado por todas as pessoas envolvidas no projeto.”

Ar limpo fez toda a diferença

Se Aitken destacou o trabalho dos estrategistas, Earl Bamber chamou atenção para outro fator que fez diferença durante a corrida: permanecer em pista livre.

Segundo o neozelandês, acompanhar os adversários de perto era muito mais difícil do que aparentava.

Em diversos momentos, carros mais lentos acabaram interferindo diretamente na disputa pela liderança. Em uma das situações mais tensas da prova, um concorrente utilizou sua posição na pista para dificultar a aproximação do Cadillac em relação ao BMW nº 24.

Mesmo assim, Bamber acredita que o carro da Cadillac apresentava um ritmo suficiente para controlar a situação sempre que conseguia rodar sem tráfego.

“Tínhamos um carro muito forte. Quando estávamos em ar limpo, tudo ficava mais fácil. Essa foi uma vantagem enorme durante toda a corrida.”

Além disso, o piloto fez questão de dividir os méritos com toda a estrutura da fabricante.

Segundo ele, os resultados recentes não são consequência apenas do trabalho realizado durante os fins de semana de competição.

“Existe uma equipe enorme trabalhando na pista, mas também muitas pessoas na fábrica. Tivemos um ótimo desempenho em Le Mans e agora novamente aqui na IMSA. É muito bom ver todo esse esforço sendo recompensado.”

Revezamento ajudou Cadillac no momento decisivo

Frederik Vesti voltou ao cockpit da Cadillac justamente em uma das corridas que utilizam três pilotos por carro. O dinamarquês explicou que essa configuração muda completamente a preparação do fim de semana.

Como nem todas as equipes utilizam três competidores, o tempo disponível para cada piloto nos treinos livres acaba sendo reduzido. Por outro lado, durante uma prova de seis horas, o revezamento permite distribuir melhor os stints e preservar os companheiros para o momento decisivo.

Segundo Vesti, essa estratégia acabou funcionando exatamente como planejado.

“Conseguimos manter o Jack mais descansado para o final da corrida. Foi um dia muito exigente, mas tudo aconteceu da maneira que imaginávamos.”

O piloto também lembrou que o início da parceria entre Cadillac e Whelen foi marcado por dificuldades. Desde então, porém, o projeto evoluiu significativamente.

“No começo enfrentamos alguns momentos complicados, mas toda a equipe trabalhou muito. Não somos apenas nós três. Existe um grupo enorme dentro da Cadillac que está se dedicando diariamente para alcançar esses resultados.”

Mesmo vivendo uma sequência positiva, Vesti garantiu que ninguém dentro da equipe trata as vitórias como algo natural.

“Nós sabemos o quanto é difícil vencer neste campeonato. Por isso continuamos trabalhando da mesma maneira.”

Uma recuperação improvável colocou a Porsche novamente no pódio

Se a Cadillac comemorava uma corrida praticamente perfeita, a história da JDC-Miller MotorSports seguiu um caminho completamente diferente. Durante boa parte da prova, Laurin Heinrich acreditou que qualquer chance de terminar entre os primeiros havia desaparecido. Depois de uma boa largada, o Porsche 963 nº 5 enfrentou problemas que fizeram a equipe perder uma volta para os líderes.

Além disso, um pneu precisou ser substituído em caráter emergencial, aumentando ainda mais a desvantagem. Para muitos times, aquele seria o momento de limitar os danos pensando na classificação do campeonato. Dentro da garagem da JDC, porém, ninguém cogitou abandonar a luta. Heinrich revelou que o aspecto mais importante da recuperação foi justamente a postura da equipe.

“Tivemos problemas, perdemos uma volta e parecia que tudo tinha acabado. Mas ninguém desistiu em nenhum momento.” A confiança foi recompensada quando uma das várias bandeiras amarelas apareceu exatamente no momento esperado pelos estrategistas. A neutralização devolveu a volta perdida ao Porsche e recolocou o carro na disputa por posições importantes.

Segundo Heinrich, o momento pareceu uma ajuda do próprio destino. “Tivemos sorte porque a bandeira amarela apareceu na hora certa. Mas a equipe estava preparada e sabia exatamente que aquela situação nos colocaria novamente na mesma volta dos líderes.”

