Fórmula 1
Segunda Bandeirada #35: O tetra, a consagração inconteste e o privilégio
Max Verstappen conquistou o seu quarto título mundial no Grande Prêmio de Las Vegas. A corrida realizada na cidade famosa pela jogatina – e outras coisas impublicáveis – foi palco da decisão antecipada do título: o quinto lugar do holandês foi o suficiente para o desfecho matemático, pois era algo anunciado há tempos e não constitui surpresa alguma.
Foi uma corrida burocrática, ainda mais se compararmos com a do ano passado – pessoalmente bem melhor para mim, Las Vegas 2023 eu assisti num quarto de UTI. A Mercedes confirmou o bom ritmo nos treinos e emplacou uma dobradinha com vitória de George Russell, a Ferrari vem numa crescente interessante e chegou logo atrás, e a McLaren dá sinais de preocupante estagnação.
No geral, as fortes emoções passaram longe do circuito de retas longas e desenho peculiar. Nem mesmo os pegas de Liam Lawson, Nico Hülkenberg e Franco Colapinto valeram uma madrugada em claro para quem não é apaixonado por automobilismo. Quem foi dormir perdeu pouco ou quase nada.
Passamos ao campeão. Verstappen empilha a quarta taça seguida e adiciona mais dourado em sua vitoriosa carreira. Aquele menino vulcânico, impetuoso e até mesmo errático dos tempos de Toro Rosso e de uma Red Bull abaixo da crítica graças ao fraquíssimo motor Renault deu lugar ao experiente piloto que sabe a hora certa de atacar e quando jogar com o regulamento debaixo do braço. O seu talento nunca foi colocado em xeque, exceto por quem confunde a Fórmula 1 com reality show mequetrefe. O que sempre faltou foi carro, e mesmo nos tempos dourados para Lewis Hamilton e Mercedes, Verstappen chegava lá e conquistava vitórias incríveis – Áustria 2018, Hockenheim 2019 e o GP dos 70 anos em 2020 são alguns exemplos notórios.
Os antipáticos de plantão podem apontar o dedo para o agora tetracampeão e falar que ele só ganha com carro dominante. Bom, a Fórmula 1 sempre foi isso: vence quem é melhor e tem a máquina certa no momento adequado. Foi assim com Prost, Senna, Schumacher, Vettel e Hamilton – Fangio, Stewart e Piquet são casos peculiares. Uma categoria que é marcada por domínios de equipes hegemônicas não pode surpreender quem a acompanha – ou diz acompanhar – acerca desse fato em 2024.
Porém, a conquista com o melhor carro do grid não foi o caso de Verstappen nesta temporada. Se ele teve tal privilégio no começo, não se pode dizer o mesmo do meio para o final. As sete vitórias nas dez primeiras corridas foram fundamentais para o tetra, mas a condução da vantagem após a afirmação da McLaren como melhor equipe e o crescimento de Ferrari e Mercedes foi a chave da abóbada. Lidar com um carro que muitas vezes foi terceira – ou mesmo quarta – força em algumas corridas provou que ele é fora de série. Como se ainda faltasse alguma coisa… Para os antipáticos, um cala-boca definitivo.
Verstappen é o terceiro maior vencedor da história da F1 com seus 62 triunfos. Tive o privilégio de acompanhar cada um deles. Constatei a genialidade de um piloto ímpar, cercado de pompa e circunstância, mas que só quer correr e chegar em primeiro. Vi performances absurdas, daquelas reservadas aos gênios do esporte a motor e que ficam na memória dos apaixonados pela velocidade. Não há outra palavra mesmo: privilégio. Acompanhar a história ser escrita diante dos meus olhos é sensacional, ainda mais para quem é fã de um piloto cuja carreira foi acompanhada desde os primeiros passos na categoria mais popular do automobilismo mundial.
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Sou fã de Verstappen, como também dos outros gigantes do presente e do passado. Ao falar de F1, você citará Schumacher, Hamilton, Fangio, Senna, Prost, Vettel, Lauda… Não necessariamente nessa ordem, pois gosto é muito pessoal, mas essas lendas do volante serão lembradas eternamente. Pois bem, o tetracampeonato coloca definitivamente o holandês nesse balaio. Será impossível não tocar no seu nome ao lembrar da categoria.
O que acontece em Vegas, fica em Vegas. Não conheço a origem dessa expressão e nem me interessa agora, mas no caso da corrida de ontem, o que aconteceu em Vegas ficou para a história. Max Verstappen conquistou a sua quarta estrela e foi coroado definitivamente como um dos reis da F1. Uma carreira e tanto a sua, e cabe mais. Estamos diante de um gênio das pistas que parece ter uma gana infinita de vencer.

Verstappen comemora o quatro título consecutivo – Foto: Getty Images via Red Bull Content Pool
