Fórmula E
Parceria e superação: a corrida avassaladora da NEOM McLaren em São Paulo
O Campeonato Mundial do ABB FIA Formula E iniciou sua 11ª temporada em São Paulo com novidades no grid. Além de novas equipes, houve a estreia de pilotos iniciantes na categoria.
A NEOM McLaren foi uma das equipes que contou com um rookie para compor o seu line-up. A equipe tem os dois lados da moeda dentro de seu box na 11ª temporada. De um lado, há o veterano Sam Bird, que está na Fórmula E desde a criação do campeonato. E do outro, tem o jovem Taylor Barnard que acabou de chegar na categoria.
Mas quando questionado sobre seus conselhos para o novato, Bird disse: “Honestamente, o Taylor não precisa de muitos conselhos — ele já é rápido o suficiente, para ser sincero. Um garoto super rápido. Quero dizer, ele ainda é realmente um garoto. Eu e o Lucas (Di Grassi) temos companheiros de equipe muito jovens, e ambos terão carreiras sólidas na Fórmula E ou no que decidirem fazer. Vou tentar ajudá-lo o máximo que puder este ano, mas confie em mim, ele estará bem lá no topo.”
Barnard também só teve elogios para o companheiro de equipe: “Para ser honesto, o Sam é um ótimo companheiro de equipe. Eu não poderia ter pedido alguém melhor. Obviamente, ele é muito renomado na Fórmula E. Eu nem sei o que mais dizer. Ele tem sido muito prestativo. Mesmo quando ele teve o incidente no ano passado e quebrou a mão — o que foi, claro, uma situação infeliz para ele — ele ainda fez o seu melhor para me preparar e me incentivar, mesmo eu estando no carro dele. Então, eu acho que ele é um cara ótimo e será um companheiro de equipe fantástico para mim este ano.”
Antes de fazer parte do grid elétrico, Barnard competia no Campeonato Mundial de Fórmula 2 pela equipe AIX Racing, e também era o piloto reserva e de desenvolvimento da equipe papaya na Fórmula E desde a 10ª temporada. Mas, sua estreia em São Paulo não é a primeira vez que o jovem participa de um E-Prix com a McLaren. O britânico participou das etapas de Mônaco e Berlim na temporada passada quando teve que substituir seu atual companheiro de equipe, Sam Bird, que sofreu um acidente que o impossibilitou de pilotar. Ao pontuar em ambas as corridas da Alemanha, ele se tornou o piloto mais novo a pontuar na categoria.
Quando perguntamos sobre a transição entre os monopostos a combustão para os elétricos, Barnard explicou que não teve muita dificuldade devido sua experiência na temporada passada: “A mudança é bastante significativa, para ser honesto, mas no ano passado eu participei de algumas corridas como piloto reserva, de simulador e de desenvolvimento para a NEOM McLaren. Então, embora eu não estivesse pilotando o carro, eu ainda estava no simulador e tinha uma boa compreensão de como o carro se comportava e como ele dirigia. Nesse sentido, a transição da Fórmula 2 para a Fórmula E não é uma mudança tão grande, porque eu já estava nesse tipo de ambiente no ano passado. Por isso, estou me sentindo preparado.”
Por último, perguntamos para o britânico se ele estava aproveitando a primeira vez dele no Brasil, e ele nos mostrou que ele não tinha se preparado para a temperatura: “Tirando o calor — está bem quente para mim, como você pode ver, estou derretendo aqui — mas, sim, tem sido ótimo até agora.”
Durante a corrida
Ambos os pilotos da NEOM McLaren classificaram mal para o E-Prix de São Paulo, com Sam Bird em 16ª posição e Taylor Barnard logo atrás dele, no 17º lugar. Porém, nenhum dos dois britânicos esperava o que estava por vir durante as 35 voltas de corrida e até antes mesmo da largada. Ambos ganharam uma posição antes mesmo da bandeira verde com a falha no carro da Envision de Robin Frijns, que ocupava o 13º lugar, e teve que ser removido do grid.
Após o primeiro safety car, provocado pela colisão entre Hughes e Muller, Bird precisou ir aos boxes para trocar um pneu furado. No entanto, esse contratempo não foi o único desafio para a McLaren. Ambos os pilotos da equipe papaya receberam uma penalidade de “drive-through” por excesso de uso de energia dos carros.
A situação parecia complicada, mas eles conseguiram cumprir a penalidade durante a primeira bandeira vermelha da prova, que foi acionada devido a um problema no carro de Jake Dennis. Após a relargada, os dois pilotos começaram a ganhar posições no pelotão elétrico, subindo para 3º e 4º lugar.
