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Back home again, Josef Newgarden

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Josef Newgarden e seu filho Kota, após vencer a Indy 500. Foto/ Reprodução: Matt Fraver/ IndyCar

Somente um templo do automobilismo, como Indianápolis, para imortalizar um homem. Depois de 22 anos, um piloto volta a vencer, em sequência, duas provas da Indy 500. Josef Newgarden, na última volta da 108ª edição das 500 milhas de Indianápolis, colocou seu nome em um seleto hall, tornando-se o sexto piloto na história a vencer a prova de forma consecutiva.

Josef Newgarden e seu filho Kota, após vencer a Indy 500. Foto/ Reprodução: Matt Fraver/ IndyCar

Josef Newgarden e seu filho Kota, após vencer a Indy 500. Foto/ Reprodução: Matt Fraver/ IndyCar

Emoção do começo ao fim

Foram mais de quatro horas de espera para o início da corrida. Na hora que antecedia a largada, uma chuva atingiu o IMS, retirando os torcedores da arquibancada e deixando a expectativa pairando no ar.

Quando passou a chuva e a pista secou, tornando-a segura para a realização da corrida, o protocolo que antecede a prova foi iniciado. Assim, a cerimonia abria, oficialmente, a edição de 2024 da maior corrida do mundo.

Neste ano, o comandante do carro #2 da Penske repetiu o feito de Helio Castroneve, que em 2001 e 2002 conquistou a dobradinha na Indy 500. Além de chegar em um patamar pouco alcançado, Newgarden ainda desembolsou um extra de 440 mil dólares, justamente pela conquista.

Outros dados fazem com que a história construída por Newgarden nesse 26 de maio de 2024 fique imortalizada.

Por exemplo, essa foi apenas a quarta vez que um piloto vence a Indy 500 ultrapassando o adversário na última volta. Dessa forma, falando de corrida, as coisas terminaram como começaram: repletas de emoção.

Logo na largada, o estreante Tom Blomqvist fez a primeira curva muito fechada, rodou e levou consigo Marcus Ericsson.

No meio da confusão, Callum Ilott na tentativa de escapar, acabou tocando no brasileiro Pietro Fittipaldi, que rodou e viu o sonho das 500 milhas morrer no momento em que começou.

Com a saída do carro da Andretti, a sensação que pairou no ar foi de que o IMS mandava um recado claro para seu vencedor de 2022: neste ano, não!

No decorrer da preparação, Marcus Ericsson teve uma forte batida no fast friday, que o obrigou a usar o chassi reserva, não tão bem alinhado.

Na classificação, acabou no bump day, e na berlinda, errou a contagem de voltas, vivendo momentos inimagináveis de tensão. Assim, na corrida, veio o recado final.

Voltando as atenções para a corrida, é fator óbvio que, em uma prova com 200 voltas, muita coisa aconteceu. Dentre elas, a troca de liderança em 49 oportunidades, entre 18 pilotos diferentes.

pole position Scott McLaughlin foi o piloto que mais vezes liderou o pelotão, somando 69 voltas no primeiro lugar. Porém, no fim ele acabou apenas em sexto.

A tão dominante Penske, que não deu margem para os adversários na classificação, sofreu quand0 esteve no meio do pelotão, com o ritmo mais moderado.

Inclusive, apenas dois dos três carros do time completaram a prova, já que na volta 147, Will Power estampou o muro em uma forte batida, gerando a última amarela da corrida.

Um dos grandes destaques da prova foi Kyle Larson, o piloto optou em seguir na disputa da Indy 500, mesmo com o atraso (o piloto também estava inscrito para a disputa de Chartotte 600, na NASCAR).

Ele vinha fazendo uma ótima prova, sempre junto ao pelotão da frente, porém em sua última parada, a única que realizou sob bandeira verde, ultrapassou o limite de velocidade e recebeu um drive through, o que acabou com suas chances de brigar pela vitória.

Outro estreante que conseguiu se destacar foi Christian Rasmussen, que em sua primeira participação nas 500 milhas de Indianápolis, consegui o 12° lugar, após largar do 24°.

E no tema corrida prejudicada no pit stop, temos o tetra campeão, Hélio Castroneves, em foco. Assim como Larson, em sua última parada, a equipe Meyer Shank errou, foi extremamente lenta e o brasileiro acabou fora do top-10, onde se manteve em boa parte da prova. No fim, Helinho foi apenas o 20°.

