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Fórmula 1

Como desperdiçar boas oportunidades

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Lando

É de se lamentar que a McLaren não tenha um carro competitivo. Além do peso de uma equipe tão tradicional, o time britânico tem uma dupla de pilotos bastante promissora. Lando Norris e Oscar Piastri são presente e futuro da Fórmula 1, ambos já mostraram bons predicados por onde passaram – Norris tira leite de pedra dos carros laranjas há um bom tempo e Piastri ganhou os campeonatos da F3 e da F2 nas suas temporadas de estreia.

Qualidade na peça entre o cockpit e o volante – mais conhecida como piloto – não falta. O que falta mesmo é carro. A McLaren tem um túnel de vento defasado, um corpo técnico de nível bem questionável e um chefe de equipe que está longe de tomar as melhores decisões. Zak Brown tem méritos na melhora do time, fato – antes dele, a escuderia estava no fundo do pelotão. Mas a piora nos resultados desde a estreia do novo regulamento pode ser em partes creditada a ele.

Nesta temporada, o MCL60 começou como o pior do grid no Bahrein: Piastri abandonou e Norris terminou em último. De lá para cá, uma certa evolução, com ambos chegando nos pontos na Austrália e Norris conquistando um P9 no Azerbaijão. É um alento, mas muito pouco para uma equipe tão tradicional que veio de boas temporadas nos atos finais do regulamento anterior.

Não é a primeira vez que isso acontece. Quantas duplas de pilotos extremamente qualificadas tinham em mãos máquinas limitadoras das suas potencialidades? A F1 tem dessas. Não basta ter talento e estar no lugar errado e na hora errada.

Lembro-me da Williams no começo dos anos 2000 como exemplo no extremo oposto: carro bom e pilotos bem questionáveis. O time contava com os poderosíssimos motores BMW – os mais potentes da F1 naquela época. Porém, além da aerodinâmica não ser das melhores, a equipe de Sir Frank Williams delegou a Juan Pablo Montoya e Ralf Schumacher a missão de levá-los ao topo novamente. Não deu certo. Aquele GP de Indianápolis de 2003 é simbólico: Montoya tinha tudo para fazer uma boa corrida, aproveitar o melhor carro do grid e chegar em Suzuka como favorito ao título daquela temporada. Mas faltou cabeça ao colombiano e a corrida foi desastrosa, alijando qualquer possibilidade de chegar com chances na Terra do Sol Nascente.

A Williams fez um carro com um foguete de motor, mas confiou em dois pilotos de nível abaixo do esperado para um time tão tradicional. A parceria com a BMW tinha tudo para dar certo, mas terminou sem títulos e com queixas de parte a parte. Um final absolutamente melancólico que marcou o começo da decadência da própria Williams.

No caso da McLaren, a equipe não tem parceria com uma montadora. Usa o motor Mercedes, que está longe de ser ruim, mas está longe de ser o mesmo usado pelo time principal. Não por ter menos potência, nada disso: é pelo fato da Mercedes conhecer melhor a sua unidade de potência e poder extrair o máximo com esse conhecimento. A McLaren não. É o preço a pagar – mais um – por ser equipe cliente.

Os tempos áureos do time britânico tinham uma montadora por trás. A McLaren-Ford imortalizou Emerson Fittipaldi e James Hunt na década de 1970. A McLaren-Honda de Ayrton Senna e Alain Prost marcou época, principalmente com MP4/4 – considerado até hoje o melhor carro da história da F1. A McLaren-Mercedes papou dois títulos seguidos com Mika Hakkinen em duelos inesquecíveis com a Ferrari de Michael Schumacher, além do título de Lewis Hamilton em 2008 – o último da equipe. Em todos esses momentos, a equipe tinha um fornecedor de motores com dedicação quase total a ela.

Em suma, a McLaren é uma equipe que parou no tempo e não tem perspectivas sólidas de melhora. Os milhares de patrocínios arranjados por Zak Brown não bastam para solucionar os intermináveis problemas do time.

Norris foi bastante irônico ao ser entrevistado em Miami acerca do fraco desempenho da equipe, deixando claro que a sua paciência com a McLaren estar no limite. Ele é um talento absurdo e teria certamente um lugar em equipes de ponta. Piastri chegou agora, tem uma carreira promissora pela frente, mas duvido que fique por muito tempo se o presente marasmo continuar. Ambos estão certos. Continuar em um time sem perspectiva é suicídio.

Foto: Reprodução/ Autoracing

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