A partir dali, o discurso dentro dos boxes mudou completamente.

Mesmo ocupando as últimas posições entre os carros da volta do líder, o objetivo passou a ser aproveitar o excelente comportamento do Porsche em stints longos para iniciar uma escalada no pelotão. Foi exatamente isso que aconteceu nas voltas finais.

Com pneus preservados e ritmo consistente, Heinrich iniciou uma sequência de ultrapassagens que devolveu o Porsche à disputa pelo pódio em uma das recuperações mais marcantes da prova.

Persistência virou combustível para a reação da JDC-Miller

A recuperação da JDC-Miller MotorSports não aconteceu apenas por causa da estratégia. Segundo Laurin Heinrich, foi resultado de um trabalho coletivo que manteve a equipe concentrada mesmo quando o cenário parecia irreversível.

O alemão destacou que, em nenhum momento, os engenheiros deixaram de informar a situação da corrida ou de buscar alternativas para recolocar o Porsche na disputa.

“Sabíamos que estávamos na mesma volta do líder novamente, mesmo estando no fim do pelotão. A partir daí, era manter a calma e aproveitar o nosso ritmo em corridas longas.”

Heinrich explicou que a preservação dos pneus foi um dos diferenciais do Porsche ao longo das seis horas.

Enquanto alguns adversários enfrentavam maior desgaste na parte final da corrida, o carro da JDC conseguia manter um ritmo competitivo, permitindo ataques mais consistentes nas disputas diretas.

Além disso, o piloto fez questão de elogiar o comportamento dos adversários durante as ultrapassagens.

“Houve algumas disputas realmente muito boas. Foi difícil, mas extremamente justo. Acho que é exatamente isso que representa a IMSA e o que os fãs gostam de assistir.”

O resultado teve um significado ainda maior por causa da sequência de acontecimentos enfrentados pela equipe durante a prova.

Heinrich admitiu que, pensando no campeonato, chegou a acreditar que aquele domingo terminaria com um prejuízo importante na classificação.

No entanto, a reação mostrou que abandonar uma corrida da IMSA antes da bandeirada nunca é uma opção.

“Quando recuperamos a volta perdida, percebemos que ainda havia uma oportunidade. Continuamos pressionando e conseguimos transformar um dia muito complicado em um excelente resultado.”

Evolução técnica também explica crescimento da Porsche

Outro integrante da JDC-Miller, Tijmen van der Helm, acredita que o desempenho recente da equipe é consequência de um trabalho iniciado ainda no começo da temporada.

Segundo o piloto, a decisão de manter a primeira especificação do Porsche 963 e utilizar uma nova configuração de motor tornou o carro mais competitivo.

“Acho que demos passos muito importantes durante este ano. Estamos conseguindo ser competitivos praticamente em todos os fins de semana.”

Van der Helm destacou que o segundo pódio conquistado pela equipe em 2026 representa uma confirmação da evolução do projeto.

“Trabalhamos muito para chegar até aqui. Foi uma corrida confusa em alguns momentos, mas extremamente equilibrada. Precisamos ficar felizes com esse resultado.”

Quem também comemorou bastante o desempenho foi Kaylen Frederick.

O piloto conquistou seu primeiro pódio na IMSA logo na terceira participação em corridas de endurance.

Para ele, o resultado ganha ainda mais importância por ter acontecido após um contratempo que quase encerrou a prova da equipe.

Durante seu stint, Frederick sofreu um toque de um carro GT que provocou um furo imediato no pneu traseiro esquerdo.

Segundo o piloto, não havia qualquer possibilidade de evitar o contato.

“Passei por fora de alguns carros e um deles simplesmente não me viu. O toque furou o pneu imediatamente. Felizmente, consegui evitar um acidente maior.”

Mesmo com o incidente, Frederick ressaltou que a equipe nunca deixou de acreditar.

“Conseguimos recuperar aquela volta perdida e isso mostra a força do grupo. Foi uma experiência incrível.”

Primeira vitória da AO Racing recompensa velocidade mostrada durante toda a temporada

Na categoria LMP2, a comemoração teve um sabor especial.