Um ponto que chamou a atenção foi a falta de confiabilidade do motor Honda. Na parte inicial da prova, três carros com essa unidade de potência abandonaram a prova, sendo eles: Marcus ArmstrongKatherine Legge e Felix Rosenqvist.

Quem também teve um dia para se esquecer foi Colton Herta, o stint inicial do piloto foi avassalador, colocando-o como um forte candidato na briga pela vitória, mesmo após largar de 13°. Porém, no giro 86, ele perde a dianteira do carro e, sozinho, bate contra o muro.

O piloto ainda voltou para a pista na volta 104, após ser liberado pelos médicos e seu carro ser concertado. Entretanto, não havia muito o que pudesse ser feito e ele concluiu a prova sendo o 23°.

Newgarden x Pato: duas curvas para a glória

“Eu sabia que poderíamos vencer esta corrida novamente”, disse Newgarden. “Simplesmente não há melhor maneira de vencer esta corrida do que essa. Tenho que entregar isso ao Pato também. Ele é um motorista incrivelmente limpo. São necessárias duas pessoas para fazer isso funcionar.”

Essas foram as palavras de Josef Newgarden após vencer sua segunda Indy 500. Não à toa o piloto destaca o oponente Pato O’Ward. Foi apenas na terceira curva da última volta, em que o piloto da Penske conseguiu faturar sua vitória.

Um gosto especial para Newgarden e amargo demais para O’Ward. Literalmente, o mexicano nunca esteve tão perto do seu cobiçado sonho de vencer essa prova, a diferença entre eles foi de apenas 0,3417 de segundo.

Josef Newgarden e sua família após a conquista da Indy 500. Foto/ Reprodução: Matt Fraver/ IndyCar

Josef Newgarden e sua família após a conquista da Indy 500. Foto/ Reprodução: Matt Fraver/ IndyCar

O ano de 2024 não nasceu de forma positiva para o Team Penske, que na corrida inicial recebeu fortes penalidades por adulteração no sistema push to passNewgarden, o mais criticado dentre os pilotos da equipe, deixa essa mancha em seu devido lugar, no passado, e supera escrevendo um brilhante novo capítulo em sua jornada.

Para quem acompanhou a prova, talvez seja difícil esquecer a dualidade das cenas no final da transmissão: de um lado, o choro de alegria, do outro, a lamentação.

Newgarden foi para os braços da torcida, saboreando a euforia daqueles que vibraram para com ele. O’Ward, não teve forças para sair de seu carro, derramando seu pranto ali mesmo.

“É difícil colocar em palavras”, disse O’Ward, que também terminou em segundo lugar em 2022. “Tão perto de novo. Coloquei aquele carro em coisas que nunca pensei que seria capaz de fazer. Às vezes eu dizia: ‘Ah, é isso’, e de alguma forma eu saía do outro lado da esquina.”

Pato O'Ward após perder a Indy 500. Foto/Reprodução: Matt Fraver/ IndyCar

Pato O’Ward após perder a Indy 500. Foto/Reprodução: Matt Fraver/ IndyCar

A batalha épica entre dois dos melhores pilotos em circuitos ovais da atualidade é uma daquelas que, no passar dos anos, seguirá sendo transmitida por quem acompanhou cada uma dessas voltas. Talvez os detalhes se percam, mas a precisão do ataque do vencedor, que ousou em um momento tão determinante, esse não há como ser distorcido.

Demorou para a primeira chegar, mas agora que venceu, Josef Newgarden coloca seu nome no hall da fama de Indianápolis e acima de tudo, faz as pazes com o IMS, mostrando que o oval é sua casa.

A 108° edição das 500 milhas de Indianápolis veio para ser inesquecível, sendo uma das melhores e mais disputadas edições dos últimos anos. Isso porquê, para além da briga na reta final entre Pato e Newgarden, nas últimas 13 voltas, quatro pilotos vinham com chances reais de vencer.

Scott Dixon Alexander Rossi bem que tentaram, mas aquela noite não era para eles, assim como -ainda- não era vez do comandante do #5 da Arrow McLaren.

Na corrida que transforma pilotos em heróis, Josef Newgarden gostou do posto mais alto. Porém, após o término do mês mais importante do ano para a IndyCar, chegou a hora de focar na sequência do campeonato, que começa a entrar em sua segunda metade e nesse momento, cada detalhe é decisivo.

IndyCar retorna para as pistas no próximo dia 2, para a etapa em Detroit.

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