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Fórmula 1

Segunda Bandeirada #39: Hasta la vista, cabrón

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Era esperado e demorou além da conta, mas aconteceu: Sergio Pérez deixou a Red Bull após o final desta temporada. Despedida silenciosa, nada de homenagem ou algo do tipo por parte da equipe em Abu Dhabi, palco da sua última – e melancólica – corrida.

O final foi a tônica de 2024: decepção. Se em Yas Marina o mexicano abandonou já na primeira volta após um entrevero com Valtteri Bottas, as corridas anteriores não foram diferentes. Pérez colecionou erros, performances ruins e constatou o que era óbvio para muitos: ele está abaixo do que um piloto necessita para andar numa equipe como a RBR.

Bem diferente do começo, é verdade. Pérez chegou no time taurino após um bom ano com a finada Racing Point: dois pódios e uma surpreende vitória no Grande Prêmio do Sakhir de 2020. Ao contrário das temporadas anteriores, a Red Bull apostava na experiência – em 2019 a equipe optou por Pierre Gasly e teve Alexander Albon como companheiro de Max Verstappen durante uma temporada e meia. A meta era clara: trazer alguém que pudesse acompanhar Verstappen de perto e não ser tão irregular quanto os dois anteriormente citados.

O começo não foi nada fácil. Também não deveria ser, pois guiar uma máquina projetada por Adrian Newey é tarefa digna dos grandes pilotos. Pérez sofreu com o RB16B, um carro muito traseiro e nervoso. Até que na sexta corrida da temporada, Checo chegou ao lugar mais alto do pódio. A vitória no Azerbaijão foi a primeira na carreira, e embora tenha sido circunstancial pelo furo de pneu no carro de Verstappen e o erro crasso de Lewis Hamilton ao jogar toda a carga dos freios nas rodas dianteiras, a ida para a RBR valeu a pena para ambas as partes já em Baku.

Para a Red Bull, o momento que certamente foi o mais importante aconteceu no GP de Abu Dhabi, a famosa decisão do título de 2021. Pérez tinha pneus macios de 22 voltas contra um verdadeiro foguete de Hamilton calçado com um composto duro de seis. Mesmo com tamanha desvantagem, ele segurou o heptacampeão e fez Verstappen ganhar o tempo necessário para poder parar no VSC após o abandono de Antonio Giovinazzi – algo que teve repercussão na parada após o SC provocado por Nicholas Latifi, que esborrachou a sua Williams no guard rail. Checo ajudou demais o companheiro a ser campeão.

Os dois anos seguintes foram aceitáveis. As vitórias em Mônaco, Singapura, Jeddah e Baku – em ordem cronológica – foram obtidas com méritos praticamente absolutos – em Singapura 2022, Verstappen largou em oitavo. A coisa realmente desandou nesta temporada e a Red Bull virou a equipe de um piloto só, pois Checo não passava do Q1 e batia constantemente. Em grande parte, está na conta dele o campeonato de construtores ter ido para o brejo de forma tão prematura.

A Red Bull já anunciou Liam Lawson como seu substituto. É um piloto jovem, rápido e que demonstrou potencial na Racing Bulls – nunca vou chamar essa equipe de Visa Cash App sei-lá-o-resto. Sua primeira preocupação é não andar muito atrás de Verstappen, pois o time taurino tem um histórico de pouca tolerância em casos semelhantes. Para o seu lugar na RB, Isack Hadjar foi o escolhido para correr ao lado de Yuki Tsunoda. Vice-campeão da F2, ele chega sem provocar tanto entusiasmo: é um bom piloto, mas nada brilhante ou especial. Minha curiosidade é saber como a escuderia vai lidar com dois pilotos temperamentais e explosivos.

Qual o destino de Sergio Pérez? Bom, o grid da Fórmula 1 para 2025 já está completamente preenchido. Se ainda quiser correr na categoria, Pérez precisa esperar no mínimo uma temporada. Para um piloto com quase 35 anos, é um tempo considerável, pois não resta muita coisa e o auge físico e técnico parece ter passado. Além disso, ele saiu da Red Bull por um desempenho abaixo da crítica. Dificilmente uma equipe de ponta estaria de portas abertas para Sergio em tais condições. Restaria uma possível vaga numa equipe do meio ou do fundo do pelotão, mas certamente não é lá muito interessante.

Aposto que ele ainda volta. O paddock da F1 está recheado de pilotos demitidos que foram chamados de volta por inúmeras razões – Kevin Magnussen, Nico Hülkenberg e o já aposentado Daniel Ricciardo são os melhores exemplos lembrados por mim. Então, hasta la vista, cabrón.

 

Foto: Red Bull Content Pool

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