WEC
Alpine aposta na estratégia, mas furos impedem resultado melhor em Interlagos
Equipe francesa demonstra evolução com o A424, estreia na Hyperpole e chega a liderar as 6 Horas de São Paulo, mas termina apenas em décimo e 11º após problemas ao longo da corrida.
A Alpine Endurance Team deixou as 6 Horas de São Paulo com um misto de frustração e confiança para a sequência da temporada do Campeonato Mundial de Endurance (FIA WEC). Apesar de encerrar a prova apenas na décima e 11ª posições, a equipe francesa mostrou evolução durante todo o fim de semana e chegou a disputar as primeiras colocações com uma estratégia diferente dos principais adversários.
Depois de um desempenho consistente nos treinos livres e de conquistar, pela primeira vez, duas vagas na Hyperpole em Interlagos, a Alpine acreditava que poderia brigar pelas posições de destaque. Entretanto, dois furos de pneu, além de outros contratempos estratégicos, impediram que o potencial demonstrado pelo A424 se transformasse em um resultado expressivo.
Mesmo assim, a equipe encerrou a primeira metade da temporada convencida de que está mais próxima dos principais concorrentes da categoria Hypercar.
Evolução apareceu desde os treinos livres
O trabalho da Alpine começou ainda na sexta-feira, quando os engenheiros concentraram os ajustes dos dois A424 no equilíbrio do carro, estabilidade nas frenagens e avaliação dos compostos fornecidos pela Michelin.
A evolução ficou evidente no último treino livre, quando a equipe registrou o melhor tempo da sessão. O desempenho foi confirmado horas depois, na classificação, com os dois carros avançando pela primeira vez à Hyperpole em Interlagos.
Victor Martins chamou a atenção ao disputar sua primeira classificação no FIA WEC. O francês colocou o carro #36 na terceira posição, igualando o melhor resultado do projeto Alpine A424 e ficando apenas 0s067 da pole position.
Charles Milesi também teve uma atuação consistente e classificou o carro #35 em quinto lugar. Dessa forma, a Alpine iniciou o fim de semana reforçando sua evolução em uma pista onde havia enfrentado dificuldades na temporada anterior.
Estratégia diferente muda panorama da corrida
A largada aconteceu em uma pista que ainda apresentava marcas da chuva da noite anterior. Frédéric Makowiecki, no carro #36, perdeu uma posição logo nos primeiros metros, enquanto Ferdinand Habsburg caiu várias colocações após um início complicado.
Diante desse cenário, a Alpine decidiu alterar rapidamente a estratégia do carro #35 para colocá-lo em pista livre e reduzir o tempo perdido no tráfego.
Enquanto isso, o desgaste dos pneus médios obrigou o carro #36 a antecipar sua parada nos boxes. Pouco depois, Makowiecki ainda recebeu uma penalidade de cinco segundos, aumentando o desafio da equipe.
Mesmo com esses obstáculos, a Alpine manteve uma estratégia agressiva. António Félix da Costa e Victor Martins alternaram posições entre os líderes conforme a sequência das paradas se desenrolava, aproveitando momentos em que os rivais ainda precisavam entrar nos boxes.
A aposta chegou a colocar o carro #35 na liderança da prova em determinado momento, enquanto o #36 seguia competitivo entre os primeiros colocados.
Furos comprometem chance de disputar o pódio
A corrida começou a mudar de rumo na segunda metade da disputa. Logo após cumprir sua penalidade, Victor Martins sofreu um furo no pneu dianteiro esquerdo do carro #36, comprometendo toda a estratégia construída até aquele momento.
Pouco depois, António Félix da Costa entregou o carro para Charles Milesi, que manteve o A424 #35 entre os protagonistas da corrida.
Com o avanço das horas, o clima em Interlagos também mudou. O vento aumentou, a temperatura caiu e as nuvens passaram a ameaçar chuva, cenário que poderia favorecer as estratégias alternativas adotadas pela equipe francesa.
Charles Milesi e Jules Gounon mantiveram um ritmo forte, esperando uma mudança nas condições da pista. No entanto, faltando cerca de 40 minutos para o fim, um novo golpe atingiu a Alpine.
O carro #35 sofreu um furo no pneu traseiro direito, obrigando uma parada antecipada que eliminou qualquer possibilidade de disputar posições mais altas. Já o #36 precisou economizar energia para evitar um reabastecimento extra nos minutos finais.
Com isso, os dois carros cruzaram a linha de chegada apenas em décimo e 11º lugares, resultado considerado abaixo do desempenho apresentado ao longo do fim de semana.
Pilotos destacam potencial do A424
Apesar da frustração, os pilotos destacaram a evolução da Alpine em Interlagos.
António Félix da Costa afirmou que a equipe tinha ritmo suficiente para disputar um lugar no pódio e explicou que a estratégia diferente chegou a colocar o carro virtualmente na luta pela vitória. Segundo o português, o furo de pneu acabou encerrando qualquer chance de transformar a aposta em um grande resultado.
Charles Milesi também avaliou que a estratégia poderia ter funcionado. O francês lembrou que o carro apresentou velocidade competitiva durante boa parte da prova, mas ressaltou que problemas nos freios e o furo de pneu impediram uma disputa mais consistente pelas primeiras posições.
Ferdinand Habsburg destacou que o ritmo apresentado durante os stints foi um dos pontos mais positivos do fim de semana. Para o austríaco, a evolução do carro em relação ao ano anterior ficou evidente, apesar da decepção com sua largada e do incidente que encerrou as chances da equipe.
No outro carro, Frédéric Makowiecki reconheceu que um pequeno erro durante uma parada nos boxes influenciou o restante da corrida. Além disso, explicou que algumas decisões estratégicas também dificultaram a recuperação do #36.
Jules Gounon e Victor Martins seguiram a mesma linha de análise. Ambos ressaltaram que o potencial do A424 era suficiente para disputar posições de destaque, mas afirmaram que os problemas enfrentados durante a prova impediram um resultado mais competitivo.
Equipe vê evolução antes da sequência do campeonato
Para o diretor esportivo Nicolas Lapierre, o resultado final não representa o verdadeiro desempenho da Alpine em São Paulo. Segundo ele, os dois furos de pneu comprometeram completamente as estratégias planejadas e impediram que a equipe brigasse até o fim pelas primeiras posições.
O chefe de equipe Philippe Sinault também avaliou que as posições finais ficaram abaixo do potencial demonstrado pelo A424. Ele destacou que o carro apresentou velocidade competitiva durante todo o fim de semana e reforçou que o foco agora será analisar os acontecimentos da prova para continuar evoluindo.
Com a etapa brasileira concluída, o FIA WEC entra na pausa de verão. A temporada será retomada entre os dias 4 e 6 de setembro, com o Lone Star Le Mans, no Circuito das Américas, em Austin, nos Estados Unidos.
