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Fórmula 1

Segunda Bandeirada #40: A hora dos meninos

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Foto: Reprodução/ X / F1

Há dois anos, este colunista espinafrou os rumos tomados pela Fórmula 1. Falei do vexatório veto à Andretti, quando o clubinho fechado fez de tudo para impedir a entrada da décima primeira equipe no grid – tudo por questões financeiras. Outra coisa que destaquei foi a troca de Mick Schumacher por Nico Hülkenberg, coisa típica da Haas de Gunther Steiner – a troca foi ótima para a equipe, mas dava um péssimo indicativo aos jovens pilotos que buscavam um assento na F1.

Pois bem, a F1 de 2025 trará ares novos. Pelo menos seis pilotos são rookies. Embora Oliver Bearman e Liam Lawson assumiram vagas na Haas e na Racing Bulls, o próximo será o primeiro em que ambos começarão uma temporada inteira em suas novas equipes – no caso de Lawson, ele estará na Red Bull. Além disso, as trocas de equipes foram frenéticas. Um grid com muitas alterações e novas possibilidades está aí.

A cereja do bolo é Gabriel Bortoleto. Para nós, brasileiros, representa o retorno à F1 depois de seis temporadas. Bortoleto chega após vencer a F2 e a F3 em seus respectivos anos de estreia, o que o colocou no mesmo patamar de Charles Leclerc, George Russell e Oscar Piastri, pilotos que repetiram a façanha e foram vistos com outros olhos pelo andar de cima. Ele guiará a Sauber ao lado de Hülkenberg, pois a McLaren é inacessível. Sua principal missão: andar próximo do experiente alemão e evitar batidas frequentes. Alcançando essas duas metas, estará em boas condições para 2026.

O vice-campeão da F2 também conseguiu uma vaga. Isack Hadjar será piloto da Racing Bulls no lugar de Liam Lawson, que foi promovido à Red Bull após a saída de Sergio Pérez. Não o vejo com grande entusiasmo: é um piloto rápido, mas irregular e com temperamento explosivo. Imagine então ao lado de Yuki Tsunoda, que pode até ter ficado mais calmo após quatro temporadas na equipe, mas continua um encrenqueiro nato. O time comandado por Laurent Mekies terá trabalho ao lidar com dois pilotos vulcânicos como Hadjar e Tsunoda.

A dupla da PREMA na F2 estará no grid da F1: Oliver Bearman será piloto Haas e Andrea Kimi Antonelli estará na Mercedes. Enquanto o primeiro andará numa equipe do meio para o fina do pelotão, o último entrará na parte de cima com a pressão de substituir Lewis Hamilton. São situações diferentes, e embora Bearman seja um piloto talentoso, é de Antonelli que se espera mais. Ele venceu a Fórmula 4 italiana e a FRECA, subindo direto para a F2. É tratado como um prodígio e futuro campeão mundial. Terá mais paciência da equipe por isso.

Já no caso de Bearman, ele estará na Haas ao lado de Esteban Ocon, o pior companheiro de equipe possível. O francês é outro encrenqueiro nato e saiu pela porta dos fundos da Alpine justamente por isso – nada a ver com Flavio Briatore. Como Antonelli, venceu a Fórmula 4 italiana. É um piloto talentoso, mas ainda verde para almejar coisas grandes na F1 – ainda mais na equipe que está.

Jack Doohan assumirá a vaga de Ocon na Alpine. Piloto de resultados um tanto modestos – destaque para o vice da F3 em 2021 e a terceira colocação na F2 no ano passado –, ele terá como lar uma equipe em franca metamorfose. O time deixará de usar o motor Renault e será cliente da Mercedes a partir de 2026, um movimento lógico pelo trabalho pífio da montadora francesa desde o começo da era híbrida, mas humilhante e revelador da sua própria mediocridade. Doohan chega com o mesmo desafio dos demais: sobreviver no ano de estreia – ainda mais se levarmos em consideração o enorme apreço de Briatore por Franco Colapinto, piloto que ficará sem vaga e mostrou potencial na Williams.

Quanto a Liam Lawson, já o citei muitas vezes e não tenho muito o que acrescentar. Ele terá Max Verstappen como companheiro, simplesmente o atual tetracampeão mundial. A Red Bull costuma ter pavio curto com seus pilotos, embora tenha mantido Sergio Pérez mais do que o necessário. Então, Lawson não tem muito o que fazer além de evitar batidas desnecessárias e andar mais ou menos próximo de Verstappen – ao menos no mesmo segundo.

A F1 estará bem arejada em 2025. Definitivamente, chegou a hora dos meninos mostrarem seu valor. É uma temporada que promete muito.

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