IndyCar
Colton Herta quebra jejum em um fim de semana de gala
Quão longínquo pode ser o jejum de vitórias de um piloto? A resposta para essa pergunta não é exata, mas para Colton Herta, a resposta é: 40 corridas, 2 anos, 2 meses e 7 dias. A última vez que o piloto do #26 havia cruzado a linha de chegada em primeiro, foi no GP de Indianápolis de 2022.
Para mudar esse cenário, Herta fez uma atuação impressionante ao longo de todo o fim de semana. Liderando todas as sessões do fim de semana, o piloto da Andretti converteu a pole em vitória, resistindo a diversas relargadas e triunfando de forma magistral, espantando o fantasma que vinha o assombrando há tempos.

Colton Herta a bordo do #26 da Andretti. Foto/Reprodução: Chris Owens/IndyCar
Terminado do jeito que começou, a Andretti conseguiu emplacar uma dobradinha, conquistando um ótimo resultado e construindo o caminho para voltar a se colocar nas disputas entre Ganassi e Penske. Porém, se a equipe teve vida fácil à frente do pelotão, isso certamente não ilustra o que foi a corrida.
Sequência de amarelas marcam começo da prova
Herta deu o pé assim que a bandeira verde foi agitada. Logo na largada, o carro #26 fez uma boa saída, sendo acompanhado de perto de seu companheiro de equipe. Quem também conseguiu uma boa arrancada foi Scott McLaughlin, que ultrapassou Rosenqvist assim que a prova começou.
Porém, a primeira volta durou poucos metros. Logo, um incidente envolvendo Christian Rasmussen e Santino Ferrucci, que acertaram o muro, trouxe a primeira amarela da prova. Todavia, apesar do rookie abandonar a corrida, o piloto da A.J. Foyt conseguiu levar o carro para os boxes, trocou a asa dianteira danificada na batida, e retornou para a pista.
A bandeira volta a ser agitada na quinta volta. Novamente, Herta faz uma ótima arrancada. Seguido muito de perto de Kyle Kirkwood, premissa que se manteve ao longo do 85 giros em Toronto. Novamente, o período de bandeira verde durou pouco, na mesma volta em que a corrida recomeçou, outra bandeira amarela surgiu.
Dessa vez, a responsabilidade ficou por conta de Agustín Canapino. Em uma disputa lado a lado com Scott Dixon, o argentino acabou sendo otimista demais ao dividir o trecho, acabou atingindo o carro da Ganassi e em sequência parou no muro.
A prova recomeçou na volta 9. Após o começo travado, a corrida seguiu por um longo período, no qual as equipes começaram a desenhar suas paradas e um personagem surpresa apareceu para lutar para a vitória.
Colton Herta e Kyle Kirkwood seguram o pelotão
Como já foi adiantado, a dupla da Andretti estava impondo o ritmo da prova. Porém, após largar de 15º, Scott Dixon aproveitou-se da parada daqueles que largaram de pneus macios para avançar. Logo, sendo especialista na economia de combustível, o neozelandês, com a ajuda do push to pass, alcançou o terceiro posto.
Em relação as trocas de pneus, os três postergaram suas paradas ao limite. Dessa forma, Kirkwood foi orientado por seu estrategista a poupar o máximo de combustível possível. Logo, a ideia era parar o piloto após Herta e assim tentar um undercut.
Apesar da parada do carro #27 ser ligeiramente mais rápida, Kirkwood retornou para a pista atrás de Herta. Contudo, quem não tinha nenhuma relação com essa disputa interna era Dixon, que seguia em terceiro, com uma estratégia muito próxima a dos pilotos da Andretti.
Entre as voltas 58 e 64, o piloto da Ganassi reduziu três segundos da diferença para o líder, ficando a um segundo dos rivais. Porém, no giro 67, Dixon reporta um excesso de vibrações em seu carro e começa a perder desempenho. Em seguida, seu companheiro de equipe, Kyffin Simpson atingiu o muro após perder o tempo de freada, trazendo a amarela de volta.
Quatro voltas depois, a pista foi liberada. Como na Indy amarela chama amarela, logo ocorreu uma nova paralisação.
