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Dakar 2026 tem grandes favoritos, equilíbrio técnico e promessa de disputa intensa no deserto saudita

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Foto: A.S.O./Aurélien Vialatte

Após as verificações em Yanbu, às margens do Mar Vermelho, equipes e pilotos estão prontos para encarar mais de 8.000 km de prova na 48ª edição do maior rally-raid do mundo

Falta apenas um dia para a largada do Dakar 2026, e o clima é de expectativa máxima no acampamento montado em Yanbu, cidade costeira do Mar Vermelho que recebeu, nos últimos dois dias, as inspeções técnicas e administrativas da 48ª edição do maior rally-raid do planeta. Com todos os protagonistas aprovados nas verificações, o sinal verde está prestes a ser dado para uma edição que promete equilíbrio, disputas abertas e histórias marcantes ao longo de mais de 8.000 quilômetros até a chegada, novamente em Yanbu, no dia 17 de janeiro.

Entre os carros, o cenário aponta para uma batalha de alto nível contra o atual campeão Yazeed Al Rajhi, que defende o título conquistado com a Toyota Hilux. Duas equipes relativamente novas no Dakar chegam embaladas e com potencial real para brigar pela vitória: a Dacia Sandriders e a Ford. O time da Dacia reúne um trio de peso formado por Sébastien Loeb, Nasser Al Attiyah e Lucas Moraes, enquanto a Ford aposta forte nos Raptors conduzidos por Carlos Sainz, Nani Roma e Mattias Ekström.

Loeb chega ao seu décimo Dakar carregando estatísticas impressionantes, mas ainda em busca do título que lhe falta na prova. O francês vem de uma sequência positiva no Mundial de Rally-Raid (W2RC), incluindo sua primeira vitória no Rally do Marrocos, e demonstra confiança ao afirmar que encontrou o ritmo certo para atacar nos momentos decisivos. Ao seu lado, Nasser Al Attiyah, dono de cinco vitórias no Dakar, abriu mão até de compromissos pessoais para focar totalmente na prova, mantendo vivo o sonho de mais um triunfo. Já o brasileiro Lucas Moraes, destaque logo em sua estreia em 2023 com um terceiro lugar, estreia competitivamente o Sandrider no prólogo e aposta em consistência para crescer ao longo da segunda semana.

Do outro lado, a Ford também se apresenta como forte candidata. O equilíbrio entre as principais marcas é tão grande que Carlos Sainz acredita que ao menos uma dúzia de pilotos tenha chances reais de vencer. O espanhol, cinco vezes campeão do Dakar, destaca que tanto Ford quanto Dacia e Toyota evoluíram em relação ao ano passado, o que torna a disputa ainda mais imprevisível. Nani Roma, outro multicampeão, traz a experiência de quem já viveu os altos e baixos extremos da prova e prefere adotar cautela diante de qualquer previsão antecipada.

Nas motos, o favoritismo recai sobre Daniel Sanders, atual campeão do Dakar e do W2RC. O australiano dominou a temporada passada e usará o número 1, mas garante que a edição de 2026 será muito mais dura. Para ele, a regularidade será a chave em uma prova que tende a se tornar mais difícil com o passar dos dias. A Red Bull KTM Factory Racing ainda conta com nomes fortes como Edgar Canet e Luciano Benavides para sustentar sua campanha.

A principal ameaça vem da Monster Energy Honda HRC, especialmente com o espanhol Tosha Schareina, vice-campeão do Dakar 2025 e vencedor do Rally do Marrocos. Schareina assume a pressão de ser apontado como favorito e afirma gostar desse cenário. Outro nome de peso na Honda é o francês Adrien Van Beveren, que acredita viver o melhor momento da carreira e aposta na experiência para buscar um resultado histórico.

Entre os caminhões, Martin Macik tenta algo raro: conquistar o terceiro título consecutivo. No entanto, o tcheco sabe que terá forte oposição do jovem holandês Mitchel van den Brink e de seu compatriota Ales Loprais, que já mostraram força suficiente para ameaçar a hegemonia recente.

As categorias Challenger e SSV também prometem disputas intensas. Nos SSVs, a Polaris chega como referência após duas vitórias seguidas, liderada por Brock Heger, Xavier de Soultrait e Johan Kristoffersson. Já a Can-Am responde com um verdadeiro exército de Maverick R, incluindo nomes como “Chaleco” López e Manuel Andujar. Na Challenger, o campeão Nicolas Cavigliasso adotou uma estratégia independente com sua própria equipe, mas terá de lidar com rivais fortes, incluindo competidores sauditas determinados a brilhar em casa.

Antes do início da maratona pelo deserto, os competidores enfrentam nesta sexta-feira um prólogo de 22 quilômetros em formato de mini-circuito. Embora os tempos não contem para a classificação geral da FIA entre os carros, o cronômetro já valerá para as motos, dando o primeiro indicativo de forças.

Considerado o “Everest” do rally-raid, o Dakar também abre oficialmente a temporada 2026 do W2RC. O campeonato segue em expansão, com novas sedes e crescimento no número de inscritos, reforçando o papel do Dakar como pilar central da modalidade. Paralelamente, provas como o Dakar Classic seguem valorizando a história do evento, reunindo veículos antigos e apaixonados pela tradição do rali.

Com favoritos consagrados, novos protagonistas e um percurso que promete testar limites físicos, mecânicos e mentais, o Dakar 2026 começa com todos os ingredientes de mais um capítulo épico no deserto saudita.

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