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SportsCar Championship

Da frustração à redenção: Lexus transforma estratégia perfeita em vitória nas Seis Horas de Watkins Glen

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Vasser Lexus
Foto: Divulgação / IMSA

Após perder triunfos importantes por detalhes nas últimas temporadas, Jack Hawksworth e Ben Barnicoat voltam ao topo da GTD PRO com a Vasser Sullivan. Na GTD, a Manthey 1st Phorm conquista sua primeira vitória na categoria e confirma a rápida adaptação à IMSA.

As Seis Horas de Watkins Glen reservaram momentos decisivos para as categorias Grand Touring Daytona Pro e Grand Touring Daytona. Em uma corrida marcada por constantes intervenções do safety car, estratégias de combustível e inúmeras mudanças na liderança, duas equipes souberam interpretar melhor o cenário para sair dos Estados Unidos com a vitória.

Na GTD PRO, a Vasser Sullivan Racing with Dreyer & Reinbold transformou uma atuação consistente durante todo o fim de semana em triunfo. Jack Hawksworth e Ben Barnicoat aproveitaram uma estratégia eficiente, administraram o desgaste do Lexus RC F GT3 nº 14 e encerraram um longo período sem vitórias.

Enquanto isso, a Manthey 1st Phorm comemorou seu primeiro triunfo na categoria GTD do IMSA WeatherTech SportsCar Championship. O Porsche 911 GT3 R nº 912, pilotado por Ryan Hardwick, Riccardo Pera e Richard Lietz, superou um fim de semana complicado para conquistar um resultado que reforça o crescimento da equipe em sua temporada de estreia no campeonato.

Uma previsão que acabou se tornando realidade

No sábado, logo após conquistar a pole position da GTD PRO, Jack Hawksworth havia resumido exatamente o que imaginava para a corrida. Segundo o britânico, Watkins Glen dificilmente teria uma disputa linear. Era esperado um domingo repleto de neutralizações, decisões estratégicas e mudanças constantes de posição. Na prática, foi exatamente isso que aconteceu.

Ao longo das seis horas de prova, a corrida foi neutralizada nove vezes. As estratégias mudavam a cada bandeira amarela, enquanto equipes e pilotos precisavam decidir rapidamente entre economizar combustível, antecipar paradas ou permanecer na pista. Nesse cenário, a Vasser Sullivan praticamente não cometeu erros.

Embora não tenha liderado durante toda a corrida, o Lexus nº 14 permaneceu constantemente entre os primeiros colocados. Ao todo, Hawksworth e Barnicoat comandaram 83 das 171 voltas disputadas e chegaram à bandeirada à frente do BMW M4 GT3 EVO nº 1 da Paul Miller Racing, conduzido por Connor De Phillippi e Neil Verhagen.

O Ford Mustang GT3 nº 64 da Ford Racing, pilotado por Dennis Olsen e Ben Barker, completou o pódio da categoria.

Estratégia fez diferença nos minutos finais

Se o desempenho do Lexus chamou atenção durante todo o fim de semana, a definição da corrida aconteceu nos instantes decisivos. A equipe da Vasser Sullivan apostou em uma estratégia de combustível diferente da adotada por seus principais concorrentes. Enquanto alguns adversários prolongaram seus stints esperando uma nova bandeira amarela, o Lexus realizou sua parada antes dos rivais.

A decisão permitiu que Hawksworth assumisse a liderança sem precisar realizar ultrapassagens na pista durante os quinze minutos finais.  À medida que os concorrentes precisavam retornar aos boxes para reabastecimento, o Lexus permanecia em velocidade de corrida, consolidando a primeira posição. Segundo Hawksworth, o resultado foi consequência da execução precisa de todo o planejamento desenvolvido ao longo do fim de semana.

O piloto destacou que o carro apresentou excelente desempenho desde os treinos livres e que a equipe conseguiu tomar as decisões corretas em todos os momentos críticos da prova. Além disso, ressaltou que administrar tantas bandeiras amarelas exigiu um nível elevado de concentração dos engenheiros e estrategistas.

Cada neutralização alterava completamente os cálculos de consumo de combustível e obrigava a equipe a revisar constantemente o plano inicial.

Corrida premiou quem interpretou melhor o cenário

As Seis Horas de Watkins Glen voltaram a demonstrar que velocidade nem sempre é suficiente em uma prova de endurance. Durante praticamente toda a corrida, as equipes trabalharam com diferentes projeções sobre a quantidade de combustível necessária para chegar até a bandeirada. Dependendo do momento em que surgisse uma nova bandeira amarela, a estratégia considerada ideal poderia mudar completamente.

