IMSA
IMSA e SRO anunciam teste conjunto de BoP para aprimorar equilíbrio dos GT3 em Daytona
Entidades realizarão uma avaliação inédita em dezembro de 2026 no Daytona International Speedway para reunir dados técnicos que servirão de base para o Balance of Performance das 24 Horas de Daytona de 2027
A preparação para as 24 Horas de Daytona de 2027 começará meses antes da bandeira verde. Em uma iniciativa inédita, a International Motor Sports Association (IMSA) e o SRO Motorsports Group unirão esforços para realizar um teste conjunto de Balance of Performance (BoP), reunindo todos os modelos FIA GT3 homologados para a categoria em uma mesma avaliação técnica.
Programada para dezembro de 2026 no Daytona International Speedway, a atividade representa um novo passo na cooperação entre as duas principais organizações responsáveis pelas competições de carros GT no mundo. O objetivo é coletar dados diretamente no circuito que abre a temporada do IMSA WeatherTech SportsCar Championship, permitindo que o Balance of Performance da edição de 2027 das 24 Horas de Daytona seja elaborado com base em informações específicas da pista.
A iniciativa também busca tornar o processo de equalização dos diferentes modelos GT3 ainda mais preciso, levando em consideração as particularidades de um dos circuitos mais desafiadores do calendário norte-americano.
Teste reunirá todos os fabricantes GT3 em Daytona
O plano prevê a participação de um carro representando cada fabricante homologado na regulamentação FIA GT3 e elegível para competir na IMSA. As atividades acontecerão exclusivamente no traçado misto do Daytona International Speedway, cenário da principal prova de endurance do campeonato norte-americano.
A necessidade de um teste específico para Daytona está diretamente ligada à diversidade técnica dos carros GT3. Atualmente, a categoria reúne modelos com arquiteturas bastante distintas, incluindo veículos equipados com motores dianteiros, centrais e traseiros, além de diferentes configurações mecânicas, como propulsores aspirados e turboalimentados. Também convivem no mesmo regulamento motores V6, Flat-Six, V8 e V10.
Esse cenário torna o Balance of Performance uma ferramenta indispensável para equilibrar o desempenho entre fabricantes com conceitos completamente diferentes, preservando a competitividade sem comprometer a identidade técnica de cada projeto.
Mais do que um procedimento regulamentar, o BoP é um dos pilares que sustentam as principais competições de GT do mundo.
Avaliação complementará o trabalho realizado pela SRO
A criação do novo teste não substitui o processo conduzido anualmente pela SRO, mas amplia a quantidade de informações disponíveis para a definição do Balance of Performance.
Tradicionalmente, os modelos GT3 passam por avaliações técnicas no Circuito Paul Ricard, na França. Nessas sessões, pilotos profissionais independentes, selecionados pela SRO, conduzem os diferentes carros em condições controladas para gerar os parâmetros utilizados na elaboração do BoP dos campeonatos administrados pela entidade.
No entanto, a IMSA identificou que as características únicas de Daytona justificam uma etapa complementar de desenvolvimento.
Com longas retas, trechos de alta velocidade e setores bastante distintos em relação aos circuitos europeus, o autódromo norte-americano apresenta demandas específicas que dificilmente podem ser reproduzidas em outros locais de testes.
A decisão também acompanha a evolução recente do campeonato. Desde que os carros GT3 passaram a compor integralmente as categorias GTD e GTD PRO, as 24 Horas de Daytona registraram, em média, mais de 35 carros no grid a cada edição. A chegada de novos modelos homologados tornou o processo de equalização ainda mais complexo e reforçou a necessidade de uma coleta de dados diretamente no circuito.
Dessa forma, as informações obtidas em Daytona passarão a complementar aquelas já reunidas em Paul Ricard, permitindo uma calibração mais refinada antes da abertura da temporada.
IMSA vê iniciativa como passo importante para a categoria
Para o presidente da IMSA, John Doonan, a criação do teste representa um avanço natural diante da evolução da categoria GT3 e do crescimento do número de fabricantes presentes no campeonato.
Segundo o dirigente, as 24 Horas de Daytona reúnem um dos maiores grids de GT3 do automobilismo mundial, tornando essencial que o Balance of Performance seja desenvolvido a partir de dados obtidos nas condições específicas da prova.
Doonan também destacou que a colaboração entre IMSA e SRO permitirá ampliar a qualidade das análises técnicas realizadas antes da temporada, oferecendo uma base mais consistente para a definição dos parâmetros de desempenho.
Cooperação fortalece desenvolvimento técnico entre as entidades
O fundador e CEO do SRO Motorsports Group, Stéphane Ratel, classificou a parceria como um movimento natural para duas organizações que compartilham a mesma filosofia na gestão da categoria GT3.
Segundo Ratel, a SRO acumula mais de quinze anos de experiência na realização de testes de Balance of Performance antes do início de cada temporada. Esse conhecimento poderá contribuir diretamente para a preparação da IMSA, ao mesmo tempo em que permitirá à entidade europeia ampliar sua própria base de dados sobre um circuito com características bastante particulares.
Além do intercâmbio técnico entre as organizações, fabricantes e equipes também serão beneficiados pela iniciativa. O teste oferecerá uma oportunidade adicional para compreender o comportamento dos diferentes modelos em Daytona antes do principal compromisso do calendário norte-americano.
Ao promover um trabalho conjunto, IMSA e SRO reforçam uma aproximação técnica que pode representar um novo marco na evolução do Balance of Performance dos carros GT3. Caso a iniciativa alcance os resultados esperados, a edição de 2027 das 24 Horas de Daytona poderá inaugurar uma nova referência no processo de equalização de desempenho entre fabricantes, contribuindo para disputas ainda mais equilibradas em uma das corridas de endurance mais importantes do mundo.
