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Ron Fellows relembra trajetória no CTMP e destaca evolução do automobilismo com a GM

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Fellows
Foto: Divulgação / IMSA

Ex-piloto e antigo proprietário do Canadian Tire Motorsport Park fala sobre sua ligação com o circuito, a história na Corvette Racing e a transformação das corridas de GT ao longo das últimas décadas.

Poucos nomes possuem uma relação tão próxima com o Canadian Tire Motorsport Park quanto Ron Fellows. O ex-piloto canadense voltou ao circuito durante o Grande Prêmio Chevrolet de 2026, etapa válida pelo IMSA WeatherTech SportsCar Championship, para acompanhar a única corrida da categoria realizada no Canadá.

Embora tenha participado do grupo responsável pela administração do autódromo entre 2011 e 2025, Fellows prefere aproveitar o evento de forma discreta. Mesmo assim, sua presença continua sendo marcante em um circuito onde construiu parte importante da carreira.

Além disso, o canadense participou diretamente do processo de modernização da pista. Durante o período em que integrou o grupo proprietário, foram realizadas melhorias de segurança e infraestrutura. Nesse mesmo intervalo, a Canadian Tire tornou-se patrocinadora principal do complexo, que passou a adotar o nome atual em 2012.

Carreira construída ao lado da General Motors

A relação entre Ron Fellows e a General Motors atravessa mais de três décadas. O canadense revelou que manteve vínculo com a empresa durante 32 anos, inicialmente como piloto oficial e, posteriormente, como embaixador da marca após encerrar a carreira nas pistas.

Durante o fim de semana do Grande Prêmio Chevrolet, ele também participou de atividades voltadas aos proprietários de Corvette. A visita incluiu ações relacionadas ao recorde para carros de produção conquistado com um Corvette ZR1 no circuito canadense no ano anterior.

Segundo Fellows, esse contato com os fãs continua sendo uma das experiências mais gratificantes desde que deixou as competições em tempo integral.

Um dos pilares da Corvette Racing

Ron Fellows fez parte da formação original da Corvette Racing quando a equipe iniciou suas atividades em 1999. Ao longo dos anos, o projeto tornou-se uma das maiores referências das competições de carros esportivos na América do Norte.

Durante esse período, o canadense conquistou três títulos consecutivos da categoria GTS da American Le Mans Series entre 2002 e 2004. Além disso, acumulou resultados importantes nas principais provas de endurance do mundo.

Entre as conquistas mais expressivas estão quatro vitórias de classe nas 12 Horas de Sebring, dois triunfos nas 24 Horas de Le Mans e a vitória geral nas 24 Horas de Daytona de 2001.

Naquela edição da tradicional prova americana, Fellows dividiu o Corvette com Johnny O’Connell, Chris Kneifel e Franck Fréon. Outro Corvette oficial, conduzido por Dale Earnhardt, Dale Earnhardt Jr., Kelly Collins e Andy Pilgrim, terminou a corrida na quarta posição geral e em segundo lugar na categoria GTS.

Mudanças transformaram as corridas de GT

Ao comparar diferentes épocas do automobilismo, Fellows destacou como o cenário das competições mudou desde o período em que defendia a Corvette Racing.

Segundo ele, as corridas de GT da virada dos anos 1990 para os anos 2010 tinham características bastante diferentes das atuais. Naquele momento, boa parte das montadoras concentrava seus investimentos em equipes de fábrica, enquanto atualmente a produção de carros destinados a clientes ganhou muito mais espaço.

Além disso, o ex-piloto ressaltou que o número de fabricantes presentes nas categorias GT aumentou significativamente. Para ele, essa diversidade demonstra a força do campeonato e a evolução do segmento ao longo dos últimos anos.

Outro ponto destacado foi a mudança tecnológica dos automóveis. Fellows lembrou que, durante sua carreira, os carros de corrida possuíam mais liberdade de desenvolvimento e entregavam níveis elevados de potência.

Por outro lado, ele observou que os modelos de rua evoluíram de maneira expressiva. Atualmente, alguns Corvette de produção oferecem potência superior à do Corvette Z06 GT3.R utilizado nas competições, evidenciando o avanço da engenharia automotiva.