Hawksworth lembrou que a equipe viveu situação semelhante nesta temporada durante a etapa de Laguna Seca. Naquela oportunidade, permanecer na pista esperando uma neutralização acabou sendo a decisão errada. O combustível não foi suficiente para completar a corrida, obrigando o Lexus a realizar uma parada extra e perder posições importantes nas voltas finais.

Desta vez, porém, a experiência adquirida naquela prova fez diferença. Segundo o piloto, a equipe optou por antecipar a última parada justamente para evitar repetir o erro cometido anteriormente. A estratégia também protegia o carro de possíveis ataques dos adversários que vinham logo atrás.

Mesmo sabendo que existia risco em qualquer escolha, a equipe decidiu agir de forma mais conservadora. A aposta funcionou. Como nenhuma nova bandeira amarela apareceu até a bandeirada, o Lexus permaneceu na liderança enquanto os concorrentes precisavam abastecer.

Para Hawksworth, essa foi uma vitória construída tanto pelos pilotos quanto pelo trabalho realizado nos boxes.

Retorno ao topo encerra longo jejum

O resultado também marcou o reencontro de Ben Barnicoat com o lugar mais alto do pódio. Campeão da GTD PRO em 2023 ao lado de Hawksworth, o britânico passou boa parte da temporada passada afastado das pistas após sofrer uma lesão nas costas em um acidente de mountain bike.

O período longe das competições interrompeu a sequência da dupla justamente quando a equipe vivia uma de suas melhores fases. Agora, novamente reunidos, Hawksworth e Barnicoat conseguiram transformar o potencial demonstrado nas primeiras etapas da temporada em vitória.

Barnicoat admitiu que nem ele nem o companheiro imaginavam que o intervalo sem triunfos seria tão longo. Durante esse período, a equipe enfrentou mudanças na formação, problemas estratégicos e oportunidades desperdiçadas em corridas nas quais possuía ritmo suficiente para vencer.

Apesar disso, o piloto afirmou que o grupo nunca deixou de acreditar na capacidade do Lexus. Segundo ele, a corrida em Watkins Glen exigiu decisões difíceis praticamente do início ao fim.

Nem sempre a equipe deixava os boxes ocupando a liderança, mas pilotos e estrategistas conseguiram recuperar posições sempre que necessário. Esse conjunto de fatores permitiu transformar uma corrida extremamente movimentada em uma vitória construída com consistência.

Manthey transforma desafio em vitória na GTD

Se a Vasser Sullivan comemorava o retorno ao topo da GTD PRO, a categoria GTD reservou outro momento especial para uma equipe que começa a escrever sua história na IMSA.

A Manthey 1st Phorm conquistou sua primeira vitória na GTD com o Porsche 911 GT3 R nº 912, pilotado por Ryan Hardwick, Riccardo Pera e Richard Lietz. O resultado representa mais um passo importante da tradicional equipe alemã em sua temporada de estreia no IMSA WeatherTech SportsCar Championship.

Reconhecida internacionalmente pelas vitórias nas 24 Horas de Nürburgring e pelos sucessos nas 24 Horas de Le Mans, a Manthey já havia mostrado seu potencial nas provas de endurance da temporada. Depois de terminar entre os primeiros colocados em Daytona e vencer a GTD PRO nas 12 Horas de Sebring, o desafio passou a ser repetir o desempenho na GTD.

Em Watkins Glen, esse objetivo finalmente foi alcançado.

Estratégia compensou largada complicada

A missão da Manthey começou muito antes da bandeira verde.

Com a sessão classificatória interrompida por uma bandeira vermelha, o grid da GTD foi definido pela classificação do campeonato. Como consequência, o Porsche nº 912 precisou largar praticamente no fim do pelotão.

Longe de enxergar a situação como um problema, a equipe decidiu transformar a posição desfavorável em oportunidade. Ryan Hardwick explicou que largar atrás obrigou engenheiros e estrategistas a adotarem um plano completamente diferente dos principais concorrentes.

Segundo o piloto, a equipe sabia que ultrapassar seria difícil durante os primeiros stints, principalmente porque o Porsche não apresentava a maior velocidade nas retas do circuito. Por isso, a prioridade foi evitar riscos desnecessários enquanto os adversários travavam disputas intensas pelas primeiras posições.

Além disso, a Manthey concentrou seus esforços em encontrar momentos de pista livre durante os ciclos de pit stop. A estratégia permitiu que o Porsche passasse a registrar voltas rápidas sem enfrentar o tráfego constante das categorias GT.

