WEC
Antonio Giovinazzi aposta em estratégia agressiva e vê chuva como aliada da Ferrari em Interlagos
Piloto italiano acredita que a Ferrari chega mais preparada às 6 Horas de São Paulo, admite dificuldades no traçado paulista e afirma que a equipe pode assumir mais riscos na luta pelo campeonato do FIA WEC.
A Ferrari encara mais um desafio importante na temporada 2026 do Campeonato Mundial de Endurance (FIA WEC) com a disputa das 6 Horas de São Paulo. Apesar de reconhecer que Interlagos nunca esteve entre os circuitos mais favoráveis para o 499P, Antonio Giovinazzi acredita que a equipe italiana chega em uma situação melhor do que no ano passado e pode aproveitar um cenário imprevisível para conquistar um bom resultado.
Durante entrevista coletiva realizada neste sábado, o piloto destacou que a Ferrari evoluiu em alguns aspectos desde a última passagem pelo circuito brasileiro. Segundo ele, o carro ainda apresenta limitações nas curvas de baixa velocidade, mas a diferença para os concorrentes diminuiu em comparação com a temporada passada.
Além disso, Giovinazzi acredita que a previsão de chuva para a corrida pode transformar completamente o panorama da prova e criar oportunidades para equipes que consigam tomar as decisões corretas ao longo das seis horas de disputa.
Ferrari ainda busca evolução em Interlagos
Na avaliação do italiano, Interlagos continua sendo um circuito desafiador para a Ferrari por causa das características do traçado. As curvas de baixa velocidade seguem exigindo bastante do conjunto, embora a equipe tenha conseguido reduzir parte da desvantagem observada anteriormente.
Giovinazzi lembrou que, na edição passada das 6 Horas de São Paulo, a Ferrari chegou a perder uma volta para os líderes logo na primeira hora de corrida. Por isso, ele considera que o principal objetivo neste momento é mostrar que o carro deu um passo adiante em relação ao desempenho apresentado em 2025.
Mesmo sem considerar a Ferrari a referência da categoria no circuito paulista, o piloto acredita que a equipe reúne condições para disputar posições mais competitivas ao longo do fim de semana.
Chuva pode mudar completamente a corrida
Outro fator que chama a atenção da Ferrari é a possibilidade de chuva durante a prova. Segundo Giovinazzi, uma corrida em pista molhada muda completamente o cenário estratégico e pode beneficiar equipes capazes de reagir rapidamente às mudanças nas condições do asfalto.
O italiano explicou que a equipe ainda avalia os dados coletados nos treinos para definir a melhor escolha de pneus. Embora alguns adversários tenham experimentado o composto duro, a Ferrari concentrou boa parte do trabalho no pneu médio.
A decisão definitiva será tomada após uma análise detalhada do desgaste apresentado durante as simulações de corrida e da comparação com os dados observados nos carros rivais.
Para Giovinazzi, uma prova com intervenções climáticas representa uma oportunidade de fugir do padrão das últimas edições da etapa brasileira, marcadas por longos períodos em bandeira verde.
Terceiro lugar no campeonato permite assumir riscos
A situação da Ferrari na classificação geral também influencia a estratégia para o restante da temporada. Diferentemente do ano passado, quando liderava os campeonatos e precisava administrar a vantagem, a equipe ocupa atualmente a terceira colocação e pode adotar uma postura mais agressiva.
Giovinazzi afirmou que o momento permite explorar alternativas estratégicas com menos pressão. Segundo ele, o foco principal continua sendo melhorar o acerto do carro para a corrida, mas a Ferrari não pretende desperdiçar oportunidades caso seja necessário apostar em decisões diferentes dos concorrentes.
O piloto ressaltou que assumir riscos faz parte da busca por recuperar posições na tabela e tentar reduzir a diferença para os adversários diretos.
Pódio é objetivo, vitória depende de uma corrida perfeita
Apesar do otimismo, Giovinazzi reconheceu que a vitória não depende apenas do desempenho da Ferrari.
Na visão do italiano, o carro ainda não apresenta ritmo suficiente para ser considerado favorito em Interlagos. Mesmo assim, ele acredita que um lugar no pódio está ao alcance da equipe, principalmente se a corrida for marcada por chuva, mudanças estratégicas e incidentes ao longo das seis horas.
O piloto também destacou que a Ferrari nunca conquistou um pódio nas 6 Horas de São Paulo, fator que torna um bom resultado ainda mais significativo para a equipe.
Além disso, Giovinazzi fez questão de destacar o carinho do público brasileiro pela marca italiana e afirmou que seria especial retribuir esse apoio com um resultado expressivo diante das arquibancadas de Interlagos.
Tráfego será um dos maiores desafios da prova
Outro tema abordado pelo piloto foi a dificuldade para realizar ultrapassagens no circuito paulista.
Segundo Giovinazzi, Interlagos é uma pista estreita e com poucas oportunidades claras de ataque. Dessa forma, o desgaste dos pneus terá papel decisivo na dinâmica da corrida.
Caso a degradação seja elevada, carros com compostos mais novos poderão criar vantagem suficiente para superar os adversários. Porém, se o desgaste permanecer controlado, as ultrapassagens tendem a se tornar muito mais complicadas.
O italiano também lembrou que o tráfego constante com os carros da LMGT3 aumenta significativamente o nível de dificuldade da corrida. Administrar os retardatários e encontrar o momento ideal para realizar as ultrapassagens será um dos fatores determinantes para o resultado final.
Ferrari segue confiante na disputa do campeonato
Mesmo reconhecendo a força demonstrada por Toyota e BMW ao longo da temporada, Giovinazzi acredita que a Ferrari continua viva na luta pelas primeiras posições do campeonato.
O piloto lembrou que a equipe perdeu pontos importantes em Spa após um acidente quando ocupava a quinta colocação. Em Le Mans, por outro lado, conseguiu limitar os prejuízos com outro quinto lugar.
Agora, o objetivo é aproveitar as etapas restantes para somar o maior número possível de pontos. Segundo Giovinazzi, circuitos como Austin, Bahrein e Catar costumam favorecer as características do Ferrari 499P, o que mantém a equipe otimista para a sequência da temporada do FIA WEC.
