Dakar
Dakar 2026 aposta nas motos elétricas e amplia laboratório de inovação da Mission 1000
Terceira edição do Dakar Future Mission 1000 terá protagonismo das duas rodas, reunindo novas tecnologias, pilotos experientes e soluções sustentáveis testadas em condições extremas
O Dakar 2026 dará mais um passo importante em sua estratégia de inovação e sustentabilidade com a terceira edição do Dakar Future Mission 1000, iniciativa criada em 2024 para servir como um verdadeiro laboratório a céu aberto de tecnologias alternativas de propulsão. Desta vez, o foco estará claramente voltado para as motocicletas, que formarão a maioria do grid experimental, em um desafio que combina desempenho, autonomia e confiabilidade em um dos terrenos mais exigentes do planeta.
Ao todo, a Mission 1000 contará com sete motos e um caminhão, que enfrentarão 13 etapas de aproximadamente 100 quilômetros cada, somando 1.071 km de trechos cronometrados. O objetivo não é apenas completar o percurso, mas coletar dados valiosos para o desenvolvimento de soluções técnicas capazes de viabilizar o futuro das competições off-road com menor impacto ambiental.
Entre os destaques está o argentino Benjamin Pascual, vencedor do desafio de motos na edição anterior e, aos 21 anos, o piloto mais jovem do Dakar. Ele retorna em 2026 a bordo de uma motocicleta Segway elétrica, agora significativamente evoluída. Segundo Pascual, o principal avanço foi a redução de 40 kg no peso da bateria, fazendo com que a moto passe a pesar cerca de 200 kg. A expectativa é que essa mudança melhore o desempenho geral, ainda que o projeto continue em fase de desenvolvimento visando avanços maiores já para 2027.
A Mission 1000 também contará com uma forte presença feminina. Esther Merino será a única mulher inscrita em duas rodas nesta edição. Conhecida por sua participação no Dakar Classic de 2022, a piloto madrilenha é múltipla campeã espanhola de off-road e encara agora um novo desafio ao integrar a estrutura sino-espanhola Leopardo Ártico. Ao lado de Miguel Puertas, veterano de 12 Dakars, e de Fran Gomez Pallas, o grupo traça objetivos ambiciosos, incluindo a possibilidade de, no futuro, lutar diretamente contra motos a combustão com modelos elétricos, desde que regulamentações como a troca neutralizada de baterias sejam autorizadas.
Enquanto as motos ganham protagonismo, o prêmio de consistência segue com o caminhão da equipe espanhola KH7 Ecovergy, que dominou as duas primeiras edições da Mission 1000. Equipado com tecnologia híbrida movida a hidrogênio HVO, o veículo reúne um trio altamente experiente: Jordi Juvanteny, José Luis Criado e Xavi Ribas, que somam juntos 69 participações no Dakar. Em 2026, o caminhão estreia um novo sistema híbrido elétrico, capaz de auxiliar na travessia de dunas e operar em modo de emissão zero dentro dos acampamentos.
Outro projeto em pausa estratégica é o HySe, consórcio formado por Toyota, Honda, Kawasaki, Suzuki e Yamaha para o desenvolvimento de um SSV a hidrogênio. Após duas participações experimentais, os fabricantes decidiram interromper temporariamente o programa para aprimorar autonomia e desempenho, com retorno previsto para 2027.
Por fim, a Mission 1000 contará com o apoio do aventureiro Mike Horn, cuja empresa Inocel fornecerá geradores com célula de combustível de hidrogênio para abastecer parte da demanda elétrica dos acampamentos e dos veículos experimentais. Assim, o Dakar 2026 reforça seu papel como plataforma de testes para o futuro da mobilidade sustentável no rali-raid.
