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Pipo Derani abre o jogo sobre Interlagos, a aposta na Genesis e o sonho de correr um Mundial em casa

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Derani
Foto: Paulo Abreu

Único brasileiro na categoria Hypercar do FIA WEC, piloto conversou com o Vai Que Tô Te Vendo sobre a emoção de disputar as 6 Horas de São Paulo, a mudança para a Genesis Magma Racing e os desafios de desenvolver um carro completamente novo.

A etapa brasileira do Campeonato Mundial de Endurance (FIA WEC) representa muito mais do que uma corrida para Pipo Derani. Depois de mais de uma década construindo sua carreira entre Estados Unidos e Europa, o paulista finalmente terá a oportunidade de disputar uma prova da principal categoria do endurance mundial em sua cidade natal.

Único brasileiro no grid da Hypercar, Derani chega a Interlagos vivendo uma nova fase da carreira. Após conquistar os principais títulos do endurance norte-americano, o piloto decidiu iniciar um projeto completamente diferente ao aceitar o convite da Genesis Magma Racing para participar da estreia da fabricante na principal categoria do FIA WEC.

Em entrevista exclusiva ao Vai Que Tô Te Vendo, o brasileiro falou sobre a expectativa para correr diante da torcida, explicou por que decidiu trocar a segurança de uma equipe vencedora pelo desafio de desenvolver um carro do zero e revelou onde a Genesis ainda precisa evoluir para disputar vitórias de forma consistente.

Interlagos representa um momento aguardado há mais de dez anos

Mesmo acumulando uma das carreiras mais vitoriosas do endurance internacional, Derani admite que ainda havia um objetivo pessoal pendente. Desde que deixou o Brasil para competir no exterior, o piloto sonhava em disputar uma etapa do Campeonato Mundial de Endurance em Interlagos.

Agora, esse desejo finalmente se tornou realidade.

Segundo ele, correr diante da torcida brasileira torna o fim de semana ainda mais especial. Além da atmosfera criada pelo público, o traçado paulista sempre ocupou um lugar de destaque entre seus circuitos favoritos.

“O sentimento é muito especial. Mal posso esperar pela corrida para sentir toda essa energia. Interlagos é uma pista diferente, desafiadora e que sempre proporciona grandes disputas.”

O piloto também acredita que o desenho do circuito deve favorecer uma prova bastante movimentada. O intenso tráfego entre Hypercars e LMGT3 promete exigir atenção constante das equipes durante as seis horas de corrida.

Além disso, a previsão de chuva pode aumentar ainda mais a complexidade da estratégia.

Para Derani, reunir todas essas variáveis transforma a etapa brasileira em uma das mais interessantes do calendário.

Novo desafio falou mais alto que permanecer nos Estados Unidos

Depois de conquistar títulos importantes na IMSA e construir uma carreira consolidada no endurance norte-americano, muitos imaginavam que Derani permaneceria nos Estados Unidos por mais alguns anos.

No entanto, o brasileiro revelou que sentia necessidade de encontrar uma motivação diferente para a sequência da carreira.

Segundo ele, disputar um campeonato mundial tinha um significado esportivo maior naquele momento do que buscar novas conquistas na categoria em que já havia alcançado praticamente todos os seus objetivos.

“Eu sentia que precisava de um desafio novo. Já tinha conquistado tudo aquilo que queria nos Estados Unidos e disputar um campeonato mundial tinha um peso maior para mim.”

A oportunidade ficou ainda mais interessante quando surgiu o convite da Genesis Magma Racing.

Ao invés de ingressar em uma estrutura consolidada, Derani optou por participar da construção de um projeto desde o primeiro dia.

Para o brasileiro, esse foi um dos principais motivos que o convenceram a aceitar a proposta.

“Começar um projeto do zero, desenvolver um carro novo e construir uma equipe desde o início chamou muito minha atenção.”

Genesis ainda evolui, mas potencial já aparece

Embora o projeto ainda esteja em seu primeiro ano, Derani enxerga sinais claros de evolução.

Durante os treinos em Interlagos, o carro número 19 liderou uma das sessões, demonstrando que a equipe já consegue competir em igualdade de condições em determinados momentos.

O piloto acredita que esse crescimento é resultado do trabalho realizado desde o início da temporada.

Apesar disso, ele reconhece que ainda existem áreas importantes a serem desenvolvidas.

Segundo Derani, o principal desafio da Genesis atualmente não está relacionado ao conjunto mecânico, mas ao refinamento eletrônico do carro.

“O software ainda é muito cru quando comparado ao das equipes que estão na categoria há vários anos.”

Ele explica que sistemas como controle de tração, gerenciamento do sistema híbrido e distribuição eletrônica de freio ainda passam por constantes atualizações.

Esses fatores acabam influenciando principalmente a aceleração nas saídas de curvas lentas, um dos pontos que a equipe busca melhorar nas próximas etapas.

Mesmo assim, o brasileiro acredita que a base do projeto é bastante promissora.

“O carro mostra bastante potencial. Ainda estamos aprendendo e desenvolvendo muita coisa, mas existe uma margem muito grande para evolução.”

Problema no carro não diminui confiança para o restante do fim de semana

Embora o dia tenha terminado com a Genesis liderando uma das sessões de treinos livres, o carro número 17 enfrentou um contratempo.

Segundo Derani, um problema de potência limitou parte do trabalho realizado por sua tripulação durante as atividades de sexta-feira.

Ainda assim, o piloto considera que o saldo foi positivo.

Para ele, resolver essa questão permitirá que a equipe mostre um desempenho mais próximo do verdadeiro potencial do GMR-001.

Derani evita criar expectativas exageradas sobre a possibilidade de repetir a liderança nos treinos. No entanto, acredita que a equipe pode surpreender caso consiga extrair todo o desempenho do carro.

Enquanto isso, o apoio do público brasileiro torna o momento ainda mais marcante.

Depois de mais de uma década longe das pistas nacionais, o piloto finalmente terá a oportunidade de disputar uma etapa do Mundial de Endurance em casa. Para um competidor acostumado aos maiores desafios do automobilismo internacional, correr diante da torcida brasileira representa um capítulo que demorou anos para acontecer e que pode marcar o início de uma nova fase da Genesis Magma Racing no FIA WEC.

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