WEC
BYD avalia entrada no WEC em meio ao crescente interesse chinês no automobilismo global
Maior fabricante de veículos elétricos do mundo explora participação na classe de hipercarros e na Fórmula 1 como estratégia para consolidar sua expansão nos mercados internacionais.
O cenário do endurance mundial pode estar prestes a receber um de seus competidores mais pesados e tecnologicamente avançados. A BYD, gigante chinesa que detém o título de maior produtora global de veículos elétricos, está explorando ativamente opções para ingressar no Campeonato Mundial de Endurance da FIA (WEC) e na Fórmula 1. A movimentação, reportada inicialmente pela Bloomberg, faz parte de um esforço agressivo da marca para impulsionar sua exposição global e validar sua tecnologia híbrida e elétrica no auge do esporte a motor.
A entrada da BYD no radar das principais categorias da FIA não é por acaso. Em 2025, a empresa ultrapassou a Ford em vendas globais de veículos, consolidando sua hegemonia no setor automotivo. Com a abertura de novas fábricas em mercados estratégicos como Hungria, Brasil e Tailândia, além de planos para expandir operações no Canadá, a fabricante estabeleceu a ambiciosa meta de vender entre 1,3 e 1,6 milhão de unidades no exterior até o final de 2026. O automobilismo surge, portanto, como a vitrine ideal para sustentar esse crescimento.
O foco na tecnologia híbrida e os recordes da marca Yangwang
De acordo com analistas, o interesse da BYD concentra-se na atual transição do automobilismo de elite para tecnologias híbridas de alta performance. Tanto a classe de Hipercarros do WEC quanto o regulamento de motores da Fórmula 1 oferecem o laboratório necessário para a fabricante testar e promover sua engenharia. Embora a marca ainda não possua um programa oficial de corridas, sua divisão de luxo, a Yangwang, já deu demonstrações de força em solo europeu.
Recentemente, o modelo totalmente elétrico U9 Xtreme quebrou recordes de velocidade na pista de testes ATP em Papenburg, na Alemanha, atingindo a impressionante marca de 308 mph (aproximadamente 495 km/h) com o piloto Marc Basseng ao volante. Além disso, a marca registrou no final do ano passado um novo recorde de volta para superesportivos elétricos no lendário circuito de Nürburgring Nordschleife. Essas conquistas são vistas como um prelúdio técnico para o que a fabricante poderia entregar em uma competição de longa duração como as 24 Horas de Le Mans.
Uma nova onda chinesa no automobilismo de resistência
A BYD não é a única montadora da China a olhar com atenção para o WEC. A movimentação acompanha o anúncio recente do Chery Group, que por meio de sua marca de luxo EXEED, sinalizou a intenção de se juntar às competições sob o regulamento do ACO (Automobile Club de l’Ouest) e estrear em Le Mans nos próximos cinco anos. Da mesma forma, a Lynk & Co, pertencente ao grupo Geely e já consolidada nas competições de TCR, também manifestou interesse em ingressar nas corridas de endurance.
Embora a FIA e o ACO ainda não tenham reconhecido oficialmente essas intenções, entende-se que todas as marcas mencionadas estão em fases avançadas de avaliação ou planejamento inicial. Esse aumento súbito de interesse ocorre em um momento crucial: a proposta de um conjunto de regulamentos técnicos unificados para a classe principal do WEC e, potencialmente, para o IMSA WeatherTech SportsCar Championship a partir de 2030.
Até o momento, a presença da BYD no WEC limitou-se a ações de marketing, com a exposição de sua linha de carros de estrada em áreas destinadas aos fãs durante diversos eventos na temporada passada. No entanto, com a convergência de interesses técnicos e a necessidade de afirmação global, a transição das fan villas para o grid de largada parece ser apenas uma questão de tempo para a gigante de Shenzhen.
