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Cadillac encerra temporada do WEC com P6 no Bahrein

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Cadillac
Foto: Michele Scudiero / Drew Gibson Photography

Time fecha primeiro ano como equipe de fábrica com vitória inédita, três poles, pontuação em todas as corridas e sensação real de salto de nível

A temporada 2025 da Cadillac no FIA WEC terminou neste sábado (8) sob as luzes de Sakhir com um misto de frustração pontual pelo resultado final na pista e satisfação estrutural pelo conjunto de conquistas ao longo do ano. O Cadillac Hertz Team JOTA nº 12 – com Alex Lynn, Norman Nato e Will Stevens – cruzou a linha final das 8 Horas do Bahrein em sexto, resultado que não era exatamente o que se sonhava em uma corrida que chegou a ter o protótipo americano em quarto nas voltas finais, mas que ainda assim fecha uma campanha que deve ser lida como uma virada de patamar para o programa.

A ficha corrida deste carro em 2025 fala por si: primeira vitória da Cadillac na história do WEC conquistada em Interlagos, três poles, e um selo estatístico pesado para entrar nos livros: foi o único Hypercar a pontuar em todas as oito etapas do campeonato. Lynn/Nato/Stevens fecham o Mundial em quinto na tabela provisória de pilotos, apenas um ponto atrás do quarto lugar, igualando o melhor resultado histórico já alcançado pelo programa em um campeonato mundial de endurance. E no quadro de fabricantes, a Cadillac igualou seu melhor P4 na história do WEC em sua terceira temporada na classe Hypercar.

A prova no deserto, que totalizou 236 voltas num asfalto que não é recapeado desde 2004, transicionou do calor árido do fim de tarde bahreinita para um cenário de atmosfera mais fria sob luz artificial. Em meio às múltiplas janelas de estratégia, o carro nº 12 esteve, a 1h23 do fim, no top-4 quando Stevens assumiu o cockpit na volta 198. Mas o ritmo final foi quebrado por um safety car e, depois, por uma fase de pista cheia de detritos que acionou Full Yellow. Na última bandeira verde, Stevens ainda teve luta franca pela P5 contra a Ferrari nº 93, chegou a fazer a ultrapassagem na curva 1, mas não sustentou o recorte de traçado na saída e viu a Ferrari reassumir. O P6 ficou selado a menos de um segundo do rival direto e a pouco mais de 40s do Toyota nº 7 vencedor.

O outro Cadillac da JOTA viveu um sábado muito mais cruel. Jenson Button, que fez ali sua última largada como piloto profissional, fechou o ano em P16 com o Cadillac nº 38. Um contato no meio da prova com um carro LMGT3 rendeu ao inglês um drive-through de 30 segundos e acabou matando qualquer chance de resultado expressivo no adeus da lenda. Mesmo assim, o nº 38 soma ao seu 2025 três largadas na primeira fila e um pódio em Interlagos.

No Bahrein, foi também o dia em que a Ferrari fechou o círculo: a marca conquistou o título de fabricantes Hypercar e a Ferrari nº 51 levou o título de pilotos. A Cadillac volta agora ao modo fábrica, analisa dados do seu 50º evento do V-Series.R (somando WEC + IMSA) e reinicia o ciclo. O próximo carro amarelo a ir para a pista em Mundial acontecerá no Catar, em março de 2026, no circuito de Lusail. E, pela primeira vez desde que desembarcou na classe principal, a Cadillac chega nessa entressafra podendo dizer: entramos na mesa grande para ficar.