No entanto, uma nova interrupção ocorreu quando uma colisão envolvendo Maximilian Günther, Nick Cassidy e Pascal Wehrlein — cujo carro acabou tombado na pista — forçou a direção de prova a acionar a segunda bandeira vermelha. Com isso, Taylor Barnard e Sam Bird se prepararam para relargar nas mesmas posições que ocupavam antes da interrupção: 3º e 4º lugar, respectivamente.
Após a relargada, Sam Bird demonstrou espírito de equipe ao incentivar seu companheiro de equipe pelo rádio, pedindo para que Barnard acelerasse e fosse em busca da vitória. Bird garantiu que protegeria o colega dos competidores que vinham logo atrás, criando uma barreira estratégica no pelotão: “Taylor pode ir, ele pode vencer isso! Mas ele tem que ir agora. Porque eu vou começar a sofrer pressão de trás se ele não for. Vamos, Taylor! VAI! VAI! VAI! Ele consegue! Ele consegue! Digam a ele que ele pode fazer isso. A corrida é toda dele! Ele não vai ter pressão. Ele não vai estar sob pressão. Se ele quiser vencer, ele pode ir! Digam para ele pensar onde eles vão entrar na penúltima curva. Pode haver uma chance, se ele se aproximar, de pegar o contra-ataque. Ele pode conseguir um contra-ataque.”
Mesmo com os incentivos de Bird, Taylor não conseguiu chegar ao primeiro lugar em sua corrida de estreia, mas subiu ao pódio do E-Prix de São Paulo com o seu terceiro lugar, assim se tornando o piloto mais novo a subir ao pódio na categoria. E junto ao 4º lugar de Sam Bird, a NEOM McLaren iniciou a temporada liderando os campeonatos de equipes e construtores.
Pós corrida
Após a corrida, a equipe papaya estava em festa. Todos, incluindo Sam Bird, foram ao pódio comemorar a conquista do jovem Taylor Barnard. Apesar de Barnard não ter conseguido lutar pelo primeiro lugar com Mitch Evans e António Félix da Costa, ele apresentou um desempenho incrível.
O desempenho de Barnard também foi impulsionado por sua gestão de energia. No final da corrida, ele ainda dispunha de 4% de carga, uma margem significativa. No entanto, o piloto revelou que o desgaste dos pneus e o controle de temperatura limitaram suas ações nos momentos finais. “Sinceramente, não [haveria outra forma de melhorar o reinício]. Eu estava limitado pela temperatura e pelo desgaste dos pneus, então eu tentei — eu realmente tentei — no final. O Sam estava me ajudando a manter essa terceira posição, então, obrigado a ele. Eu dei tudo de mim no final para tentar ganhar algumas posições a mais, mas, infelizmente, isso não foi possível”, explicou o jovem piloto.
Sam Bird desempenhou um papel fundamental para o resultado. Quando questionado se seu posicionamento no rádio na realidade tinha sido uma decisão de equipe, Sam disse. “Não, isso foi eu dizendo para a equipe: ‘Eu vou cuidar dele’, porque ele tinha mais energia e podia lutar pela vitória. Meu pensamento era que ele iria buscar a vitória, depois eles viriam em minha direção e talvez pudéssemos conquistar uma dobradinha”, revelou Bird.
A atitude de Bird foi elogiada por Barnard, que destacou a relação de colaboração entre eles. “O Sam, obviamente, teve aquele incidente infeliz no ano passado, e quando eu o substituí, ele foi extremamente solidário e me ajudou a me adaptar rapidamente. Ele tem sido exatamente assim durante a minha transição para piloto de corrida em tempo integral. Ele tem sido de grande ajuda. Obviamente, ele é um dos pilotos mais experientes do grid, então ter o apoio dele e tê-lo ao meu lado como companheiro de equipe tem sido incrível”, declarou Barnard.
O ambiente na equipe foi destacado como um fator essencial para o sucesso. A colaboração entre Barnard e Bird é vista como um diferencial para a temporada. “Acho que o ambiente que temos na equipe e o trabalho em equipe que compartilhamos simplesmente acontece de forma natural. O Sam é um ótimo companheiro de equipe — muito experiente — e acredito que ele entende que garantir um terceiro e quarto lugar para a equipe é mais importante do que lutar por um pódio para si mesmo”, reforçou Barnard.
Com esse resultado, Barnard não apenas mostrou seu talento, mas também consolidou a importância do trabalho em equipe. A temporada ainda promete muitas emoções, e a parceria entre Barnard e Bird surge como uma das mais promissoras no grid. A NEOM Mclaren retorna no dia 11 de janeiro, com o segundo E-Prix da 11ª temporada que acontece no Autódromo Hermanos Rodriguez, na Cidade do México.
