Dakar
Desafio SSV no Dakar: porta de entrada para talentos e palco de disputas intensas
Categorias Challenger e SSV reúnem nomes consagrados, revelações e candidatos ao topo em um dos cenários mais imprevisíveis do rali mundial
Os veículos leves seguem desempenhando um papel fundamental no Dakar, atraindo equipes e pilotos que enxergam nessas máquinas uma combinação perfeita de aventura, competitividade e possibilidade de evolução dentro do rali. As categorias Challenger e SSV consolidaram-se como portas de entrada para talentos que sonham alcançar a elite do off-road — e muitos já fizeram esse salto. A edição 2026, com largada marcada para Yanbu, reforça essa tendência ao reunir duplas experientes, campeões de outras modalidades e estreantes ambiciosos.
A Challenger contará com 38 carros no grid e, entre eles, uma dupla que simboliza a força da categoria: Nicolás Cavigliasso e Valentina Pertegarini. O casal argentino chega como atual campeão do Dakar e também do W2RC, após uma temporada marcada pela regularidade e pela excelente capacidade de leitura de prova. Contudo, a consistência que os levou ao topo não garante tranquilidade na busca pelo bicampeonato. Em 2025, Cavigliasso e Valentina foram superados em etapas importantes por adversários que agora reaparecem como fortes candidatos ao título. Dania Akeel brilhou no Abu Dhabi Desert Challenge, David Zille e Sebastian Cesana levaram vantagem no Safari Rally, e Pau Navarro impôs seu ritmo no Rally de Marrocos — todos prontos para repetir o feito no maior palco do rali mundial.
A lista de candidatos se amplia com nomes de peso vindos de outras categorias. Alexandre Giroud e Ignacio Casale, múltiplos vencedores nos quadriciclos, continuam o processo de adaptação ao novo equipamento, enquanto o bicampeão de motos Kevin Benavides encara seu mais recente desafio sobre quatro rodas. Há ainda figuras icônicas como Bruno Saby, vencedor do Dakar em 1993, que retorna ao rali após quase duas décadas longe das dunas.
No SSV, o nível de competitividade não é menor. A categoria terá 43 veículos no grid e é liderada pelo atual campeão Brock Heger, que conquistou o título em sua estreia no Dakar, um feito histórico. Aos 25 anos, o americano retorna com a equipe Loeb Fraymedia Motorsport e terá concorrência pesada: Xavier de Soultrait, vencedor de 2024; Gonçalo Guerreiro, destaque entre os novatos da Challenger; e o sueco Johan Kristoffersson, dono de oito títulos mundiais no rallycross.
Mesmo diante de tantos nomes fortes, a figura de Francisco “Chaleco” López segue como referência absoluta. O chileno venceu no SSV e no Challenger em anos anteriores e, apesar dos problemas mecânicos que lhe custaram o título em 2025, garantiu cinco vitórias de etapa e fechou a prova na segunda posição, à frente do consistente português Alexandre Pinto, líder do W2RC.
A diversidade técnica e de trajetórias no grid reforça o caráter plural do Dakar, que reúne desde promessas em ascensão até veteranos como Manuel Andújar, Jeremías González Ferioli, o bicampeão do Dakar Classic Carlos Santaolalla e o experiente David Casteu, que parte para sua 15ª participação. Em ambas as categorias, o cenário aponta para uma edição extremamente disputada — fiel à essência do rali em que tudo pode começar.
