WEC
Alpine admite “tantas áreas para melhorar” e projeta mudanças profundas no A424 para 2026
Equipe francesa avalia evolução do projeto Hypercar e cobra mais clareza da FIA e da ACO sobre regulamentos para alinhar futuro desenvolvimento
Com quase duas temporadas de experiência no FIA WEC com o A424, a Alpine Endurance Team já sabe: se quiser romper a barreira do pelotão intermediário e se tornar uma candidata real a vitórias e, futuramente, a títulos, precisará transformar seu carro em uma máquina mais eficaz em diferentes tipos de circuito.
Apesar dos progressos em confiabilidade neste ano, o desempenho ainda é irregular. O diretor da equipe, Philippe Sinault, admite que a adaptação às mudanças recentes no BoP e às novas filosofias dos regulamentos tem sido um desafio. “No momento, estamos perdendo alguns detalhes para estar no nível certo e cometemos muitos pequenos erros. A filosofia dos regulamentos mudou um pouco com a velocidade máxima, e não conseguimos nos adaptar bem. Homologamos o carro focado em Le Mans, nas longas retas do Circuit de la Sarthe, mas as regras mudaram e isso realmente não nos ajuda”, explicou.
Segundo ele, a tentativa da FIA e da ACO de aproximar a performance de todos os fabricantes trouxe dificuldades adicionais. “Tentaram nos ajudar a trazer mais downforce, mas não conseguimos aproveitar, porque nosso carro não foi projetado para isso. No fim das contas, sentimos a dor em dobro”, reconheceu. A equipe espera que as entidades forneçam uma visão mais clara e estável sobre a filosofia do BoP nos próximos anos, permitindo que os fabricantes alinhem seus projetos de forma consistente.
Apesar das dificuldades, Sinault reforça que a Alpine não pretende reclamar, mas sim evoluir. “A ambição das regras é alta, e aceitamos isso. Estamos abertos para fazer melhorias e mudanças no carro no futuro. Difícil dizer qual rumo tomaremos, porque temos tantas áreas a melhorar. Mas precisamos de uma linha clara para definir nosso caminho”, afirmou.
No horizonte de longo prazo, a Alpine acompanha de perto as discussões sobre uma possível convergência regulatória que pode simplificar o cenário do Hypercar até 2032. Há a possibilidade de se caminhar para uma única plataforma — seja apenas LMH, apenas LMDh, ou até uma nova fórmula que una aspectos dos dois conjuntos técnicos. Para Sinault, uma regra mais simples beneficiaria todos. “O certo é que um conjunto de regras mais simples e justo para todos facilitaria a vida dos governantes”, destacou.
Enquanto isso, o foco imediato da Alpine está em otimizar o uso do próximo EVO Joker, avaliando ajustes principalmente no pacote aerodinâmico. O motor, agora gerido internamente em Viry, deve permanecer com a mesma base, mas a equipe aposta em avanços de software e gerenciamento eletrônico para explorar melhor o potencial do carro.
Com uma temporada de altos e baixos em 2025, a Alpine reconhece suas limitações, mas também enxerga oportunidade. Se conseguir alinhar projeto, regulamento e estratégia, o A424 poderá finalmente dar o salto necessário para competir de igual para igual com as gigantes do WEC.
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