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Fórmula 1

Morre aos 100 anos Nano da Silva Ramos, ex-piloto de Fórmula 1

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Foto: Divulgação

Ex-piloto mais velho vivo da Fórmula 1, Nano da Silva Ramos deixou seu legado histórico no automobilismo brasileiro.

O automobilismo brasileiro se despede de um de seus nomes mais pioneiros. Morreu aos 100 anos na segunda-feira (04/05) o ex-piloto Hermano da Silva Ramos, conhecido como Nano. Figura que ajudou a abrir caminho para o Brasil em uma das categorias mais prestigiadas do esporte a motor, também era o ex-piloto de Fórmula 1 mais velho vivo.

Nascido em Paris, em 1925, filho de pai brasileiro e mãe francesa, ele veio para o Brasil após a Segunda Guerra Mundial. Nano construiu uma trajetória marcada pela transição entre dois continentes e pelo espírito aventureiro de uma época em que correr era, muitas vezes, um risco constante. Sua carreira no automobilismo começou no fim da década de 1940, aos 21 anos, e rapidamente ganhou dimensão internacional, com participações em provas de resistência e competições na Europa.

O ex-piloto foi internado no último domingo (3) após apresentar um quadro de pneumonia, mas não resistiu às complicações. Aos 100 anos, ele vivia na cidade de Biarritz, no sudoeste da França, próxima à fronteira com a Espanha.

O sepultamento está marcado para o dia 9 de maio, na comuna de Arcangues, onde familiares e pessoas próximas devem se despedir do ex-piloto, um dos pioneiros do Brasil na F1.

Carreira no automobilismo:

Foi em 1955 que Nano alcançou o auge ao ingressar na Fórmula 1, pela equipe Gordini. Competindo pela equipe Gordini, ele disputou sete Grandes Prêmios entre 1955 e 1956. Em um período em que a segurança nas pistas era limitada e os desafios eram extremos, o brasileiro conseguiu se destacar.

Seu momento mais marcante na categoria veio no Grande Prêmio de Mônaco de 1956, quando terminou na quinta colocação, resultado expressivo para a época, garantindo seus únicos pontos na F1. Naquele tempo, apenas os seis primeiros colocados pontuavam, o que tornava cada posição ainda mais valiosa.

Antes de sua passagem pela Fórmula 1, Nano competiu em provas como as 24 Horas de Le Mans, incluindo a edição de 1955, marcada pelo pior acidente da história do automobilismo, que resultou na morte de 84 pessoas e deixou mais de 180 feridos. 

Hermano voltou ao automobilismo em 1958, participando de corridas de turismo e da Fórmula 2. No ano seguinte, disputou novamente as 24 Horas de Le Mans, desta vez pela Ferrari. Aos 35 anos, decidiu encerrar a carreira. 

Apesar de uma carreira relativamente breve na Fórmula 1, Nano deixou uma marca importante: foi o terceiro brasileiro a competir na categoria, ajudando a pavimentar o caminho que décadas depois seria trilhado por nomes consagrados como Emerson Fittipaldi.

Após deixar a principal categoria do automobilismo, ele ainda participou de outras competições antes de encerrar definitivamente a carreira aos 35 anos. Fora das pistas, manteve uma vida discreta na França.

A morte de Nano representa mais do que a despedida de um ex-piloto. Seu legado permanece como parte da história que ajudou a consolidar o Brasil no cenário internacional das corridas.

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