IndyCar
HISTÓRIA EM INDIANÁPOLIS: Rosenqvist conquista a coroa na linha de chegada
Um dia épico no Indianápolis Motor Speedway trouxe um misto de emoções para os pilotos e telespectadores, especialmente na última volta, no último segundo, onde Felix Rosenqvist disputou acirradamente com David Malukas até o Yard of Bricks para vencer a 110° edição da INDY500
Neste domingo, 24 de maio, foi realizado o maior espetáculo de automobilismo do mundo: a tradicional 500 milhas de Indianápolis.
Uma das corridas mais esperada mundialmente, a 110° edição da INDY500, foi marcada por diferentes estratégias de pneus, combustível, bandeiras amarelas e vermelhas, além de uma pressão externa causada pela chuva.
Talvez 100… Talvez 200 voltas
A corrida começou sob ameaça constante de chuva, que se tornava cada vez mais iminente ao longo das horas em Indianápolis. A possibilidade de uma paralisação antes da prova gerava preocupação entre equipes e pilotos, já que, caso as 100 voltas (metade da prova) não fossem completadas, a INDY500 poderia ser adiada.
A princípio, com o céu limpo, todos seguiram estratégias consistentes, mas ao cair da primeira garoa tudo se tornou imprevisível. Com metade da prova concluída, o objetivo não era mais competir as 200 voltas, e sim estar no P1 caso a chuva encerrasse a etapa mais cedo.
Houveram 70 trocas de liderança ao longo da corrida, sendo 14 líderes diferentes, incluindo o brasileiro Caio Collet, Romain Grosjean e Marcus Armstrong, que lideraram pela primeira vez a INDY500.
Chuva e chacoalhar de bandeiras
Ryan Hunter-Reay, piloto n°31 da Arrow McLaren, lutou com um carro instável durante o primeiro segmento antes de perder o controle e rodar na curva 2, ainda na volta 18.
Katherine Legge vinha logo atrás do veterano, e ao tentar evitar uma colisão direta com o carro de Ryan, escapou da pista e bateu, encerrando sua participação nas 500 milhas.
Não muito tempo depois, Ed Carpenter que estava no meio de uma disputa com outros 2 carros foi de encontro com o muro, acionando a segunda bandeira amarela.
Alexander Rossi vem de uma semana difícil e de recuperação, o piloto #20 sofreu lesões na mão e no tornozelo após um acidente no treino livre de segunda-feira, 18 de maio, e precisou fazer uma pequena cirurgia. Ele foi liberado pelo médico e estava apto para correr mesmo estando de muletas.
Apesar de todo o esforço e do ótimo desempenho durante a corrida, Rossi a encerrou do mesmo modo que no ano passado: com fumaça saindo do carro.
Will Power, da Andretti Global, terminou com fluído nos pneus traseiros, rodando na entrada da curva 1. Seu ex-companheiro de equipe, Josef Newgarden, do Team Penske, largou em 23° e alcançou a 4° colocação quando perdeu o controle do pneu dianteiro esquerdo na divisa entre a pista e a grama, rodando e batendo na curva 4.
O brasileiro Caio Collet liderou nove voltas e estava em 11° lugar quando perdeu o controle na curva 2 e bateu forte no muro, causando um incêndio. Apesar do fim trágico, Caio demonstrou um bom ritmo no oval, realizando uma excelente prova.
A chuva causou algumas paralisações durante as 200 voltas, e com tantas incertezas na reta final, Rosenqvist apostou em economizar combustível, enquanto Malukas, Mclaughlin, Palou e O’ward vinham em ritmo forte após uma sequência diferente de pit-stops.
Rosenqvist, o campeão
A verdadeira disputa começou quando o Rookie Mick Schumacher raspou a barreira SAFER na curva 2 na volta 197. Agrupando o pelotão para o tudo ou nada na reinicialização na volta 199.
Armsntrong era o líder, seguido por Malukas e Rosenqvist. Dada a bandeira verde, o piloto n°12 não perdeu a oportunidade e assumiu a liderança, se distanciando na reta oposta. Nesse ínterim, Rosenqvist avançou contra seu companheiro e roubou o P2.
Ainda seguindo a linha alta do oval, Rosenqvist mirou em Malukas, que jogou o carro em direção ao muro dos boxes em uma tentativa de quebrar o vácuo aerodinâmico do sueco.