Abre aspas

Alex Lynn: “Dei tudo de mim, como sempre. Não deixei nada para trás. Com o Balance of Performance (BoP) que temos, sempre soubemos que seria um desafio para nós neste fim de semana e, embora eu não ache que as coisas vão correr a nosso favor hoje, demos tudo o que tínhamos lá fora, então temos que nos orgulhar disso. E, embora hoje possa não ser a nossa corrida, acho que precisamos dar um passo para trás e lembrar que tivemos um ano muito bom no geral como equipe. Uma boa corrida no final com o sexto lugar. Um pouco de azar no final com o Safety Car Virtual, mas, honestamente, tivemos uma ótima temporada. Marcamos pontos em todas as corridas e por pouco não conquistamos o terceiro lugar no campeonato de pilotos, o que para mim, Will e Norman teria sido uma conquista incrível. Estou orgulhoso de fazer parte desta equipe e agradeço à Cadillac por tudo.”

Norman Nato: “Demos o nosso melhor, aproveitamos ao máximo tudo e fizemos uma corrida limpa. Fomos o único carro a pontuar em todas as corridas desta temporada. Com um carro novo e uma equipe nova também, podemos nos orgulhar. Não estamos longe de terminar entre os três primeiros no campeonato de construtores e pilotos – faltaram apenas alguns pontos. Há um ano, estávamos apenas começando este programa e, desde então, muito trabalho foi feito. Honestamente, não foi perfeito. Era preciso ter um carro perfeito em um ano, mas podemos nos orgulhar muito do que fizemos. Significa muito sermos o único carro a pontuar todos os fins de semana e estarmos em posição de lutar até o fim, então, obrigado a todos.”

Will Stevens: “Sinceramente, foi decepcionante porque não conseguimos o terceiro lugar no campeonato de pilotos e a disputa foi acirrada até o final. Foram algumas voltas divertidas. Precisávamos ultrapassar outros carros. Tentei ao máximo ultrapassar o carro 83 porque, obviamente, naquele momento, se ultrapassássemos alguém, garantiríamos o terceiro lugar, então fiz o meu melhor. No geral, acho que devemos nos orgulhar. Somos o único carro neste campeonato a terminar na zona de pontuação em todas as corridas, o que, acredito, nos deixa orgulhosos. Continuaremos trabalhando durante o inverno e voltaremos mais fortes no ano que vem.”

Earl Bamber: “Acho que (a temporada) foi muito positiva. Conseguimos alguns pódios, alguns resultados incríveis e estávamos lutando pelo segundo lugar no campeonato de construtores. Então, muitos pontos positivos para levar para 2026.”

Sébastien Bourdais: “Acho que há muito potencial. O carro número 12 teve uma temporada incrível, com uma vitória e muitas outras boas performances, e hoje, novamente, ficou logo atrás da Toyota e de três Ferraris. Eles realmente tinham chances de conquistar o terceiro lugar no campeonato, o que é mais do que poderíamos esperar em nosso primeiro ano de colaboração entre a JOTA e a Cadillac. Estou orgulhoso dos rapazes. Da nossa parte, tivemos ritmo em muitos momentos este ano, mas infelizmente, por um motivo ou outro, sempre havia algo que atrapalhava e nunca conseguimos os resultados que esperávamos. Estou orgulhoso da organização em geral e sentiremos falta do JB no ano que vem, mas tenho certeza de que teremos uma dupla forte e espero que possamos juntar tudo e voltar ainda mais fortes.”

Jenson Button (foto à direita): “Foi ótimo encerrar minha carreira no carro, cruzando a linha de chegada sob a bandeira quadriculada. Definitivamente, não foi uma grande corrida para nós, mas mesmo assim aproveitei o momento. (Sobre o incidente) Quando entrei no carro, estávamos perto do final do pelotão, lutando por ritmo e tentando economizar pneus para o final. Então, tive alguns incidentes que não ajudaram, incluindo um contato com a Ferrari GT número 54. Contornei por fora na curva 3, uma trajetória que já usei muitas vezes, e achei que estava livre quando senti um impacto na traseira que o fez rodar. Foi uma pena e sinto muito por ele, mas realmente não havia nada que eu pudesse fazer. Foi genuinamente um incidente de corrida complicado por outro hipercarro por dentro.”

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