Depois de demonstrar competitividade ao longo do campeonato, a AO Racing finalmente transformou o desempenho em vitória.

Jonny Edgar chegou a Watkins Glen embalado pela conquista das 24 Horas de Le Mans e deixou os Estados Unidos com mais um troféu.

“Estas últimas semanas foram fantásticas para mim. Ganhar em Le Mans e depois conquistar minha primeira vitória na LMP2 aqui é algo muito especial.”

O britânico lembrou que, nas corridas anteriores de endurance disputadas com a equipe, sempre esteve próximo do primeiro lugar, mas nunca havia conseguido completar uma prova na liderança.

Agora, a situação finalmente mudou.

Ao lado de PJ Hyett e Dane Cameron, Edgar conduziu o ORECA nº 99 até a vitória em uma das disputas mais equilibradas da temporada.

Trabalho de meses finalmente deu resultado

PJ Hyett acredita que a vitória representa uma recompensa pelo desempenho apresentado desde o início do campeonato. Apesar da velocidade demonstrada em diversas etapas, fatores externos impediram que a equipe transformasse esse potencial em resultados expressivos. Segundo o piloto, algumas situações aparentemente simples custaram muitos pontos importantes ao longo da temporada.

“Começamos este fim de semana apenas na sexta posição do campeonato por causa de pequenos acontecimentos que mudaram completamente algumas corridas.”

Por isso, vencer em Watkins Glen teve um significado ainda maior.

“O ritmo sempre esteve presente. Esta vitória mostra do que éramos capazes durante todo o ano.”

Além disso, Hyett destacou o orgulho pelo trabalho desenvolvido por engenheiros, mecânicos e pilotos ao longo dos últimos meses.

“Foi uma corrida incrível. Estou muito orgulhoso de tudo o que conseguimos fazer juntos.”

Dane Cameron destacou mudança de postura da equipe

Responsável pelo stint final da AO Racing, Dane Cameron viveu momentos de tensão até a bandeirada. Com Alex Quinn pressionando constantemente, cada volta parecia durar muito mais do que o normal.

“Quando você está liderando, o tempo passa muito devagar.”

Apesar disso, Cameron afirmou que a equipe entrou em Watkins Glen determinada a adotar uma postura mais agressiva. Segundo ele, em temporadas anteriores o grupo foi excessivamente conservador em alguns momentos decisivos.

“Acreditamos que, em determinadas corridas, acabamos sendo cuidadosos demais. Desta vez decidimos atacar mais.”

A estratégia funcionou.

Com um carro competitivo desde os primeiros treinos, a AO Racing conseguiu administrar o tráfego, executar boas estratégias e suportar a pressão nas voltas finais. Para Cameron, conquistar a vitória também teve um significado emocional. A equipe esteve muito próxima de vencer em Watkins Glen no ano passado.

“Sentíamos que deveríamos ter vencido aqui anteriormente. Conseguir isso agora foi muito especial.”

Pole position finalmente virou vitória para a Vasser Sullivan

Se havia uma equipe que aguardava ansiosamente pelo fim de um jejum, essa equipe era a Vasser Sullivan Racing with Dreyer & Reinbold. Depois de dominar a classificação, Jack Hawksworth e Ben Barnicoat conseguiram transformar a pole position na vitória da GTD PRO. O resultado encerrou um longo período sem triunfos da dupla.

Segundo Hawksworth, o sentimento era de redenção. 

“Houve muitas histórias de superação neste fim de semana. Foi nossa primeira vitória juntos desde 2024 e também o retorno do Ben ao lugar mais alto do pódio.”

O britânico ressaltou que a equipe executou praticamente uma corrida perfeita. Durante as seis horas, decisões estratégicas precisaram ser tomadas constantemente por causa das inúmeras bandeiras amarelas. Mesmo diante de tantas variáveis, Hawksworth acredita que a equipe conseguiu acertar praticamente todas.

“Tivemos um carro excelente durante todo o fim de semana. Fizemos as escolhas certas nos boxes, acertamos as decisões na pista e todos executaram seu trabalho de forma impecável.”

