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WEC

Peugeot vê com bons olhos revisão de regras e diz que expansão de “Evo coringa” para 2026 faz sentido total

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Peugeot
Foto: Fabrizio Boldoni / DPPI

Marca francesa entende que FIA acerta ao abrir possibilidade de evoluções extras para carros deficitários de performance

A Peugeot foi uma das vozes mais ativas no paddock do Bahrein nesta semana quando o assunto passou a ser o draft do regulamento técnico Hypercar FIA WEC 2026 — especificamente, a ampliação da janela de “Evo coringa” para quem tem déficit de performance comprovado. E o homem que disse isso com todas as letras foi Olivier Jansonnie, diretor técnico da Peugeot Sport. Segundo ele, o texto novo “faz sentido completo”, porque formaliza algo que até agora era uma batalha de interpretação e política: se existe BoP, e o objetivo da classe é ser equilibrada, é razoável que a fabricante que está sistematicamente abaixo do nível médio, e que já gastou seus cinco curingas até 2027, possa solicitar mais evolução — desde que o órgão técnico determine que a deficiência é real, mensurável e significativa.

O ponto é simples: a Peugeot usou os cinco curingas permitidos para o 9X8. E hoje, mesmo com o 9X8 evoluído para a versão com asa, há um consenso tácito no paddock — admitido em público por Jansonnie — de que o carro ainda não tem estoque de performance bruto suficiente para ser competitivo de forma sustentável dentro das margens máximas de BoP. Era esse o gargalo técnico e político da Peugeot: ou FIA/ACO abriam uma exceção ou a marca teria de homologar um carro inteiramente novo antes de 2027, antecipando ciclo e estourando cronograma.

O draft divulgado mês passado abre essa porta. O texto diz que curingas adicionais “podem ser concedidos por falta significativa demonstrada de desempenho”. O verbo central aqui é “podem”. Não diz “devem”. O órgão técnico mantém poder discricionário. Por isso, Jansonnie diz que o próximo capítulo agora é discutir não o princípio, mas o “quanto” de evolução se poderá fazer. Ele inclusive admite que o caminho pode ser parecido com o de 2024: pacote grande de atualização via curingas, mas sem necessidade de nova homologação.

Um outro ponto que Jansonnie faz questão de ressaltar — e que não está escrito explicitamente no regulamento — é a necessidade de blindar o sistema contra “Evo coringa” para quem está performando no topo. Para Peugeot, a lógica é simétrica: se o regulamento abre porta extra para quem está para baixo, então também precisa fechar porta para quem está para cima. Não faz sentido permitir que marcas que já estão vencendo ampliem margem. É aqui que nasce a zona de tensão: cada fabricante tem interesse próprio. Mas Jansonnie diz que isso está avançando “na direção certa” para se tornar entendimento comum.

Peugeot vê o draft 2026 como vitória política e técnica. Porque, se aprovado no texto final, permite a sobrevivência competitiva do 9X8 dentro do ciclo homologado sem que a marca precise queimar projeto novo inteiro antes da hora. E, principalmente, dá a ela a perspectiva de evolução real — não apenas “ajustes cosméticos” — em 2026. Para quem passou o ano todo pedindo permissão para evoluir, isso é o que mais importa.

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