WEC
Juncadella é multado por gesto obsceno após disputa acirrada com Farfus no Bahrein
Episódio envolve dedo do meio em plena pista nas voltas finais da LMGT3; espanhóis e brasileiros divergem sobre limites da defesa e da frustração
A última etapa da temporada 2025 do FIA WEC no Bahrein teve um desfecho quente na classe LMGT3 — e o pós-corrida foi ainda mais quente. Dani Juncadella, piloto da Corvette Racing, recebeu multa dos comissários esportivos por “comportamento rude e desrespeitoso” após um gesto direcionado a Augusto Farfus, da BMW, durante a disputa pela sexta posição nas voltas finais da prova. O espanhol terá de pagar €5 mil — embora €4 mil estejam suspensos, restando €1 mil imediatos — depois de ter sido flagrado pelas câmeras mostrando o dedo do meio ao brasileiro, frustrado com a forma como a defesa de posição vinha acontecendo naquele momento.
O lance ocorreu enquanto Juncadella tentava superar o BMW M4 GT3 EVO do Team WRT de Farfus. Eles passaram várias voltas lutando roda a roda, inclusive com contato no hairpin da curva 10. Juncadella acabou levando a melhor e garantiu o sexto lugar com o Corvette Z06 GT3.R #33, que dividiu com Ben Keating e Jonny Edgar. Farfus, junto de Yasser Shahin e Timur Boguslavskiy, terminou em sétimo com o #31.
No comunicado oficial, os comissários foram diretos: ao sair da curva 11, o piloto do Corvette fez gesto obsceno direcionado ao adversário. Para eles, o ato é “rude, desrespeitoso e totalmente inadequado no automobilismo”. Não houve tolerância: além da multa, o regulamento deixa claro que comportamentos assim podem gerar penalidades mais pesadas caso se repitam no futuro. A situação ecoa outra polêmica envolvendo Farfus ainda este ano, quando Tommy Milner — também piloto da Corvette — criticou publicamente o brasileiro em Daytona pelas táticas defensivas duras.
Ao portal Sportscar365, Juncadella não se desculpou e deu sua versão. Disse que o Corvette era mais rápido na degradação e na gestão de combustível e que, na visão dele, os dois já não estavam na mesma “corrida” em termos estratégicos. Segundo o espanhol, defender posição é parte do jogo, “tirar luvas e lutar” também é parte do jogo, mas mover sob frenagem é algo “inaceitável”. Juncadella disse conhecer Farfus há anos, gosta dele fora do carro, mas afirma que ao baixar a viseira “ele vira outra pessoa”.
Já Farfus respondeu afirmando que o gesto é digno de vergonha, ainda mais dentro de um campeonato mundial, e classificou a atitude como mau exemplo ao público. Para ele, não havia nada de ilegal em sua defesa e se o rival não conseguia completar a ultrapassagem, deveria simplesmente permanecer atrás. Assim, o que era “apenas” uma disputa intensa por sexta colocação ganhou proporções de caso disciplinar e, ainda que a prova tenha acabado, o debate sobre limites de conduta e pilotagem segue aberto para 2026.
