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Fórmula 1

Voltamos à programação normal

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Acho engraçado como os julgamentos definitivos caem por terra em uma semana. De analistas a torcedores, todo mundo quer dar o veredicto final com base no que acabou de ver. É uma beleza.

Aqueles que encheram a boca para bradar por Sergio Pérez – o redentor dos pobres e oprimidos da F1 – na luta pelo título tiveram que engolir a seco a atuação professoral de Max Verstappen no Grande Prêmio de Miami. Sim, pois a torcida contra o holandês não é pequena em solo tupiniquim.

Verstappen não deu a menor chance. Largando com os pneus duros, foi abrindo caminho nas primeiras voltas e enfileirou ultrapassagens. Uma delas foi dupla ao superar Kevin Magnussen e Charles Leclerc na volta 4. Mesmo com os carros da frente com o composto médio, ele não encontrou a menor resistência para ocupar a segunda posição na volta 15 – isso após largar em nono.

E Pérez? Bom, o mexicano teve que gastar borracha para abrir vantagem e tentar manter a ponta. O problema dessa estratégia não foi com ele, que fez uma boa corrida dentro das suas possibilidades: foi o ritmo assombroso de Verstappen com o composto duro com duração de 45 voltas. Ao largar de médios e passar para os duros, Pérez teria de andar com o pires na mão, ao passo que o companheiro tinha um pneu novinho em folha e bem mais aderente. Ou seja, Checo não tinha a menor condição de ensaiar uma briga pela ponta.

Essa era a circunstância no GP do Azerbaijão de 2022 quando o rádio da Red Bull informou a Pérez o famoso No Fighting. Uma situação com Verstappen voando com pneus mais novos atrás de Pérez em ritmo mais lentos e pneus mais desgastados permitia uma briga inútil se a equipe taurina fosse burra o bastante para permitir isso. Mas como tudo é desculpa para reverberar teoria da conspiração e minar o mérito de Verstappen nas suas conquistas, a amnésia proposital ganha confortos de mau-caratismo. Não haveria a menor chance de ordem de equipe para favorecer Max, como o tal rádio constrangido de Christian Horner ao informar a Perez a sua pole é puro contorcionismo mental e interpretação tosca de quem está disposto a pensar assim.

Para além da Fórmula RBR, Fernando Alonso conquistou seu quarto pódio na temporada. A Aston Martin fez um bem danado ao bicampeão mundial e a recíproca é verdadeira: o temperamento forte e a impaciência de Dom Fernando fizeram a escuderia britânica ter a gana necessária para ir além do pelotão do meio. Ainda que não tenha chances de vitória em condições normais de temperatura e pressão, o carro verde está ali, na espera da primeira bobeada do time taurino.

Mercedes e Ferrari continuam decepcionando em 2023. Não há como definir a situação de ambas a não ser decepção. Mas, é claro, existem as particularidades de cada time.

As flechas prateadas estão prestes a estrear um carro novo. Ainda não se sabe o potencial real do W14B, como ele irá se comportar nas pistas e se terá capacidade de lutar por vitórias. Certo mesmo é que a Mercedes tem no arrasto aerodinâmico do carro atual o seu maior calcanhar de Aquiles. Isso ficou absolutamente claro em Miami: Hamilton e Russell lutaram uma barbaridade para ultrapassar seus adversários nas retas mesmo com o DRS ativado. O quarto lugar de Russell foi um ótimo resultado se levarmos em consideração as condições absolutamente adversas.

Já a Ferrari continua a sofrer com o desgaste acentuado nos pneus, ainda que o carro pareça um pouco melhor em volta lançada. O momento de Charles Leclerc é péssimo, com vários erros cometidos, mas ele continua sendo um piloto extraordinário. Provou isso ao fazer uma boa corrida se considerada a situação enfrentada. Carlos Sainz fez o que podia e trouxe pontos para casa. É um alento, mas ainda longe do que se espera de uma equipe do tamanho da Ferrari.

No mais, destaque negativo para a McLaren outra vez. A equipe não sai do lugar, não consegue evoluir e só anda para trás. Uma pena ver uma dupla como Lando Norris e Oscar Piastri lutar com esta carroça chamada MCL60. Ambos estão conseguindo a proeza de levar tempo até da Williams. Sinal de novos tempos na F1.

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