Fórmula E
Da crise ao topo: a reconstrução da Mahindra na Fórmula E
Do fundo do grid à condição de candidata ao título da 12ª temporada da Fórmula E, a evolução da Mahindra é evidente. Apesar de uma estreia abaixo do esperado no e-Prix de São Paulo, com um nono lugar de Nyck de Vries e o abandono de Edoardo Mortara, envolvido em um acidente com o piloto da casa, Lucas di Grassi, a equipe indiana volta ao México neste fim de semana mirando o topo e, quem sabe, o pódio.
Mas o que explica a evolução de uma equipe que lutava no fim do pelotão e terminou a 11ª temporada da Fórmula E na quarta posição do campeonato, superando potências como Andretti, Maserati e DS Penske?
O passado recente não assusta mais
Presente na Fórmula E desde a temporada de estreia da principal categoria do automobilismo elétrico, a Mahindra viveu altos e baixos ao longo dos últimos 12 anos. Da primeira vitória, com Felix Rosenqvist no e-Prix de Berlim, na terceira temporada, ao pódio mais recente com Nyck de Vries no e-Prix de Londres, muitos quilômetros foram atravessados e desafios foram superados. Se hoje a equipe indiana pode sonhar com o título, a realidade era outra há menos de três anos.
O e-Prix da Cidade do Cabo de 2023, em fevereiro, marcou o que pode ser considerado o pior momento do time. Na ocasião, após um acidente de Lucas di Grassi causado por falha na suspensão traseira, a equipe precisou retirar os carros por segurança, incluindo os de equipes clientes. Antes do e-Prix de Mônaco, Oliver Rowland, companheiro de Di Grassi, deixou a Mahindra ainda no meio da temporada.
Em setembro daquele ano, com o projeto da Gen3 apresentando falhas desde o princípio, o CEO Dilbagh Gill também deixou a equipe, e o que parecia um fim iminente se mostrou o recomeço que o time precisava com a chegada de Frédéric Bertrand, que trocou um cargo na FIA para assumir o principal desafio de sua carreira. À frente da equipe indiana, Bertrand reformulou processos e consolidou sua visão com a contratação da dupla Edoardo Mortara e Nyck de Vries para o campeonato de 2023/24. Embora ambos tenham enfrentado momentos difíceis na 10ª temporada, no último ano da Gen3, isso não impediu a evolução constante da Mahindra, que terminou 2024/25 com cinco pódios e 186 pontos no campeonato.
Consistência é a chave
Em um campeonato tão competitivo quanto a Fórmula E, consistência é uma moeda valiosa, e a Mahindra soube jogar com ela durante a reestruturação. Para Nyck de Vries, piloto do carro #21, não houve um ponto de virada específico na temporada 2024/25 que explicasse sozinho a evolução. O holandês acredita que um conjunto de fatores contribuiu para a melhora.
“Eu não acho que tenha existido um único ponto de virada. Claro que a chegada do nosso novo powertrain, o Gen3 Evo, foi um grande avanço. Mas, no início da temporada, ainda tínhamos dificuldade para extrair todo o potencial do carro, porque ainda não o conhecíamos completamente. Com o tempo, fomos aprendendo e melhorando o nosso pacote”, declarou De Vries em entrevista exclusiva ao Vai Que Eu Tô Te Vendo.
Mesmo durante o período de adaptação ao Gen3 Evo, citado pelo piloto, a Mahindra já mostrava sinais de melhora na primeira corrida da 11ª temporada, ao marcar 18 pontos no e-Prix de São Paulo, mais do que havia somado até a metade da temporada anterior da Fórmula E. Apesar dos resultados positivos, Nyck se mantém realista.
“A base no início da 11ª temporada já era muito melhor, e ao longo do ano conseguimos encontrar performance e transformar isso em pontos de forma mais consistente. Ainda não estamos exatamente onde queremos. Continua sendo uma batalha dura para garantir que façamos um trabalho melhor do que no ano passado”, explicou o piloto, que terminou o campeonato em 8º lugar, com três pódios e 92 pontos.
Para Edoardo Mortara, piloto do carro #48, o comprometimento coletivo foi determinante para o avanço. “Houve melhorias consistentes ao longo desses últimos dois anos. Não houve grandes saltos ou descobertas pontuais, apenas muito trabalho por parte dos engenheiros e um progresso constante e gradual em busca de mais competitividade e performance”, afirmou.
De olho no troféu
Com a evolução consolidada, a Mahindra chamou atenção nos testes de pré-temporada em Valência. Mortara foi o mais rápido, com 1:21.493, e também liderou uma simulação de corrida, indicando dados promissores tanto em volta rápida quanto em stints longos. Ao Vai Que Eu Tô Te Vendo, porém, o piloto foi cauteloso ao falar sobre testes, quando as equipes tendem a esconder o jogo e não mostrar todo o potencial de seus carros.
“Em Valência, sim, não fazia sentido mostrar algo que não fosse real. Mas se vamos ser competitivos nesta temporada, eu sinceramente não faço ideia, até porque os circuitos são diferentes.”
Em São Paulo, mesmo com as adversidades, a Mahindra mostrou a força esperada de uma equipe em evolução. Mortara superou Oliver Rowland, atual campeão e ex-piloto da Mahindra, na disputa pela pole position e, apesar do abandono na corrida principal após um acidente com Lucas di Grassi, o carro #48 exibiu ritmo consistente.
Nyck de Vries, por sua vez, teve a prova comprometida por um toque com Mortara logo na primeira volta, o que prejudicou a estratégia do time, mas não foi suficiente para impedi-lo de lutar por posições e pontuar. O holandês terminou em nono após largar em quinto e se mostrou otimista para o restante do campeonato.
Com foco na sequência da temporada, a equipe indiana volta as atenções para o e-Prix do México, primeira corrida de 2026 e segunda etapa da 12ª temporada. A largada está programada para este sábado (10), às 17h05 (horário de Brasília).
