Fórmula E
Festa da Jaguar nas ruas de Mônaco
O circuito de Mônaco pode ser criticado em diversas categorias, mas não na Fórmula E, nas ruas de Mônaco, a Jaguar fez história!
Em 2024, não foi diferente. Apesar da tranquilidade da Jaguar para garantir a primeira dobradinha da história da categoria nesse circuito, a corrida, em suas 31 voltas, foi deveras interessante de se acompanhar. Após largar na pole, Pascal Wehrlein segurou o pelotão até a primeira passagem pelo modo de ataque.
Depois disso, o traçado de Mônaco recebeu um show de estratégia, onde o jogo de equipe prevaleceu. Porém, é importante destacar que, para além da quantidade de ultrapassagens – um atrativo a parte da categoria elétrica – outro marco da prova foi a quantidade de incidentes.

Jaguar comemora dobradinha em Mônaco. Foto/Reprodução: Sam Bagnall/ Fórmula E
Uma corrida marcada por batidas
Após a ótima largada do pole position Pascal Wehrlein fez uma ótima largada, deixando o trabalho de defesa nas mãos de Stoffel Vandoorne, que vinha em segundo. Logo, comprovando que ainda era dona de um ótimo ritmo, a dupla da Jaguar vinha atrás, ameaçando a boa posição do belga.
Apesar da boa disputa que vinha se desenhando no pelotão da frente, na parte de trás do grid, o primeiro incidente veio logo na primeira curva. Assim, com um toque entre Nyck de Vries e Oliver Rowland, terminou com um pedaço da asa dianteira do carro da Mahindra na pista.
Ainda com o holandês em cena, o próximo incidente veio com Jake Dennis. Em uma briga por posição, De Vries tentou jogar o atual campeão no muro, logo o piloto da Andretti não cedeu ao ataque, fazendo com que o piloto da Mahindra levasse a pior ao perder o traçado.
Na terceira volta da corrida, Wehrlein aproveitou sua vantagem para ativar pela primeira vez o modo ataque. Porém, nesse movimento, acabou perdendo a posição para Vandoorne, Evans e Cassidy. Após o término da corrida, a impressão é que essa não foi a melhor estratégia.
O primeiro grande incidente da prova veio instantes depois. Assim, Sérgio Sette Câmara acabou jogando Sebastien Buemi contra o muro na curva do hotel. Na sequência, Antonio Felix da Costa não conseguiu desviar, acertando a traseira do carro da Envision.
O português conseguiu sair da situação, assim como Buemi. Porém, ambos caíram para as últimas posições do grid. Logo, o lance gerou uma punição de cinco segundos para o brasileiro, que foi responsabilizado pelo acidente, após a batida inicial ser considerada evitável.
Uma volta depois, ou seja, no quinto giro, Edoardo Mortara passou reto na curva e sozinho, bateu no muro, gerando o primeiro safety car da prova. Com o carro de segurança na pista, Jake Hughes atingiu o carro de Sette Câmara. Dessa forma, o resultado foi a perda da asa dianteira e cinco segundos de punição para o piloto da Neom McLaren.
A relargada foi dada na volta 9, com Vandoorne liderando o pelotão. Porém, nesse momento, Evans passou a ensaiar o ataque em cima do piloto da DS Penske, mas foi prontamente bloqueado. Todavia, um giro depois, Vandoorne acionou seu modo de ataque. Com isso, Evans e Cassidy colocaram a Jaguar na liderança da prova.
Estratégia da Jaguar define o resultado
Assim que a dupla da Jaguar assumiu a ponta, não perderam mais. Logo, comprovando que tinham o melhor ritmo do final de semana, a dupla chegou a trocar as posições, mas mantiveram a ponta pelo restante da prova. Inclusive, na segunda metade da prova, Cassidy aproveitou do bom desempenho de seu carro para segurar o pelotão.
Assim, Evans conseguiu abrir uma boa vantagem. Loog, quando saiu do traçado para ativar o modo de ataque, perdeu posição paenas para o companheiro de time. Logo, foi a vez dele de retribuir o favor, segurando os outros pilotos, de modo que Cassidy pudesse repetir sua estratégia, uma vez que o próprio Evans retornaria para a liderança.
Ao contrário da eficiência da Jaguar, que soube trabalhar e controlar os dois pilotos, a DS Penske sofreu com a estratégia. Ao longo da segunda parte da prova, Jean-Éric Vergne ultrapasou Wehrlein e ficou em quarto, atrás de seu companheiro de equipe. Após se aproximar da zona de pódio, o francês tentou, muito pelo rádio e pouco pela pista, ultrapassar Vandoorne.
Porém, todos os pedidos de Vergne foram frustrados, mesmo que ele alegasse que seguiria a estratégia da equipe rival e devolveria a posição quando abrisse o modo de ataque e em seguida, alegar que era mais rápido na pista. Nada foi o suficiente para convencer a DS Penske a realizar a troca de posições.
Cassidy chegou a questionar se deveria pressionar Evans na briga pela vitória, mas foi guiado pela equipe a manter o ritmo atual. Claramente, a Jaguar não estava disposta a perder a dobradinha histórica. Porém, o cenário que parecia tranquilo, se complicou após Nico Müller bater na barreira e ficar parado na pista na volta 25.
Assim, um novo safety car é acionado, forçando o pelotão a ficar mais próximo. Após a retirada do carro da ABT, a prova foi reiniciada no giro 27, com duas voltas sendo acrescentadas devido as paralisações. A partir desse momento, a questão para os pilotos na zona do pódio era a bateria.
Mitch Evans estava com a bateria cerca de 2% abaixo do nível da de Nick Cassidy. Assim, o líder da prova precisou administrar o consumo de energia nas voltas finais. Contudo, quem estava em uma situação mais complicada em termos de energia era Vandoorne.
Além de ter menos energia que os rivais, ainda precisou segurar os ataques de Vergne. Logo, quando cruzou a linha de chegada, o belga tinha menos de 1% de bateria.
Após chegar ao primeiro lugar pela primeira vez, Evans precisou apenas administrar sua prova e evitar acidentes, mostrando uma atuação muito segura ao longo de todo o fim de semana. Essa foi a primeira vitória do neozelandês em Mônaco. Anteriormente, ele já havia ido ao pódio em outras três corridas no principado.
Cassidy e Vandoorne completaram o pódio. Outros dois destaques da prova foram Norman Nato e Da Costa. O piloto da Andretti terminou a corrida em 10° após largar da última fila e perder a asa dianteira no começo da corrida. Em seguida, o português da Porsche terminou em sétimo, após cair para 20° depois do acidente com Buemi.
