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Como funciona a eleição da Presidência da FIA?

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Reprodução: FIA

Nos últimos meses, a eleição da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) é um dos assuntos mais movimentados dos paddocks. Em setembro, Laura Villars e Virginie Philippot formalizaram candidatura à Presidência da FIA. Além delas, o atual presidente Ben Sulayem e o ex-comissário da FIA Tim Mayer também concorrem ao cargo, tornando a disputa histórica e competitiva. 

As eleições da FIA geralmente acontecem durante a Assembleia Geral da Federação, sempre no fim do ano – em 2025 será no dia 12 de dezembro. A edição desse ano será sediada em Tashkent, no Uzbequistão, e contará com autoridades esportivas nacionais e clubes automobilísticos de todo o mundo.

Essa é a primeira vez na história, que se tem registro, que quatro pessoas concorrem à Presidência da FIA. Até então, o que se tem registro é o máximo de dois concorrentes em eleições. 

A estrutura da eleição

No evento, participam representantes esportivos nacionais e de clubes automobilísticos de 245 organizações-membro da Federação, que representam 149 países. Esses clubes, federações e associações auxiliam a FIA ao nível local. Durante a Assembleia serão eleitos a Lista Presidencial, os membros do Conselho Mundial de Mobilidade Automobilística e Turismo e os membros do Conselho Mundial do Automobilismo. Além disso, cada um desses Conselhos Mundiais elege quatro membros para o Senado.

O Conselho Mundial de Mobilidade Automobilística e Turismo é responsável por todas as questões que envolvem a mobilidade urbana e turismo das cidades que sediam alguma competição ligada à Federação. Já o Conselho Mundial do Automobilismo, por sua vez, é responsável por todos os aspectos do automobilismo mundial, do kart à Fórmula 1 e WEC: os regulamentos, regras, segurança e desenvolvimento. 

“A Lista”

“A Lista” é um documento com toda a comitiva do candidato, que também são seus principais apoiadores na eleição. Nessa lista, aparecem os nomes do candidato à Presidência e seu vice; o presidente do senado; um vice-presidente e sete vice-presidentes para esportes; e um vice-presidente e sete vice-presidentes para o setor de automóveis, mobilidade e turismo. 

Como funciona a votação

Cada país membro recebe no máximo 24 votos – distribuídos igualmente entre as categorias de esportes e mobilidade. A quantidade de votos depende dos requisitos que cada nação atende. 

Em relação às escolhas, os representantes podem votar em um dos candidatos ou escolherem pela abstenção. Assim como nas eleições políticas, caso haja apoio absoluto ou maioria simples no primeiro turno, o candidato é eleito. 

Por fim, as cédulas dos votos são contadas em uma sala privada sob supervisão do departamento jurídico da FIA, além da supervisão de uma comitiva de observadores nomeados pela própria Assembleia. Dessa forma, essas medidas garantem a segurança e integridade da eleição. 

Quais são os candidatos à Presidência da FIA em 2025?

Pela primeira na história – que se tem registro público – quatro candidatos concorrem à Presidência esse ano. Também é a primeira vez que uma mulher concorre ao cargo. 

Mohammed Ben Sulayem é o atual presidente da Federação e vem por uma reeleição. Nesse contexto, a campanha de reeleição tem como lema o “FIA for members – A Lot Done”, que reflete o foco em dar poder aos clubes membros, e consolidar a governança da entidade, a volta dos motores V8 para a Fórmula 1 e crescimento do automobilismo no mundo, baseado em diversidade e sustentabilidade. 

No entanto, Ben Sulayem tem uma bagagem de críticas e insatisfações para lidar. Desde o início do seu mandato, surgiram algumas acusações de abuso de poder, falta de transparência e denúncias de tentativas de ter mais poder e controle na Federação. Ele foi investigado em 2023 por supostamente interferir no resultado de determinadas corridas da F1. A saída de figuras de alto escalão da entidade também acenderam um alerta sobre a gestão do emiradense. 

Tim Mayer, ex comissário da FIA, anunciou sua candidatura em julho de 2025. Mayer acumula 34 anos de experiência em diversas categorias do automobilismo e trabalhou na FIA até 2024, quando Ben Sulayem o demitiu por mensagem. O estadunidense lançou a campanha com o lema “FIA Forward”, baseada em “profissionalismo, inclusão, crescimento e integridade, mas, acima de tudo, serviço a vocês, os Clubes Membros da Federação”, segundo o site oficial da campanha.

Laura Villars é a primeira mulher da história da FIA a se candidatar à Presidência. Villars é uma piloto suíça que corre na Ligier European Series. Ela também já correu na Ferrari Challenge Europe, na Fórmula 4 dos Emirados Árabes e Ultimate Cup Series F3R. Em sua campanha, Laura propõe mais transparência nas finanças, mais diálogo entre Federação e integrantes e um automobilismo mais inclusivo e acessível.

Virginie Philippot foi a última a divulgar sua candidatura, na última semana de setembro. Além de atuar como jornalista de automobilismo, ela é apresentadora de TV e já apresentou eventos de grandes marcas esportivas, como a própria RedBull. Como propostas de campanha, além de fortalecer a diversidade e inclusão no esporte, Virginie tem uma visão de aproximar a Federação das equipes e dos membros, e fortalecer a missão global da entidade.

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