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Fórmula 1

Michael Masi fora da FIA é bom para todo mundo

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O sonho de uma fatia considerável dos fãs da Fórmula 1 virou realidade: Michael Masi não faz mais parte dos quadros da FIA. O ex-diretor de provas da categoria está oficialmente fora da entidade meses após ser afastado do seu antigo cargo. Sua trajetória na modalidade mais popular do automobilismo mundial ficará no passado.

Como não poderia deixar de ser, os entusiastas de Lewis Hamilton – ou praticantes do novo esporte nacional que é odiar Max Verstappen – entraram em pavorosa com a notícia. Eles ainda repetem como robôs adestrados que o australiano mexeu os pauzinhos para beneficiar Verstappen e fabricar um novo campeão mundial, pois ele teria um envolvimento promíscuo com a Red Bull. Não é piada. Basta ler os comentários nos principais portais brasileiros sobre F1 para atestar tal sandice.

É chato e cansativo ter que explicar o óbvio, mas as bobagens mais toscas correm o risco de passarem para a história como verdades do Evangelho. Quem acompanhou a temporada inteira e é provido do mínimo de racionalidade sabe muito bem que Lewis Hamilton não teve a sua oitava estrela roubada coisa nenhuma, que Max Verstappen foi severamente prejudicado no final do campeonato e que a inconsistência nos critérios para aplicação de punições ocorreu em toda a temporada.

Só para dar um simples exemplo contendo a primeira e a última corridas da temporada: ultrapassagem por fora da pista. No Bahrein, Verstappen foi espremido por Hamilton, passou por fora e assumiu a dianteira, mas foi obrigado a devolver a posição. Em Abu Dhabi, Hamilton fez a mesmíssima coisa e não sofreu consequência alguma. Na corrida decisiva, isso fez uma diferença enorme, pois Verstappen largou de pneu macio com uma estratégia de manter a ponta conquistada no qualy e abrir vantagem para Hamilton, que largou de pneu médio.

Os casos em que Hamilton foi beneficiado pela incompetência de Masi são vários, bem como Verstappen. Mas, é claro, nenhum devoto da igreja do heptacampeão vai admitir a existência deles. É mais fácil e cômodo continuar a adoração sem reconhecer que o ídolo topou com um piloto absurdamente talentoso, aproveitou bem a oportunidade de ter um carro competitivo e foi melhor durante a temporada. Se Lewis teve sangue nos olhos para buscar uma reação tida como improvável após o GP do México, Max também esbanjou determinação ao conquistar um título praticamente perdido até a batida de Nicholas Latifi. This is racing car.

Pois bem, Masi fora da FIA é um alívio. Não significa o fim de todos os problemas relacionados ao modelo de condução das provas – longe disso. Também não veremos grandes mudanças em qualquer local da entidade, pois o australiano gentleman já estava posto de lado pela gestão de Mohammed Bin Sulayem, eleito ano passado. Mas não deixa de ser algo positivo.

Aliás, o próprio Bin Sulayem chegou a cogitar um retorno de Masi ao cargo anteriormente ocupado pelo australiano. Como eu disse em artigo nesta coluna sobre o assunto, tal declaração mais parecia um recado a Lewis Hamilton que uma possibilidade real disso acontecer. O presidente da FIA deve saber que o seu agora ex-comandado não tem a mínima condição de voltar a ser diretor de provas.

Masi é um sujeito simpático, um cara do bem, só que para ocupar o posto que ele ocupava, tais predicados não são suficientes. É necessário ter pulso firme, clareza na aplicação do regulamento e pouca embromação. Quem não se lembra daquela sugestão de punições à Red Bull para Max Verstappen no GP da Arábia Saudita de 2021? Aquela cena constrangedora foi o atestado da incompetência de quem deveria demonstrar o exato oposto.

Os robozinhos adestrados terão que procurar algum fator esotérico para tirar os méritos de Max Verstappen a cada novo triunfo do atual campeão. Digo isso porque eles certamente o farão. Masi não ocupava mais o posto antigo, nem era figura de destaque na FIA, mas bastava o carro número 1 ser o primeiro a receber a bandeira quadriculada para o arsenal de desculpas estar a postos – e uma delas era o nome do australiano. Como o ódio a Verstappen é uma patologia incurável, seus enfermos irão buscar outra coisa para alimentá-lo – sem o nome Masi.

Masi fora da FIA é bom para todo mundo. E pelo bafafá ainda existente sobre a temporada passada, creio que o maior beneficiado com essa saída é o próprio Masi. Que ele possa seguir a sua vida em paz. Nós, amantes do automobilismo, continuaremos a ver o espetáculo da mesma maneira. Is the life.

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