Dakar
Dacia Sandriders domina primeira metade do Dakar 2026 e chega ao descanso como referência da prova
Equipe franco-romena lidera o Rally Dakar após seis etapas, impõe ritmo forte no deserto saudita e mantém quatro carros entre os 13 primeiros da classificação geral
Com a poeira ainda suspensa sobre as dunas da Arábia Saudita, o Rally Dakar 2026 chega ao seu dia oficial de descanso com um claro protagonista: o Dacia Sandriders. Em uma demonstração de consistência, estratégia e resiliência, a equipe encerra a primeira metade da prova no controle da classificação geral, estabelecendo o ritmo da etapa inaugural do Campeonato Mundial de Rally-Raid da FIA (W2RC) de 2026.
Após seis exigentes etapas e 3.636 quilômetros percorridos desde a largada em Yanbu, os Dacia Sandriders chegaram a Riad, na sexta-feira, 9 de janeiro, ocupando posições de destaque no ranking geral. A equipe aparece em primeiro, sexto, décimo e 13º lugares, coroando a semana com um impressionante resultado de 1-2 na Etapa 6. Com mais sete especiais e 4.343 quilômetros ainda pela frente até a chegada final, em Yanbu, a missão está longe de concluída, mas a base construída até aqui é sólida.
A liderança pertence a Nasser Al-Attiyah e Fabian Lurquin, que viveram uma primeira semana marcada por altos e baixos. Depois de assumirem a ponta da prova ainda na Etapa 2, a dupla caiu para a décima posição geral após sofrer duas deflações de pneus na terça-feira. A resposta veio de forma imediata: segundo melhor tempo na quarta-feira e uma vitória contundente na Etapa 6 recolocaram o catariano no topo da classificação, agora com uma vantagem de 6 minutos e 10 segundos.
O triunfo mais recente coloca Al-Attiyah a apenas uma vitória de etapa de igualar o recorde histórico de 50 vitórias no Dakar, marca dividida atualmente por Stéphane Peterhansel e Ari Vatanen. Além disso, o pentacampeão passou a ostentar um feito impressionante: venceu ao menos uma etapa em 19 edições consecutivas do Dakar, reforçando sua regularidade mesmo aos 55 anos.
Na sexta colocação geral aparecem Sébastien Loeb e Édouard Boulanger. Apesar de enfrentarem sete trocas de pneus nas seis primeiras etapas, a dupla francesa mostrou competitividade e ajudou a garantir o histórico 1-2 da equipe na Etapa 6. Conhecido por reações fortes na segunda metade das provas, Loeb surge como um nome a ser observado na sequência do rali.
A estreia de Lucas Moraes pelo Dacia Sandriders também chama atenção. O atual campeão mundial do W2RC, agora ao lado do navegador Dennis Zenz, encerrou a primeira semana em décimo lugar, após registrar dois tempos entre os quatro melhores nas especiais iniciais. Mesmo enfrentando contratempos, o brasileiro demonstrou potencial e segue firme no top 10.
Cristina Gutiérrez e Pablo Moreno completam o quarteto da equipe, ocupando a 13ª posição geral. Depois de danos nos pneus e perdas de tempo em etapas anteriores, os espanhóis reagiram bem e entram na segunda semana confortavelmente dentro do top 15.
Um dos pilares desse desempenho tem sido o trabalho conjunto com a BFGoodrich no desenvolvimento e preservação dos pneus. Segundo o diretor técnico Philip Dunabin, o foco em eliminar perfurações na banda de rodagem trouxe resultados claros: até aqui, a equipe não sofreu esse tipo de dano, lidando apenas com problemas pontuais nas paredes laterais, comuns em terrenos extremamente agressivos.
Com metade do Dakar ainda por disputar, o Dacia Sandriders lidera, mas mantém o discurso de cautela. A partir do Estágio 7, rumo a Wadi ad-Dawasir, o desafio recomeça em um terreno majoritariamente arenoso e rápido. A vantagem existe, porém, no Dakar, ela nunca é garantia — apenas um incentivo para seguir atacando com inteligência.
