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Fórmula E

Di Grassi leva expertise tecnológica à abertura da Fórmula E em São Paulo

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Di Grassi
Foto: Lola Cars

Após apresentar o revolucionário projeto DGR, brasileiro palestra na sede do Google e assume papel central nos preparativos da Lola ABT Yamaha para a etapa do Anhembi

O retorno da Fórmula E a São Paulo, neste sábado, ganha um brilho especial com a presença de Lucas Di Grassi — não apenas como piloto, mas como uma das vozes mais influentes da tecnologia aplicada ao automobilismo moderno. Na véspera da abertura do Mundial, o campeão da categoria ampliou sua agenda de protagonista: palestrou na sede do Google, falando sobre inovação, inteligência artificial e mobilidade, antes de seguir para o Sambódromo do Anhembi, onde se reuniu com engenheiros e executivos da Lola ABT Yamaha para os ajustes finais antes da corrida.

O momento chega apenas duas semanas após Di Grassi revelar ao mundo o ambicioso projeto DGR. Desenvolvido em parceria com a tradicionalíssima Lola Cars, o protótipo tem como objetivo reunir, em um único carro, o melhor da tecnologia disponível para competições. O modelo, segundo as simulações, impressiona: é 4,3 segundos mais rápido e dez vezes mais eficiente que um Fórmula 1 nas ruas de Mônaco — números que chamaram a atenção do paddock e reforçaram a reputação do brasileiro como um dos pensadores mais inovadores do automobilismo atual.

Durante sua apresentação no Google, Di Grassi detalhou avanços relacionados ao uso de inteligência artificial no esporte. Trabalhando conjuntamente com a Lola, ele desenvolve um sistema capaz de simular milhares de voltas consecutivas a partir das características individuais de cada piloto — pontos fortes, deficiências, estilo de pilotagem e comportamento em diferentes cenários. A IA, explicou, projeta o desempenho máximo potencial que aquele competidor pode alcançar, transformando esses resultados em metas reais para o treinamento. “A inteligência artificial consegue simular mil voltas sem parar e, com isso, extrair o máximo potencial de um piloto. Isso abre uma nova fronteira no desenvolvimento humano dentro das pistas”, afirmou.

Enquanto projeta o futuro, Di Grassi também prepara-se para uma despedida simbólica: a temporada que se inicia será a última com os carros da geração GEN3. A partir de 2027, a Fórmula E estreia o GEN4, com mais downforce, potência acima de 800 cv e desempenho comparável ao de categorias como F2 e até F1 em determinados circuitos. “Vamos desenvolver a nova geração enquanto disputamos o campeonato. Será um desafio enorme, mas o resultado será excepcional”, disse. O brasileiro destaca, ainda, a competitividade atual da categoria — nos testes de Valência, os 20 carros ficaram separados por apenas oito décimos de segundo.

No fim de semana, Di Grassi reencontra o circuito de rua paulistano, palco de três corridas desde 2023. Com seus 2.933 metros e onze curvas, o traçado é um dos mais velozes da Fórmula E e exige precisão absoluta no gerenciamento de energia, especialmente por causa do forte calor típico da capital paulista. Ruas irregulares, frenagens duras e múltiplas zonas de ultrapassagem tornam o desafio ainda maior. “As disputas costumam ser intensas. Ruas são mais arriscadas do que autódromos, mas é isso que torna este circuito tão especial”, comentou.

Di Grassi volta a dividir a garagem com Zane Maloney, parceiro na temporada 2025/26. As atividades começam nesta sexta-feira, com treino livre às 16h30. No sábado, a classificação está prevista para 9h40 e a corrida, com 30 voltas, larga às 14h05, prometendo a abertura mais tecnológica e emocionante da Fórmula E em solo brasileiro.

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