Escola de pilotagem ampliou atuação após as pistas

Depois de encerrar a carreira profissional, Ron Fellows permaneceu ligado ao universo Corvette. Em 2009, participou da criação da Ron Fellows Performance Driving School, iniciativa desenvolvida em parceria com a Chevrolet para oferecer cursos de pilotagem aos proprietários dos modelos esportivos da marca.

Inicialmente, o programa foi lançado junto com a chegada do Corvette ZR1 da geração C6. A proposta era proporcionar treinamento especializado aos compradores do modelo mais potente produzido pela Chevrolet naquele momento.

Programa cresceu e fortaleceu a ligação com os proprietários de Corvette

Para transformar o projeto em realidade, a Chevrolet e Ron Fellows escolheram o Spring Mountain Motor Resort and Country Club, localizado próximo a Las Vegas, como sede da escola de pilotagem. Desde então, a iniciativa evoluiu junto com as novas gerações do Corvette.

Inicialmente, quem adquiria um Corvette ZR1 recebia um curso de dois dias incluído na experiência de compra. Posteriormente, o benefício foi mantido com a chegada das gerações seguintes do esportivo.

Atualmente, todo comprador de um Corvette novo recebe um certificado que reduz o valor do treinamento de alta performance para US$ 1.000. Segundo Fellows, o programa atende aproximadamente 6 mil proprietários por ano.

Além disso, a escola permite que ele continue trabalhando próximo da equipe de engenharia da Chevrolet. O canadense explicou que, ocasionalmente, também participa de atividades de desenvolvimento e avaliação de novos modelos da marca.

Incentivo aos jovens pilotos segue como prioridade

Mesmo fora das competições, Ron Fellows continua envolvido com o desenvolvimento do automobilismo canadense. Durante vários anos, ele e sua esposa, Lynda, organizaram um campeonato de kart com o objetivo de abrir espaço para novos talentos.

Entre os pilotos que acompanharam desde o início da carreira estão Robert Wickens e Roman De Angelis. Fellows destacou que observa a evolução da dupla há muitos anos e demonstrou satisfação ao vê-los competindo atualmente no IMSA WeatherTech SportsCar Championship.

No caso de Wickens, o ex-piloto lembrou que o canadense participou da categoria organizada por ele ainda no começo dos anos 2000. Por isso, considera o retorno do piloto às pistas uma conquista marcante para o esporte.

Já Roman De Angelis também foi citado como um exemplo do caminho oferecido pelas categorias de base até chegar às competições de endurance de alto nível.

Carros esportivos continuam oferecendo oportunidades

Embora reconheça o crescimento da popularidade da Fórmula 1, Fellows acredita que as corridas de carros esportivos seguem representando uma alternativa sólida para quem pretende construir uma carreira profissional.

Segundo ele, muitos jovens sonham em disputar a principal categoria do automobilismo mundial. No entanto, o canadense costuma incentivar os pilotos a também observarem as possibilidades existentes nas provas de endurance.

Ele recordou que recebeu esse mesmo conselho quando ainda iniciava sua trajetória. Na época, Harvey Hudes, então proprietário de Mosport Park, recomendou que direcionasse seus esforços para os carros esportivos, setor que concentrava investimentos importantes das montadoras.

Para Fellows, esse conselho continua atual. Na sua avaliação, fabricantes permanecem investindo fortemente no segmento, criando oportunidades para pilotos que conseguem construir carreiras consistentes.

Além disso, ele destacou que o automobilismo de endurance oferece estabilidade profissional para quem alcança alto nível de desempenho. Segundo o canadense, um piloto que apresenta bons resultados pode permanecer muitos anos atuando como profissional remunerado.

Enquanto acompanha de perto a evolução da Corvette Racing e das categorias do IMSA WeatherTech SportsCar Championship, Ron Fellows também continua presente em iniciativas ligadas ao desenvolvimento de pilotos, à experiência dos proprietários de Corvette e ao fortalecimento do Canadian Tire Motorsport Park. Dessa forma, o ex-piloto mantém viva uma trajetória que ultrapassa os resultados obtidos nas pistas e segue contribuindo para o automobilismo norte-americano.

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