Fórmula 1
Segunda Bandeirada #54: O melhor de Verstappen – e o pior da McLaren

Foto: Red Bull Content Pool
Após duas vitórias seguidas de Lando Norris, a disputa pelo título mundial parecia algo superado. É fácil entender o porquê: a pontuação colocava Norris como franco favorito, restando a Oscar Piastri e Max Verstappen a torcida por um milagre. Além disso, foram dois triunfos com performances sólidas – o britânico sobrou tanto nos treinos classificatórios quanto nas corridas, não deu a menor chance para a concorrência. A primeira estrela parecia questão de tempo.
Pois bem, no meio do caminho tinha Las Vegas. E a roleta girou de forma nada favorável a Norris. Ele até fez a pole, mas perdeu a ponta após uma largada desastrosa e viu o rival Verstappen vencer com uma vantagem de pouco mais de vinte segundos. Até aí, nada desesperador – a vantagem na tabela ainda era confortável. Só que a inspeção técnica da FIA nos carros da McLaren detectou uma irregularidade na altura do carro, e aí não tem conversa: a letra da lei pune com desclassificação. A distância confortável de 42 pontos foi reduzida para 24.
Os treinos foram caóticos com a presença da chuva. Com poucos dados confiáveis e a perspectiva de pista seca para a corrida, as equipes viveram um dilema: fazer um acerto com mais pressão aerodinâmica para ir bem no qualy e perder desempenho na corrida ou sacrificar o treino para ir bem no dia seguinte? Além disso, deve-se lembrar que Las Vegas é um circuito de alta velocidade com retas generosas. O ideal é andar com pouca asa para ter ganho de performance.
A McLaren parece ter escolhido a primeira opção. É notório que a velocidade final não é o forte do MCL39 e os circuitos com curvas de baixa são mais favoráveis. A chuva exige mais downforce, carro colado no chão e pressão aerodinâmica. O ótimo desempenho de Norris não veio por acaso. Contando com uma máquina ideal para as circunstâncias e colocando em prática o seu talento absurdo, cravou a pole com três décimos de vantagem para Verstappen, que anotou o segundo tempo.
As circunstâncias seriam diferentes no dia seguinte: pista seca e necessidade de maior velocidade de reta. Era sabida a vantagem da Red Bull em ritmo de corrida, restando a Norris o desafio de manter a ponta e tentar sustentar a posição durante a prova. Nessa hora, a remontada psicológica que deu resultado na pista seria colocada à prova. E foi nesse momento que se viu o Norris de outros tempos: ao tentar manter a ponta e jogar o carro em cima de Verstappen, ele errou o ponto de frenagem, perdeu a tangência e escapou para fora da pista. Viu o tetracampeão assumir a liderança e também perdeu posição para George Russell.
Durante a corrida, o engenheiro de Norris pediu para o britânico tirar o pé nas curvas 9 e 17 – ambas precedidas por duas grandes retas. Foi apontado uma suposta preservação dos pneus, mas a queda brusca de desempenho nas voltas finais fez com que fosse levantado a hipótese de problema com combustível. Algo estava muito errado. Verstappen cruzou a linha de chegada com vinte segundos de vantagem, algo que nem a superioridade da RBR poderia explicar de maneira satisfatória.
Depois do pódio, a celebração e toda a pompa de Vegas, veio a notícia da desclassificação de ambos os carros da McLaren por andarem com uma altura abaixo da determinada pelo regulamento. A infração foi detectada pelo desgaste anormal no assoalho dos carros papaias. Diretivas técnicas não podem ser confundidas com penalizações desportivas: elas são regras claras sem margem para interpretações. Nesse caso, a pena é a desclassificação e não tem conversa.
Em suma, Vegas mostrou o porquê de Max Verstappen ser um dos maiores e melhores da história. E também demonstrou o quanto a McLaren precisa melhorar como equipe – é ridículo ter o campeonato aberto com um foguete como o MCL39.
Lando Norris ainda tem o campeonato na mão. Se ele sair do Qatar com 26 pontos de diferença – dois a mais que a vantagem atual – que os seus concorrentes, será campeão. Ambas as pistas restantes são favoráveis à McLaren. Dificilmente o britânico não terá boas performances em Losail e Yas Marina.
Porém, o impacto da desclassificação – e dos pontos perdidos – pode dar um tempero a mais nessas duas últimas provas. Norris precisa manter a cabeça no lugar, o que não aconteceu na largada em Vegas. Enfrenta um Verstappen que dificilmente comete erros e está sedento pelo pentacampeonato. Não há margem para erros.