Indy volta a falhar com o timing
Porém, dessa vez, a amarela chamou a vermelha por pura incompetência por parte da direção de prova. Novamente, a categoria demorou para acionar a bandeira amarela, o que resultou em um acidente envolvendo cinco pilotos.
Em um primeiro momento, Pato O’Ward travou o pneu traseiro esquerdo e acabou no muro. Nesse momento, a bandeira amarela deveria ter entrado em ação, uma vez que o acidente foi na entrada da curva, onde os pilotos não tinham visibilidade do que estava a frente.
Porém, como nenhuma sinalização surgiu, os pilotos seguiram em alta velocidade. Alguns pilotos conseguiram, por pouco, desviar. Todavia, esse não foi o caso de Marcus Ericsson, que acabou batendo ao lado de O’Ward. Em seguida, Pietro Fittipaldi bateu na parte traseira do carro da Arrow McLaren e na sequência, no muro.
O impacto mais forte aconteceu logo depois. Santino Ferrucci, seguindo o mesmo traçado do brasileiro, também atinge a traseira do carro #5. Porém, o carro da A.J. Foyt decola e acaba de ponta cabeça, antes de atingir o chão, o #14 bate na asa traseira do carro de Fittipaldi.
Como se o estrago não tivesse sido forte o bastante, o novato Nolan Siegel também não conseguiu desviar e, pela terceira vez após a batida inicial, O’Ward é atingido. Ao contrário dos impactos anteriores, a força desse jogou o carro do mexicano de volta para a pista.

Pato O’Ward via X
Após todos esses incidentes, a direção de prova acionou a bandeira vermelha e a prova foi paralisada para que o socorro fosse prestado aos acidentados. Como o impacto de Ericsson foi o mais leve, o sueco tentou levar seu carro para os boxes, mesmo com todos os danos causados pela batida.
Após o atendimento médico, tanto Ferrucci como O’Ward criticaram a demora pela amarela, com o mexicano indo mais além e, após a prova, criticando abertamente a direção de provas da Indy em suas redes sociais.
Essa não foi a primeira vez que a categoria falha no tempo de acionamento de uma bandeira amarela, Porém, em nenhuma das reincidências, a segurança dos pilotos esteve em jogo.
Acabou a amizade na Penske?
Após um longo período de bandeira vermelha, a prova recomeçou restando nove giros para o final. Novamente, a dupla da Andretti ditou o ritmo, mas dessa vez, Dixon não conseguiu acompanhar tão de perto.
Assim que a prova recomeçou, a amarela retornou. Dessa vez, McLaughlin foi para o muro. Em um primeiro momento, a situação parecia ter sido um erro isolado. Porém, foi resultado de uma tentativa de ultrapassagem de Will Power, que jogou seu carro em cima do de seu companheiro de equipe.
O vice-líder do campeonato foi punido com um drive through. Além disso, após sair do carro, McLaughlin esperou próximo da pista, aplaudindo Power ironicamente. Como resultado dessa batida, um toque sutil entre Lundgaard e Newgarden fez com que o vencedor da Indy 500 precisasse ir par os boxes trocar o pneu furado.
Com o recomeço da prova, Kirkwood se aproximou bem de Herta, ficando em uma distância de 0.3s, mas não conseguiu um ataque final. Dessa forma, Colton Herta fez as pazes com a vitória, com Kirkwood e Dixon completando o pódio.
Colton Herta entra na briga pelo campeonato
Após erros e incidentes dos rivais pelo título, o líder Alex Palou, que começou a prova em 18º, ficou com o 4º lugar. Assim, abriu 49 pontos de vantagem sobre Will Power. Agora, o espanhol soma 411 pontos, contra 362 do adversário.
Com o pódio, Scott Dixon sobe para terceiro com 352 tentos. A vitória rendeu para Colton Herta o quarto lugar na tabela, totalizando 354 pontos. Fechando o top-5, Pato O’Ward segue com 340 pontos.
Agora, a IndyCar entra em um hiato de três semanas, devido aos Jogos Olímpicos de Paris. O próximo compromisso da categoria é em 17 de agosto, em St. Louis.
