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Famin defende modelo “caixa-preta” para o BoP no FIA WEC

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Famin
Foto: Fabrizio Boldoni / DPPI

Vice-diretor da ACO explica mudanças na divulgação do Balance of Performance e reforça preocupação com interpretações equivocadas e manipulação de desempenho

A discussão sobre o Balance of Performance voltou ao centro das atenções no Campeonato Mundial de Endurance da FIA. Desta vez, porém, o tema ganhou força após a decisão da ACO e da FIA de deixarem de divulgar publicamente os boletins completos do BoP da classe Hypercar.

O responsável por explicar a nova abordagem foi Bruno Famin, recém-nomeado vice-diretor de competição da ACO. O dirigente francês defendeu o modelo chamado de “black box”, ou “caixa-preta”, durante encontro com a imprensa antes das 6 Horas de Ímola.

Segundo Famin, os números do BoP passaram a ser compartilhados apenas com as equipes participantes do campeonato. Além disso, as informações agora são tratadas sob confidencialidade rigorosa.

Mudança busca evitar interpretações erradas

De acordo com Famin, a decisão foi tomada porque os dados divulgados anteriormente causavam interpretações incompletas sobre o equilíbrio de desempenho entre os carros.

O dirigente afirmou que analisar apenas os números finais não era suficiente para compreender todo o processo utilizado pela FIA e pela ACO. Portanto, a entidade optou por reduzir a exposição pública das informações.

Famin explicou que os parâmetros de homologação são fundamentais para entender como o BoP é calculado. Contudo, esses dados não podem ser divulgados por questões de confidencialidade técnica entre as fabricantes.

“Se você não possui os parâmetros de homologação, não consegue compreender totalmente os números do BoP”, afirmou o francês.

Sistema segue semelhante ao utilizado em 2025

Apesar da mudança na comunicação, Famin garantiu que o sistema de cálculo do BoP praticamente não mudou em relação à temporada passada.

Segundo ele, os organizadores seguem utilizando dados de corridas anteriores para equilibrar o desempenho dos carros da Hypercar. Além disso, o sistema continua baseado em médias móveis e análises de desempenho recentes.

O dirigente explicou que as voltas mais rápidas e os melhores trechos de corrida seguem sendo considerados. Porém, a quantidade exata de provas e voltas utilizadas permanece confidencial.

Por outro lado, Famin evitou detalhar quais corridas possuem maior peso nos cálculos atuais.

Túnel de vento e pneus também influenciam

Durante a entrevista, Bruno Famin também comentou sobre a nova homologação realizada para 2026. Todos os Hypercars passaram novamente pelo túnel de vento da Windshear, nos Estados Unidos.

Mesmo assim, ele minimizou o impacto dessas mudanças nos dados históricos utilizados pela organização. Segundo o dirigente, os regulamentos técnicos atuais são bastante rígidos e limitam grandes diferenças aerodinâmicas.

Além disso, Famin destacou que a nova geração de pneus Michelin não alterou drasticamente o comportamento dos carros.

“Os pneus continuam sendo do mesmo fabricante e possuem características semelhantes”, explicou.

Portanto, a organização entende que os dados coletados em 2025 seguem relevantes para o cálculo atual do BoP.

Genesis terá adaptação gradual no sistema

Outra questão abordada foi a chegada da Genesis à classe Hypercar. A fabricante sul-coreana disputa sua primeira temporada completa no FIA WEC em 2026.

Segundo Famin, o modelo aplicado à Genesis será parecido com o utilizado anteriormente pela Aston Martin. Inicialmente, o BoP do novo carro utilizará referências dos concorrentes mais rápidos do grid.

Contudo, conforme novas corridas forem disputadas, os dados próprios do Genesis GMR-001 passarão a integrar o sistema de cálculos.

A ideia é permitir uma adaptação gradual da fabricante sem criar distorções excessivas no equilíbrio técnico da categoria.

Le Mans segue cercada de mistério

Um dos principais temas levantados pelos jornalistas envolveu as 24 Horas de Le Mans. Nos últimos anos, a prova francesa contou com um BoP específico e separado das demais etapas do campeonato.

Entretanto, Famin evitou confirmar se isso seguirá acontecendo em 2026.

Segundo ele, ainda é cedo para divulgar detalhes sobre o modelo que será utilizado em Le Mans. Além disso, o dirigente deixou claro que a organização quer evitar qualquer tentativa de manipulação estratégica por parte das equipes.

“Queremos limitar os riscos de sandbagging em Ímola e Spa”, afirmou.

O chamado “sandbagging” acontece quando equipes escondem propositalmente seu verdadeiro desempenho para obter vantagens futuras no Balance of Performance.

Por isso, a ACO prefere manter parte do sistema em sigilo.

Handicap de sucesso não será utilizado

Famin também comentou sobre a possibilidade de aplicação de handicaps de sucesso no Hypercar. Embora o recurso tenha sido incluído no regulamento durante o inverno europeu, ele não será adotado neste momento.

O dirigente acredita que o atual sistema já possui complexidade suficiente. Portanto, adicionar mais uma camada de ajustes poderia gerar ainda mais dificuldades.

Além disso, Famin teme que a introdução de handicaps aumente o risco de manipulação de resultados ao longo do campeonato.

“Acho que o BoP já é complicado o bastante”, declarou.

Com apenas oito etapas no calendário do FIA WEC, a preocupação da organização é evitar que as equipes administrem desempenho pensando apenas em vantagens futuras no equilíbrio técnico.

Debate sobre o BoP segue intenso no paddock

Mesmo com as explicações de Bruno Famin, o tema segue dividindo opiniões entre fãs e equipes. O Balance of Performance continua sendo um dos assuntos mais debatidos dentro do endurance mundial.

Por outro lado, a ACO acredita que o novo modelo ajudará a reduzir polêmicas públicas ao longo da temporada.

Enquanto isso, fabricantes e pilotos seguem concentrados na disputa da temporada 2026, que promete uma das eras mais competitivas da história recente do FIA WEC.

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