Para o piloto, o resultado pode representar uma mudança importante na reta final da temporada.

“Estivemos muito perto da vitória em Detroit. Agora sentimos que finalmente encontramos nosso ritmo e estamos prontos para uma sequência forte nas próximas etapas.”

Barnicoat celebra retorno ao topo após longo período afastado das vitórias

Para Ben Barnicoat, o triunfo em Watkins Glen teve um significado que vai muito além dos pontos conquistados no campeonato.

O britânico voltou a vencer pela primeira vez desde a grave lesão nas costas que interrompeu sua sequência na IMSA. Além disso, o resultado encerrou um intervalo de 836 dias sem vitórias ao lado de Jack Hawksworth.

“Fazia muito tempo. É maravilhoso voltar ao lugar mais alto do pódio. Trabalhamos muito para viver esse momento novamente.”

Barnicoat lembrou que, quando a dupla venceu as 12 Horas de Sebring em 2024, ninguém imaginava que passaria tanto tempo sem repetir o resultado.

Durante esse período, mudanças na formação da equipe, problemas mecânicos e oportunidades desperdiçadas impediram novas comemorações.

Segundo o piloto, a temporada de 2026 vinha demonstrando que a vitória era apenas questão de tempo.

“Estivemos muito rápidos em Sebring. Tivemos chances em Laguna Seca e também em Detroit. Parecia que bastava juntar todas as peças.”

Ao longo das Seis Horas de Watkins Glen, essa combinação finalmente aconteceu.

A equipe acertou as estratégias, executou paradas consistentes e conseguiu reagir sempre que perdia posições durante os ciclos de pit stop.

“Nem sempre saíamos dos boxes na liderança. Em alguns momentos tivemos de ultrapassar novamente nossos adversários. Felizmente, conseguimos fazer isso.”

Hawksworth compartilha da mesma opinião.

Para ele, nunca houve dúvidas de que o Lexus RC F GT3 voltaria a vencer.

“Jamais deixei de acreditar nesta equipe, no Ben e no potencial do nosso carro. Precisávamos apenas organizar tudo da maneira correta.”

O piloto acredita que as dificuldades enfrentadas nos últimos meses fortaleceram o grupo.

“Somos uma equipe melhor hoje justamente porque passamos por esses momentos difíceis.”

Estratégia colocou a Manthey no lugar certo no momento decisivo

Na categoria GTD, outra estratégia bem executada fez a diferença.

A Manthey 1st Phorm conquistou a vitória utilizando inteligência durante as neutralizações e aproveitando cada oportunidade criada pelas diversas bandeiras amarelas.

Ryan Hardwick explicou que largar próximo ao fim do grid acabou obrigando a equipe a pensar de maneira diferente desde o início.

Segundo ele, aquela posição oferecia poucas alternativas além de apostar em uma estratégia diferenciada.

“No começo foi muito difícil ultrapassar. Nosso carro não era o mais rápido nas retas, então precisávamos ter paciência.”

Enquanto alguns concorrentes se envolviam em incidentes, a Manthey evitava riscos desnecessários. Hardwick destacou que a calma dos pilotos foi determinante para manter o Porsche na disputa.

“Houve muitos acidentes e várias oportunidades surgiram naturalmente. Nós apenas permanecemos na corrida.”

Além disso, o piloto elogiou o trabalho dos estrategistas. Segundo ele, algumas decisões tomadas durante os pit stops permitiram que o Porsche passasse a rodar em pista limpa. Isso fez toda a diferença no ritmo apresentado durante a parte final da corrida.

Ultrapassagens decisivas garantiram a vitória

Riccardo Pera assumiu protagonismo nas voltas finais.

Graças à estratégia adotada pela equipe, o italiano voltou dos boxes com pista livre e conseguiu ultrapassar os adversários que ainda não haviam realizado suas últimas paradas.

“Consegui superar os carros que estavam à frente e, com pista limpa, tivemos velocidade suficiente para assumir a liderança.”

Para Pera, conquistar a primeira vitória nos Estados Unidos representa um momento especial da carreira.

O piloto destacou ainda que Watkins Glen exige um nível de comprometimento muito elevado dos competidores.

