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Fórmula E

Batismo de fogo em São Paulo: A estreia dramática de Pepe Martí na Fórmula E

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Reprodução: Felipe Caramori

A abertura da 12ª temporada do Campeonato Mundial ABB FIA Formula E no Sambódromo do Anhembi ficará marcada na memória de Pepe Martí, mas não da forma como o jovem espanhol planejava. O piloto da CUPRA KIRO, única equipe com suporte espanhol no grid, protagonizou o momento mais tenso do fim de semana em sua corrida de estreia na categoria elétrica.

O incidente ocorreu no final da prova de sábado, já sob regime de bandeira amarela causada por uma batida prévia de Mitch Evans. Em uma sequência assustadora, o carro de Martí rampou sobre o Jaguar de António Félix da Costa e o Andretti de Nico Müller. O monoposto da Kiro foi lançado ao ar, capotou e aterrissou completamente destruído, iniciando um incêndio imediato.

Apesar da gravidade das imagens, que forçaram uma bandeira vermelha, Martí demonstrou sangue frio. O piloto de 20 anos saiu ileso dos destroços e, em um ato de adrenalina, pegou um extintor para ajudar os fiscais a combater as chamas que consumiam seu próprio carro.

Já no paddock, visivelmente abalado mas fisicamente inteiro, Martí detalhou a mecânica do acidente. Segundo o piloto, a colisão ocorreu devido ao efeito sanfona gerado pela redução de velocidade obrigatória.

“A regra dita que você tem que estar a 50 km/h quando a bandeira amarela realmente entra… Eu estava indo para esse limite na linha. António [Félix da Costa] estava ok, mas Nico [Müller] reagiu a isso e foi para a esquerda”, explicou Martí. “Como é uma pista de rua com muros dos dois lados, assim que eles ficaram lado a lado e eu pisei no freio, eu pensei: ‘Isso parece ruim'”.

Apesar da gravidade das imagens, Martí demonstrou sangue frio ao sair ileso e ajudar a apagar o fogo. Sua maior preocupação, no entanto, foi com o time. “Foi uma batida feia… Mas estou bem fisicamente. Sinto muito pela equipe, essa é a principal coisa, porque estaríamos prontos para um bom resultado”, lamentou o jovem.

Dan Ticktum, companheiro de equipe de Martí, comentou sobre a segurança do Gen3 Evo após o susto: “O principal é que ele está bem. Para ser honesto, você vê quase qualquer acidente hoje em dia e eu já vi muitos e é incrível. Meu primeiro instinto foi saber que ele ficaria bem.”

A relação entre os dois, aliás, tem sido um ponto de apoio fundamental para o novato. Apesar da reputação intensa e da personalidade pública de Ticktum, Martí descreve um ambiente de colaboração nos bastidores: “Ele tem essa atitude pela qual todos o conhecem, mas é um cara ótimo. Tem sido super solidário com minha chegada à equipe, sabendo o que posso trazer em termos de performance”, revelou o espanhol.

 

A escolha pela Fórmula E: Profissionalismo acima da espera 

Dias antes do acidente, a mentalidade de Martí era de cautela e otimismo. Em entrevista exclusiva no paddock, o piloto explicou sua decisão de migrar para a Fórmula E, pulando etapas tradicionais. Para ele, o incentivo principal foi a oportunidade de se tornar um atleta profissional imediatamente, em vez de continuar na incerteza das categorias de acesso.

“Eu tinha opções diferentes na mesa. Mas, no fim das contas, eu ainda tenho apenas 20 anos. Se eu fosse para a Super Fórmula ou fizesse mais um ano de F2, seria o mesmo tipo de corrida e eu ainda estaria na mesma situação, apenas esperando para chegar a algum lugar no futuro”, analisou Martí com franqueza.

A decisão pela categoria elétrica foi estratégica. “Achei que era melhor olhar para outro lugar, ter uma porta de entrada para me tornar um profissional e ter um futuro sólido. Aqui é um campeonato mundial profissional, apoiado pela FIA, por grandes montadoras e onde os pilotos são reconhecidos globalmente. Foi a melhor decisão possível”, completou.

 

Conselhos de rivais e adaptação 

Para navegar essa transição, Martí buscou conselhos com figuras experientes. Curiosamente, um de seus principais interlocutores foi Oliver Rowland, hoje seu rival na pista pela Nissan. A conexão aconteceu porque Rowland atua como mentor e manager de Arvid Lindblad, que foi companheiro de equipe de Martí na Fórmula 2. “Ele vinha a algumas corridas, então o conheço muito bem. Conversávamos muito sobre a Fórmula E, sem imaginar que estaríamos correndo um contra o outro. Ele foi um dos caras com quem mais falei sobre a categoria”, contou Martí.

Sobre a adaptação ao carro Gen3 Evo, Martí destacou o salto tecnológico. “A tecnologia é extremamente elevada. O nível em que as equipes competem e o padrão de desempenho são muito altos. Estar aqui é um teste muito bom para mim em nível pessoal”, avaliou o espanhol, que também citou a dificuldade com as ondulações do asfalto do Anhembi, uma previsão que infelizmente se confirmou da pior maneira na corrida.

 

Conexão com o Brasil e o futuro 

Apesar do desfecho turbulento, Martí se mostrou à vontade em solo brasileiro. “O Brasil é conhecido por ter uma vibe de festa quase constante. Eu me sinto bastante em casa, a vibe latina ainda está lá. Nós somos todos bastante parecidos no final”, comentou, citando Ayrton Senna como sua primeira referência ao país.

Para o restante da temporada, o objetivo permanece focado na evolução constante, apesar do revés inicial. “Tenho dito a mesma coisa o tempo todo: o ideal seria, a partir da terceira ou quarta rodada, tentar estar consistentemente nos pontos, no top 10. Esse é o alvo”, projetou.

Após o susto em São Paulo, Pepe Martí e a equipe CUPRA KIRO terão a missão de reconstruir o carro e a confiança para a próxima etapa. A Fórmula E retorna às pistas na Cidade do México, onde o espanhol buscará seus primeiros pontos em um fim de semana de corrida. 

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