Os dois carros estavam lado a lado a poucos metros da linha de chegada quando Rosenqvist ultrapassou e cruzou o Yard of Bricks em primeiro, com apenas 0,0233 os separando.
“Inacreditável; ainda não consigo acreditar”, disse Rosenqvist. “Deu tudo certo quando voltei para terceiro, e aí eu só precisei acelerar ao máximo pela linha de fora, e deu certo”, disse Rosenqvist. “Foi a maneira mais incrível de terminar e vencer as 500 Milhas de Indianápolis.”
Rosenqvist ainda completou: “Parabéns ao Marcus e ao David. Eles correram de forma muito limpa. É por causa de pilotos como esses que temos corridas realmente boas. Inacreditável.”
Ele também lamentou não ter a presença da esposa e de sua filha recém-nascida, Stella, que veio ao mundo dia 4 de maio.
“Gostaria que elas estivessem aqui comigo. Todo esse mês, me tornando pai e vencendo as 500 Milhas… Brincamos sobre isso no começo: ‘Talvez você ganhe as 500 Milhas e tenha um bebê’. É simplesmente surreal.”
Hélio Castroneves sofreu uma falha no sistema híbrido e abandonou nas últimas voltas, mesmo assim, o brasileiro ultrapassou AJ Foyt como o piloto com mais quilômetros percorridos na história da Indy.
De alguma forma, Helinho também se tornou vencedor dessa etapa. Como sócio minoritário da Meyer Shank Racing com Curb-Agajanian, Castroneves estava a postos para receber Rosenqvist e comemorar a épica vitória.
O vencedor leva tudo e o perdedor tem que cair
A chegada deste ano marca a quinta vez na história das 500 milhas de Indianápolis em que o líder da corrida perde a liderança na última volta.
Para a tristeza de Malukas, ele entra nesse ranking ao lado de Pato O’Ward, Marcus Ericsson, JR Hildebrand e Marco Andretti.
“Não sei o que mais poderíamos ter feito”, disse Malukas, contendo as lágrimas em seu box. “Éramos o carro mais rápido de toda a corrida. Dei 150%. Quer dizer, quase bati esse maldito carro a cada volta, e mesmo assim terminamos em segundo lugar.”
“Eu simplesmente não consigo acreditar. Não sei o que mais posso fazer. Tão perto. Este lugar, vamos voltar e dar tudo de nós. Vamos dar 160% na próxima vez.”
Scott Mclaughlin terminou em terceiro com o Chevrolet n°3 do Team Penske, enquanto Pato O’ward veio para ocupar a quarta colocação, sendo essa sua quinta chegada entre os 4 primeiros pilotos em sete participações nas 500 milhas. Marcus Armstrong completou o TOP 5 com a Meyer Shank.
O pole position, Alex Palou, se manteve a frente do pelotão e liderou por 59 voltas, o maior número entre todos o pilotos, mas terminou em sétimo, mantendo sua vantagem no campeonato.
Porém, na noite de domingo, a equipe de arbitragem da INDYCAR anunciou uma violação técnica e penalidade para o carro n°10, do atual campeão.
Durante a inspeção pós-corrida, a equipe de fiscalização descobriu que a asa dianteira não estava dentro dos limites de altura permitidos.
A Chip Ganassi Racing violou as seguintes regras:
– Regra 14.7.6.8. O para-lama dianteiro deve obedecer às seguintes dimensões de Inspeção Técnica.
– Regra 14.7.6.7.1. Para fins de inspeção técnica, a asa dianteira não deve medir menos de 8,300 polegadas quando ajustada em qualquer ângulo, enquanto instalada no dispositivo de inspeção técnica da INDYCAR.
O carro n°10 foi penalizado com a perda de cinco pontos no campeonato de pilotos e a equipe foi multada em US$ 10.000.
TOP 10
1 – Felix Rosenqvist #60 (Meyer Shank com Curb-Agajanian)
2 – David Malukas #12 (Team Penske)
3 – Scott Mclaughlin #3 (Team Penske)
4 – Pato O’ward #5 (Arrow McLaren)
5 – Marcus Armstrong #66 (Meyer Shank Racing)
6 – Rinus Veekay #76 (Juncos Hollinger Racing)
7 – Alex Palou #10 (Chip Ganassi Racing)
8 – Santino Ferrucci #14 (AJ Foyt Racing)
9 – Romain Grosjean #18 (Dale Coyne Racing)
10 – Takuma Sato #75 (Rahal Latterman Lanigan Racing)