“É uma pista extremamente desafiadora. Vencer aqui torna tudo ainda mais especial.”

Richard Lietz também comemorou a oportunidade de integrar a formação da Manthey.

Convocado para substituir um piloto que disputaria as 24 Horas de Spa, o austríaco destacou a intensidade do circuito norte-americano.

“É uma pista que exige muito dos pilotos. Tivemos um carro excelente e, no final, a estratégia acabou fazendo toda a diferença.”

Hardwick acredita que o sucesso da Manthey começou muito antes da bandeirada.

Segundo ele, a organização demonstrou desde sua chegada à IMSA que estava preparada para competir em alto nível.

“A equipe sempre entrega um carro competitivo, trabalha muito rápido nos boxes e toma excelentes decisões estratégicas. É exatamente isso que permite vencer corridas de endurance.”

Curva 5 mudou completamente a dinâmica da corrida

Outro assunto bastante comentado pelos pilotos foi a alteração realizada na Curva 5.

Após a remoção de parte da zebra antes da corrida, o trecho passou a exigir uma abordagem diferente principalmente dos carros GT.

Ben Barnicoat afirmou que a mudança tornou a curva mais rápida e desafiadora.

“Levou algumas voltas para encontrar o ponto ideal, principalmente nas relargadas. Depois disso, gostei bastante da nova configuração.”

Dane Cameron explicou que, para os protótipos da LMP2, o impacto foi menor.

Segundo ele, os carros já utilizavam apenas parte da zebra anteriormente.

Mesmo assim, havia preocupação com possíveis consequências caso algum piloto errasse a trajetória.

“Fiquei um pouco apreensivo sobre o que poderia acontecer se alguém escapasse naquele trecho. Felizmente, não tivemos nenhum problema durante a corrida.”

O caos faz parte da identidade de Watkins Glen

Questionados sobre a quantidade de bandeiras amarelas e acidentes registrados na prova, os pilotos apresentaram uma visão semelhante.

Para Jack Aitken, o principal fator é a combinação entre um grid numeroso, um circuito estreito e velocidades muito elevadas.

Segundo ele, conforme o fim da corrida se aproxima, os riscos naturalmente aumentam.

“Há muitos carros em uma pista relativamente curta. No final, todos começam a assumir riscos maiores.”

Laurin Heinrich compartilha dessa análise.

O alemão ressaltou que Watkins Glen já é um circuito extremamente exigente mesmo quando percorrido sozinho.

Com cerca de cinquenta carros dividindo o mesmo traçado, incidentes acabam sendo inevitáveis.

“Não culpo a pista. É uma das melhores que temos nos Estados Unidos. Ela exige muito comprometimento dos pilotos e, quando tantos carros dividem o espaço, algumas situações acabam acontecendo.”

Apesar das diversas interrupções, Heinrich acredita que a corrida manteve um alto nível técnico.

Na avaliação do piloto, o equilíbrio entre as equipes tornou a disputa ainda mais interessante para quem acompanhou a prova.

“A competição está em um nível extremamente alto nesta temporada. Tivemos disputas intensas, mas muito limpas.”

Vitória construída por detalhes

As Seis Horas de Watkins Glen voltaram a demonstrar por que figuram entre as corridas mais tradicionais do calendário da IMSA.

Ao longo de seis horas, nenhuma equipe teve tempo para administrar vantagens confortáveis.

Cada bandeira amarela alterou estratégias. Cada pit stop mudou a ordem da corrida. Cada ultrapassagem exigiu cálculo preciso entre carros de diferentes categorias.

No fim, Cadillac Whelen, AO Racing, Vasser Sullivan Racing with Dreyer & Reinbold e Manthey 1st Phorm encontraram caminhos distintos para alcançar o mesmo objetivo.

Enquanto alguns venceram controlando a prova desde o início, outros precisaram transformar dificuldades em oportunidades.

Em comum, todos deixaram Watkins Glen com a certeza de que, em uma corrida de endurance, velocidade continua sendo essencial. Contudo, estratégia, trabalho coletivo e capacidade de adaptação seguem sendo os fatores que realmente definem quem sobe ao lugar mais alto do pódio.

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