Pista limpa mudou o rumo da corrida

Hardwick destacou que o trabalho desenvolvido pelos estrategistas foi determinante para o resultado final. Em diferentes momentos da corrida, a equipe conseguiu encaixar suas paradas em janelas favoráveis, devolvendo o Porsche à pista com espaço suficiente para desenvolver seu ritmo.

Essa condição permitiu reduzir gradualmente a diferença para os líderes. Quando a corrida entrou em sua fase decisiva, a estratégia voltou a fazer diferença. Riccardo Pera realizou sua última parada um pouco antes dos adversários diretos e retornou ao circuito com pista completamente livre.

Enquanto isso, os concorrentes permaneciam na pista tentando estender o combustível. A combinação entre voltas rápidas e a necessidade de os rivais passarem pelos boxes colocou a Manthey na liderança da categoria. Segundo Hardwick, aquele foi o momento que definiu a vitória.

Para ele, a equipe conseguiu aproveitar exatamente a oportunidade criada pela estratégia e executou o plano sem cometer erros.

Primeira vitória nos Estados Unidos emociona Riccardo Pera

Entre os três pilotos do Porsche nº 912, Riccardo Pera viveu um momento particularmente marcante. O italiano conquistou sua primeira vitória em uma prova da IMSA justamente em um dos circuitos mais tradicionais do calendário. Pera destacou que vencer em Watkins Glen possui um significado especial pela dificuldade apresentada pelo traçado.

Segundo ele, trata-se de uma pista extremamente técnica, que exige comprometimento dos pilotos durante toda a volta. Além disso, a quantidade de carros dividindo o circuito aumenta ainda mais o desafio ao longo de uma corrida de endurance. Para o italiano, conquistar sua primeira vitória justamente nesse cenário torna o resultado ainda mais memorável.

Experiência ajudou Manthey a administrar a corrida

Richard Lietz também teve papel importante na construção do resultado. Veterano das provas de endurance, o austríaco destacou que a corrida exigiu paciência em diversos momentos. Com tantas neutralizações e diferentes estratégias de combustível, a classificação mudava constantemente.

Segundo Lietz, era fundamental manter a calma e confiar no trabalho realizado pelos engenheiros. O piloto afirmou que o Porsche apresentou desempenho consistente durante toda a prova e que a equipe soube aproveitar cada oportunidade criada pelas bandeiras amarelas.

Essa combinação permitiu que a Manthey permanecesse sempre próxima da disputa, mesmo quando não ocupava as primeiras posições.

Adaptação rápida reforça potencial da equipe

A vitória em Watkins Glen confirma o impacto imediato da Manthey no campeonato norte-americano. Mesmo disputando sua primeira temporada completa na IMSA, a equipe já soma resultados expressivos nas provas de endurance. Hardwick destacou que esse desempenho não acontece por acaso. Segundo o piloto, a estrutura da Manthey chega preparada a cada etapa, independentemente de já conhecer ou não o circuito.

Os carros apresentam bom acerto desde os primeiros treinos, enquanto mecânicos e engenheiros conseguem executar estratégias com rapidez durante as paradas nos boxes. Na avaliação do norte-americano, esse padrão de trabalho explica o sucesso obtido nas principais corridas de longa duração do automobilismo mundial.

Além disso, Hardwick afirmou que toda a equipe demonstra entusiasmo em competir nos Estados Unidos. A tradição da IMSA, o formato das corridas e os circuitos do calendário foram apontados como fatores que motivam o grupo desde o início do projeto.

Resistência, estratégia e execução definem os vencedores

As disputas da GTD PRO e da GTD reforçaram uma característica histórica das corridas de endurance: dificilmente vence apenas o carro mais rápido.

Em Watkins Glen, a Vasser Sullivan Racing with Dreyer & Reinbold e a Manthey 1st Phorm construíram suas vitórias combinando velocidade, estratégia e capacidade de adaptação às constantes mudanças da corrida.

Enquanto Hawksworth e Barnicoat encerraram um longo jejum ao transformar uma estratégia de combustível em vitória, Hardwick, Pera e Lietz provaram que uma largada distante das primeiras posições não impede um bom resultado quando planejamento e execução caminham juntos.

Depois de seis horas marcadas por nove bandeiras amarelas, mudanças de estratégia e decisões tomadas em segundos, as duas equipes deixaram Watkins Glen com mais do que troféus. Saíram com a confirmação de que, nas corridas de endurance, cada detalhe pode ser decisivo para definir quem chega primeiro à bandeirada.

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